
Poemas
Adeus,meus sonhos ( Alvares de Azevedo)
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
N�o levo da exist�n�ia uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
� sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na trava agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
A estrela de meus c�ndidos amores,
J� que n�o levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!!!
Necr�filo
Do meu ser passeia a patologia,
Envolta pelo v�u da escurid�o,
Venerando o sil�ncio e a solid�o,
Em um ballet de pura necrologia!
� luz da lua meu ref�gio suspiro.
A uma vida de dor fui amaldi�oado,
Eterna maldade � o ar que respiro!
Entre os mortos caminho sorridente.
Triste realidade: de Amor na car�ncia,
E sobre o t�mulo de meus pais a pensar,
Deito antes de minha caminha recome�ar.
Ad Infinitum
Vivo os dissabores de minha vida.
Esperan�a: algo fict�cio a que me apego,
para todo dia ressuscitar.
E como j� dizia o grande poetisa:
"Como odeio a luz do sol, que revela
at� o possivel.
Morte: como posso abra��-l�
pois o que me prometes
� a incapacidade de expressar minha dor
Ad Infinitum
Sinto que a volut�ria degenera��o se,
faz poss�vel,
pois a perspectiva do fim, que por enquanto
n�o me exige,n�o passa de uma ocasi�o
ainda remota.
Ser� ent�o que entendi a vida como uma
cont�nua
e dedicada prepara��o para a morte??
Ad Infinitum: At� o infinito.
Vulto Perdido (Gedanken)
As vezes sou louca � noite
para ser sombrio durante o dia,
no brilho das estrelas eu me enrique�o
na escurid�o de um cemit�rio eu me amanhe�o.
numa grande e sombria, estrada de t�mulos
num c�u negro
num mundo obscuro.
passava em c�mara lenta pelos meus olhos p�lidos
e eu como um fantasma que se refugiava
na solid�o da natureza morta.
apenas a escurid�o, que t�o forte era alucinante
eu tocava meu corpo e n�o me sentia
mas, sentia que aquela viv�ncia n�o era normal...
de marmore frio e negro
era eu mesmo, com vulto perdido
na minha pr�pria vida eterna.
O VAMPIRO
Vozes de um T�mulo (Augusto dos Anjos)

