Miss Jane Marple

- "A Natureza
Humana é a Mesma em Qualquer Lugar!" -
Miss Marple primeiramente apareceu em
uma série de seis histórias na revista britânica The
Sketch. Ela era membro do Clube das Terças-feiras, um
grupo de discussão que se encontrava na quieta aldeia de
St. Mary Mead para discutir crimes não resolvidos.
Outros membros do Clube incluiam o pastor; o sobrinho de
Miss Marple, Raymond West, um romancista de sucesso; sua
noiva Joyce, uma artista; e outros. De qualquer forma,
era sempre Miss Marple quem chegava à solução correta
dos crimes. Essas histórias curtas ou simplesmente
contos foram coletadas com outras sete especialmente
escritas para o livro, e publicadas como "Os Treze
Problemas" (1932, com título americano de "The
Tuesday Club Murders"), dois anos depois da primeira
aparição de Miss Marple em "Assassinato na Casa do
Pastor" (1930).
Miss Marple não foi a
primeira detetive solteirona - Esta honra pertenceu a
Anna Katherine Green, de Amelia Butterworth - porém
quando o conceito surge, a primeira que vêm à mente é
Jane Marple. Miss Marple foi baseada na própia avó de
Agatha Christie, uma mulher agradável que apesar disso,
de acordo com Agatha Christie, "esperava o pior de
tudo e de todos" e estava frequentemente correta.
Uma precursora da personagem criada também por Agatha
Christie, é Caroline Shepherd que aparece no livro de
Poirot "O Assassinato de Roger Ackroyd" (1962).
Uma solteirona como Miss Marple, Shepherd tinha o mesmo
interesse em comentar a vida alheia e o mesmo talento
especial para saber o que estava acontecendo. Ela era
apenas desprovida da genialidade de sua sucessora.
Quando entramos em contato com Miss
Jane Marple ela é a típica solteirona do início do século
- olhos azuis e frágil, usando um quépe de tecido negro
e luvas (daquelas com apenas dois espaços, um deles para
o polegar), e constantemente tricotando. Ela é também
uma alegre fofoqueira e não especialmente boa. Ela
modernizou-se e foi se tornando mais gentil através dos
anos - foram vinte anos entre o primeiro livro de Miss
Marple e o segundo, "Um Corpo na Biblioteca" (1942),
embora alguns contos intervissem.
Miss
Marple é hábil para solucionar crimes não apenas por
sua inteligência sagaz, mas porque St. Mary Mead, através
de sua vida, a colocou em um espetáculo de depravassão
humana competindo apenas com Sodoma e Gomorra. Nenhum
cirme pode aparecer sem que Miss Marple se
lembre de algum incidente paralelo à sua história de
vida.
Assim como Poirot, Agatha Christie escreveu um livro de
conclusão para suas aventuras em 1940 e o guardou para
quando envelhecesse. "Um Crime Adormecido" (1976)
Porém
desde sua primeira aparição em 1930, Jane Marple teve
que esperar trinta e dois anos para sua estréia nos
cinemas; quando o fez, os resultados haviam desapontado
os fãs de Agatha Christie. "Murder, She Said"
(1962, dirigido por George Pollock, "Assassinato,
Ela Disse") foi o primeiro de quatro produções
britânicas da MGM, estrelando Margareth Rutherford, uma
atriz cômica esplêndida mas muito animada e
espalhafatosa para a formal e observadora personagem que Agatha
Christie criara. "Murder, She Said" foi baseado
no livro de 1957 "4:50 de Paddington" (ou
"A Testemunha Ocular do Crime"), e as mudanças
feitas na trama eram típicas das séries. No filme, Mrs.
McGillicuddy não vê nada porque não há Mrs.
Gillicuddy. Miss Marple por ela mesma observa um crime
cometido em um trem onde ela é a passageira. Da mesma
forma, é a própia Miss Marple que se disfarça de doméstica
para encontrar os fatos do caso, e não uma jovem amiga
dela que o faz.
Os outro filmes de Rutherford (todos dirigidos por George
Pollock) eram "Murder at the Gallop" (1963,
"Assassinato ao Galope"), baseado no livrro de
Hercule Poirot "Depois do Funeral"; "Murder
Most Foul" (1964, "O Crime Mais Nojento"),
baseado no livro de Poirot "A Morte da Senhora McGinty" (1952);
e "Murder Ahoy" (1964, "Crime Ahoy"),
que não se baseava em nenhuma obra de Agatha Christie.
Em
1980, Angela Lansbury interpretou Miss Marple em "The
Mirror Crack'd" (EMI, dirigido por Guy Hamilton,
"A Maldição do Espelho"), baseado no livro de
1962. Contrapostos neste filme estão a excelente atuação
de Angela e a péssima escolha da atriz que até então não
emitia tantos sinais de velhice. O volume do filme é
dado pelas maquinações de um elenco de super estrelas
que incluiam Elizabeth Taylor, Rock Hudson, Geraldine
Chaplin, Tony Curtis, e Kim Novak. Edward Fox atuou como
Inspetor Craddock, que fez o trabalho de campo, ou coleta
de dados, para Miss Marple. O mistério, sobre um criado
assassinado para a filmagem de um filme em St. Mary
Mead, é bem delineada e é mostrada de modo correto.
A TV americana foi o cenário da primeira representação
dramática de Miss Marple. Gracie Fields, uma lendária
atriz britânica, atuou como a detetive em 1956 num episódio
para a Goodyear TV Playhouse baseado em "Convite
Para Um Homicídio" (1950).
Americana
dos palcos e uma lenda das telas, Helen Hayes interpretou
Miss Marple em dois filmes especiais para a TV, ambos
para a CBS: "Mistério no Caribe" (1983) e
"Um Passe de Mágica" (1984). Sue Grafton
contribuiu para o antigo roteiro. A Miss Marple de Helen
Hayes era gentil e alegre.

Quase ao mesmo
tempo, a BBC iniciou uma série de adaptações de livros
com Miss Marple, estrelando Joan Hickson, uma atriz de 80
anos, que havia parecido em um pequeno papel em um filme
de Rutherford: "Murder, She Said". O concenso
através dos devotos de Agatha Christie, era que ela era
a performance definitiva de Miss Marple. Nove livros
foram dramatizados: "Um Corpo na Biblioteca",
"A Mão Misteriosa", "Convite Para Um
Homicídio", "Cem Gramas de Centeio",
"Assassinato na Casa do Pastor", "Um Crime
Adormecido", "O Caso do Hotel Bertram"; e
"A Testemunha Ocular do Crime". Todas essas
adaptações foram ao ar nos Estados Unidos pela PBS
Mystery!
Miss Marple, nossa homenagem
a você!

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