Título: Simpsons IV - Return of the Space Mutants
Lançamento: 2001
Produtora: Macbee / Imagineering
Distribuidora: 
Macbee / Imagineering
Gênero: Plataforma
 
Sinopse:
 
Os malígnos alienígenas estão de volta, e dessa vez ainda mais poderosos graças a uma fórmula secreta adquirida ilicitamente. Novamente Bart Simpson deverá salvar o mundo, mas dessa vez nada de frescuras como sprays e equipamentos de última geração, mas sim jogando bolinhos de mel com chocolate granulado e açúcar mascavo em direção a tais aliens. Aprecie este maravilhoso trabalho de um dos mais talentosos "artistas dos 8-bits". 



Você deve estar se perguntando: "De onde surgiu este jogo dos Simpsons que eu nunca ouvi falar?" - Bem, a história por trás da criação de Return of the Space Mutants envolve fatos ocorridos desde o fechamento da Home Page não-oficial de Mickey Mouse, até a teoria comprovando que os operadores do Canal Fox eram macacos. Entretanto, esses dois acontecimentos não ajudam muito a entender a produção desta quarta versão para NES de uma das melhores séries animadas de todos os tempos.

A realidade seria basicamente o seguinte: um cultuado hacker gráfico de jogos para NES resolveu alterar um antigo título lançado pela Imagineering, no caso, Swamp Thing, que utilizava uma mecânica semelhante ao de Bart Vs The Space Mutants. O seu nome era Macbee. A idéia era mudar completamente os gráficos, o tema e o enredo, para que pudesse alcançar o máximo de semelhança com um jogo oficial dos Simpsons. E o resultado foi melhor do que o esperado. Simpsons IV ganhou muita identidade e, para os desavisados, ele passa tranqüilamente como um jogo oficial, dado o capricho que se encontra não somente nos gráficos internos, como também nas animações e no desenrolar da trama em si.

Dr. Pete Wilson estava trabalhando em uma secreta e poderosa fórmula em seu laboratório, quando de repente é abordado por mutantes provenientes do espaço o obrigando a entregar seu experimento, argumentando que será muito útil para a sua máquina e a conquista do mundo. O mutante rouba a fórmula e o local é completamente incendiado, Dr. Pete morre momentos depois. Para que Bart Simpson não atrapalhe novamente os seus planos, o impiedoso alienígena envia sua tropa para o Lake Terror, onde Bart se encontra, e é aí que nossa aventura começa.

Simpsons IV é um jogo de plataformas com todos os elementos padrão do gênero, tais como inimigos voadores, saltadores e estáticos. O jogo conta com uma pouca quantidade de fases, porém, muito longas e desafiadoras. A grande dificuldade provavelmente fica por conta da própria estrutura dos cenários, que requerem saltos precisos e academicamente estudados antes de serem executados, se podemos assim dizer.

Nas primeiras fases isso não se deixa transparecer, mas de acordo com o avanço no jogo, começam a surgir as temíveis fases verticais, e é aí que toda a dificuldade está empregada. Algumas fases mesclam o simples horizontal, onde você deve avançar da esquerda para a direita, com as verticais, onde se deve subir em plataformas e elevadores, muitas vezes com diversos inimigos ou partes do cenário tentando o derrubar. Em certos momentos, você pode cair das alturas e simplesmente voltar para o início da gigantesca fase. Para aumentar ainda mais a dificuldade, determinados estágios foram desenvolvidos como uma espécie de labirinto, obrigando o jogador a decorar alguns trajetos e atitudes.

Talvez o maior problema de Return of the Space Mutants sejam suas fases exageradamente compridas e bastante repetitivas. Em determinados momentos, você sentirá um certo Dejá Vu, achando que já passou por aquele ponto várias vezes. Infelizmente, devido ao tamanho e a repetição, parece que você está andando em círculos.

Mas ainda assim, as fases são muito variadas, se comparadas umas com as outras. Você inicia na beira de um lago poluído e obscuro, onde pode até mesmo andar sobre o lixo que boia na superficie da água, passa por lugares como um cemitério repleto de túmulos e fantasmas, atravessa a usina nuclear, florestas e até mesmo o interior da nave espacial dos próprios alienígenas.

No decorrer das fases, você pode recolher "bolinhos" que podem ser acumulados e usados como armas, uma vez arremessados contra os inimigos. Caso você não tenha nenhum no estoque, ainda pode atacar com a mão. Também é possível encontrar itens marcados com a letra "B", juntado 50 deles, você ganha uma vida, que também são acumulativas.

Durante sua jornada, Bart irá encarar chefes de fases muito familiares para quem assiste o seriado da TV, como por exemplo a Maude Flanders, esposa do religioso vizinho Ned Flanders, que por curiosidade é um fantasma que volta para atormentar a vida alheia. Assim como Smithers, o fiel puxa-saco do milionário Sr. Burns, funcionário da sua usina de energia nuclear. Mas no fim das contas, os mutantes é que são a maior ameaça para a terra.

Os gráficos do jogo com absoluta certeza são o maior destaque. Todos os personagens estão extremamente detalhados e rapidamente você irá identificá-los. Bart Simpson está muito semelhante ao desenho animado e, para a nossa surpresa, ele troca de camisa entre uma fase e outra, caindo por terra todo aquele mito que as pessoas tem em relação aos personagens que utilizam a mesma roupa sempre. Tudo apresenta detalhes minuciosos com elementos da série, o capricho nessa adaptação realmente foi algo surpreendente.

As músicas de adequam ao clima obscuro e hostil que Simpsons IV apresenta, mesmo assim não são nem um pouco marcantes ou muito originais, foram feitas mais para complementar o plano de fundo da narrativa. De qualquer forma, não decepcionam, e o mais imporante para um jogo de um console de 8-bits: não são irritantes.

Por fim, Macbee nos presenteou com uma seqüência nunca lançada oficialmente de um jogo que agradou muitas pessoas ao redor do mundo, que foi o original Bart Vs The Space Mutants, de 1991. Simpsons IV traz muita diversão e um desafio bem interessante para todos os fãs da família mais esquisita e adorada da TV.

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Conte-me mais...

Fato ignorante 1: em finais dos anos 90, as ROM's e emuladores se espalharam pela Internet de forma muito rápida. Emuladores surgiam todo dia, a maioria deles rodavam poucos jogos, alguns eram feitos para um rodar um jogo em específico, certas vezes, devido também ao inferior hardware de alguns PC's que o pessoal tinha na época.

Não existiam grandes portais de ROM's como hoje em dia, tipo o Planetemu por exemplo. Então, tudo deveria ser garimpado pelo Cadê, pelo Altavista, ou então pelo Google. As páginas eram sempre amadoras e hospedadas em servidores gratuitos, como o Geocities. Em meio a links quebrados, fundos pretos, letras piscantes e milhares de GIF's animados que variavam do Mario correndo, ou até mesmo a Dercy Gonçalves pulando e mostrando os peitos, a gente encontrava as cobiçadas ROM's.

Foi por aí que, certa vez, descobri umas coisas chamadas HACKS. Minha primeira sensação foi de espanto. A primeira coisa que a gente relacionava com a palavra "hack" era a HACKERS, conseqüêntemente, VÍRUS. Por muito tempo achei que Hacks de Roms poderiam comprometer de forma sacaneativa o PC. Achava que com aquelas coisas eu poderia simplesmente ser HACKEADO por HACKERS malvados.

Fato ignorante 2: quando baixei este jogo, em momento algum fui avisado que era um HACK de um outro título de NES. Então, espantei-me novamente por rodar um jogo dos Simpsons para NES que NINGUÉM conhecia na época. Ninguém sabia da existência daquilo, achei que tivesse descoberto a América. Os gráficos eram até mais bonitos do que os que eu havia jogado no console, parecia realmente uma continuação oficial.

Após algumas mortes, resetei o jogo e procurei pela produtora, e então vi algo bizarro, ano de lançamento 2001. Não podia ser verdade. Foi então que, com uma certa pesquisa, descobri que era um hack do SWAMP THING (outro jogo que não conhecia). Daí caiu a ficha novamente, minha burrice excedia os limites da capacidade umana, sem H.


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