2ª Viagem à BolíviaEm meados de outubro de 2006, recebi uma ligação telefônica do Pr. Avancini da Igreja Batista da Vila do Riacho, distrito de Aracruz, ES, perguntando-me se gostaria de voltar ao país de Bolívia. Já havia em meu coração a vontade de refazer essa viagem, mas estava um pouco temeroso, pelas circunstâncias já mencionadas na primeira parte, isto é; desconsideração, dificuldade em conseguir ajuda até mesmo na igreja e outras coisas que eu prefiro não mencionar. Respondi de imediato que iria pela fé e o Senhor Deus permitiu mais uma vez que eu passasse por privações e humilhações, mas no final tudo deu certo. No dia 15 de janeiro de 2007, às 22:45h, partimos mais uma vez em direção ao país escolhido por Deus para fazermos a obra do ide do Senhor. Era verão e as chuvas castigavam a região sudeste fazendo com que a nossa viagem até o Rio de Janeiro fosse marcada por um atraso de 9 horas, aonde chegamos ao destino, rodoviária Grande Rio, somente às 15h do dia seguinte. Embarcamos, novamente para Mato Grosso do Sul onde pregaríamos na capital, Campo Grande, na noite do outro dia, sendo que foi uma benção. No dia 18 fomos em direção a Corumbá, fronteira legal com a Bolívia, e quase perdemos o embarque para Santa Cruz de la Sierra. Abaixo a relação dos anexos ou congregações em que evangelizamos e pregamos a palavra do Senhor. Gostaria de acrescentar aos irmãos e irmãs que na Bolívia todo missionário é tratado como Pastor ou Evangelista, pois eles reconhecem a dificuldade que um homem de Deus sofre ao escolher esse mister em sua vida; deixam família, o conforto do lar e até mesmo o orgulho próprio: BOIUYBE – Fica a cerca de 50 km da base de Camiri e é o único anexo junto com Ypati, em que o acesso se dá por asfalto. Lá se encontra o Pr. Luiz Vega, o qual dirige esta congregação, também reside e trabalha no local. Se formos mais adiante, em torno de 3h chegaremos à fronteira da Argentina e Paraguai. MONTE AGUDO – Congregação de grande porte e segunda base do ministério, onde se encontra o Pr. Antônio Ames, juntamente com sua esposa e sua filha. Existe nesta igreja uma rádio com programação diária na qual tive a oportunidade de falar da palavra de Deus em castelhano. Neste lugar também os obreiros, pastores, missionários e membros fazem pousada e recebem alimentação. TYOMAIO – nossa passagem por este lugar foi marcante. Chegamos pela parte da tarde e o sol estava mais ou menos 26ºC e nós estávamos com fome e sede, e por incrível que pareça não havia nem água potável, nem energia elétrica. Lugar para descansar só dentro da congregação encima dos bancos ou em algum colchonete que é feito de palha. Tivemos que esperar pelo obreiro que estava no “chaco” (roça) de milho e batata. Chegou à noite e tínhamos que nos preparar para o culto, onde mais uma vez fui o preletor. Havia entre nós um acordo quanto ao banho, isto é; quando havia escassez de água só o pregador tomava banho; nesta noite, ninguém, nem mesmo o pastor que nos acompanhava escapou. Quando eu estava no meio da pregação caiu um temporal que eu jamais vi ou ouvi falar. Era como se toda a água estivesse nas nuvens e caído de uma só vez; aqui eles chamam de turbilhão. Bebemos água da chuva colhida em uma bacia de pneu. Voltamos a monte agudo, pois os operários estavam em greve e aguardamos por dois dias para retornarmos a Camiri. SOPACHUY – Este lugar fica em um vale cercado por dois rios e na língua nativa é quéchua que quer dizer ilha do diabo, mas nós proclamamos e deus abençoou como ilha do Senhor. Neste lugar o Senhor vez um grande obra meus irmãos. Era a noite em que eu preguei a palavra de deus em português sendo traduzido para o castelhano e aconteceu que no final, ao fazer o apelo e pedir que as pessoas fossem até a frente, todos ficaram parados e olhando para mim e o interprete. Como Deus não envergonha os seus escolhidos eis que surge do meio deles um jovem humilde que me perguntou em castelhano se ele poderia traduzir em quéchua. Respondi que sim e ele falava na língua deles e olhava para mim, então para honra e glória do Senhor, todos foram a frente, sendo que 3 receberam o Senhor como Salvador e os demais pediram para que eu orasse por eles. PIRAYCITO – deixamos Monte Agudo e seguimos em direção a este lugar, que fica a mais ou menos 3 horas de viagem, em um jipe tracionado e levantada a suspensão, pois as estradas são de barro e pedra. Estava na estação de chuvas (chove do final de dezembro até meados de março), e geralmente se tem que atravessar rios e valados. PIRAYMIRI – Essa congregação fica um pouco mais alta naquela parte das montanhas e este lugar está praticamente desolado, pois os moradores que tem alguma posse financeira estão migrando para a Espanha. Chegamos pela parte da tarde e à noite foi minha vez de pegar novamente. Nesta mesma noite tivemos que refazer nossa bagagem, pois iríamos em direção a outra congregação. HUACARETA – essa congregação é como um oásis no deserto. Dispõe de algum conforto como: cama individual, comida saudável, e um chuveiro elétrico que compramos em julho do ano passado. Ficamos 3 dias onde foi revelado um grande avivamento por onde quer que passássemos; e o Senhor foi fiel, pois até o Pr. Avancini foi tocado pelo poder do Espírito Santo. Aleluia! Saímos de Huacareta em um domingo para refazermos a rota que seria mais distante e perigosa, pois as carreteiras (estradas escavadas nas montanhas) estavam em estado de alerta devido aos temporais que caíam na região. Irmãos e irmãs, se eu não for a estes lugares, quem irá? Em setembro, se for da vontade de Deus, estarei voltando quiçá pela última vez. Deus sabe do que eu passo, do que eu ouço e sarcasmo a que me submeto. Se você que me conhece quiser me ajudar a fazer esta viagem, pois tenho um compromisso moral com a obra, tente me acionar ou faça a sua contribuição na conta bancária que consta neste site. Que Deus te abençoe grandemente! |