Rios de Marte
Era um rio seco. Diziam que rio morto. Mas a molecada gostava de deslizar na terra desnuda e vermelha, mergulhar nas nuvens de p� rubro. Era um pouco como ser extraterrestre numa manh� de sol, ser um cacique tingido de urucum, um astronauta pisando outro mundo.
Quando chovia, o rio era diferente. Corria um filete denso, um c�rrego intr�pido desviava dos seixos, e mais abaixo surgia uma lagoinha encarnada. E as caravelas de jornal iam desafiar as correntes, conhecer os confins, desembocar no imenso mar. De repente todos eram argonautas num rio de Marte e nenhum rio valia mais do aquele.
Hoje asfaltaram. Passa uma estrada em cima. Por�m, nos finais de semana, o piche ainda derrete e vira um rio de lava para a meninada.
Marta
Rolim