Parábolas para Divórcios Naturais
DIVÓRCIO – 1
Havia uma macieira no meio do jardim e em meio à profusão de seus frutos louva-deuses copulavam. Ao final do interlúdio, as fêmeas rapidamente devoravam as cabeças dos machos. Dúzias devoram as cabeças.
Não era o bem, não era o mal, ao passo que os bocados eram arrancados até o fim.
Porém, uma fêmea poupou a cabeça de seu fertilizador. Mais tarde ele devorou seus filhotes.
Não era o bem, não era o mal, ao passo que os pedaços eram arrancados até o fim.
DIVÓRCIO – 2
Ele era um leão forte e velho. Nas extensas savanas muitos jovens machos procuravam fêmeas e não tardou a ser novamente desafiado. Rugiu e lutou com bravura, mas chegara o tempo de ser vencido. Expulso, teve de vagar sozinho.
Não era o bem, não era o mal, ao passo que o novo tomava o lugar do velho.
As leoas espreitaram o jovem e grande macho, num misto de medo, ira e submissão. Sabiam o que ele faria e esperaram. O novo leão matou rapidamente os filhotes do derrotado e logo fecundou todas as fêmeas. E a África serena voltou, enquanto o leão velho minguava, pois não conseguia mais caçar.
Não era o bem, não era o mal, ao passo que o novo tomava o lugar do velho.
DIVÓRCIO – 3
A cadela percorria a avenida e uma dezena de cachorros a seguia. Finalmente deixou que um a montasse e depois mais outros. Sentava quando não desejava um deles ou rosnava e voltava a seguir em frente. Por uma semana andou e copulou com todos os cães que quis. Depois voltou para o telhado que conhecia e esperou sozinha o tempo de parir.
Não era o bem, não era o mal, ao passo que não precisava mais deles.
DIVÓRCIO – 4
A fêmea enlaçou o macho com a cauda preênsil e injetou o material gelatinoso em seu ventre. Logo outra fêmea o enlaçou e novamente depositou sua massa gelatinosa nele. Estava grávido, carregando minúsculos filhotes de várias fêmeas.
O cavalo-marinho nutriu as crias até dar à luz.
Não era o bem, não era o mal, ao passo que não precisava mais delas.
Marta
Rolim