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Adaptador NES / Master System
Se você viveu os tempos áureos da geração 8-bit, principalmente no Brasil,
onde a falta de informação em relação aos videogames afetava a grande
maioria dos jogadores, certamente ouviu falar no famigerado adapator
que permitia executar jogos de Master System em um NES [ou clones dele, em se tratando de Brasil], ou vice-versa.
Os únicos veículos de informação e
notícias sobre videogames que tínhamos no país,
eram as recentes revistas, como a popular VideoGame, a SuperGame [essa especializada em consoles da Sega] ou a Ação Games.
Não me recordo ao certo se alguma dessas publicações chegou a citar,
anunciar, ou até mesmo fazer alguma matéria sobre tal aparato que
prometia esse milagre: possuir "dois" consoles ao preço de um.
Além é claro, de um curto programa de TV, que se não me falha a memória, chamava-se MasterDicas. Isso tudo no começo da década de 90.
De
qualquer forma, essa idéia não ficou apenas na imaginação daquelas
pessoas sedentas por jogos e mais jogos, onde a possibilidade de
apreciar todos os títulos de uma mesma plataforma, não era o suficiente
para suprir seus dedos cheios de bolhas ou calos.
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Quem era melhor, Alex Kidd ou Mario?
Nenhum deles, sempre me IDENTIFIQUEI mais com o BOOGERMAN. |
Não, não ficou só na imaginação, ele
caiu na boca do povo também. Em toda a parte ouvia-se falar
deste mágico adaptator, nas escolas, nas ruas, na casa de
colegas, em fliperamas sujos daqueles que pivetes te enchiam o saco
para "jogá um róundi" no Street Fighter II, e principalmente onde? Sim, exatemente, nas infames LOCADORAS.
As locadoras só não chegavam a ter o mesmo "nível
de marginalidade" dos fliperamas, porque pessoas de BEM também
as frequentavam, como pais de crianças que iam alugar jogos. Ou
adultos locando filmes, uma vez que grande parte desses
estabelecimentos comerciais não viviam apenas de jogos.
Locadoras eram lugares agradáveis para conhecer pessoas com
gostos compatíveis, trocar dicas, trocar idéias, saber
das últimas novidades, e por último, mas não menos
importante, INVENTAR MENTIRAS.
Essas maravilhosas e surreais mentiras eram, em grande parte,
cruéis. As maiores mentiras, é claro, eram sobre os jogos
em si. Moleques inventando 'roupas especiais', 'armas' que prometiam
derrotar chefes numa paulada só, fases secretas, e até
mesmo jogos de NES escondidos na memória do Master System 1. E isso tudo sem beber uma gota de álcool.
E por que eram cruéis? Cruéis porque sempre tinham alguns
[ou todos] que acreditavam naquilo, e tentavam fazer. Mas pular em
buracos nas difíceis fases finais, ou inserir o cartucho com o
console ligado nem sempre funcionava.
E dessas lendas urbanas, a que fez mais sucesso com certeza foi a do adaptador Master System > NES e NES > Master System.
Sim, mas esse delicioso aparelhinho realmente existiu? Na verdade,
não. E se algo do tipo foi feito, não chegou a ser
vendido comercialmente.
O principal motivo que não permitia tal gambiarra,
era, OBVIAMENTE, o hardware de ambos os consoles. Para emular um
plataforma dentro de outra, seja consoles emulados em computadores, ou
consoles emulados em consoles, o hardware "hospedeiro" precisa ser
muito superior em termos técnicos para que isso seja
viável. Pois são arquiteturas completamente diferentes,
por conseqüência, os jogos são programados de forma
também diferente.
Onde quero chegar com tudo isso? Eu quero dizer que, se as fabricantes
de produtos piratas dessa época realmente quisessem rodar jogos
desses consoles "um no outro", em plataformas diferentes, eles poderiam.
Mas não seria um simples adaptador como os já conhecidos 60 > 72 pinos do NES. Seria algo utilizando a mesma tecnologia do famoso Super Game Boy da Nintendo, que permite rodar jogos de GameBoy em um Super NES.
Como ele
funcionava? Há algumas linhas acima eu disse que para um
hardware ser emulado por outro, o hospedeiro precisa ser mais potente.
Mas o Super NES era menos potente que o GameBoy em termos de velolcidade de processamento, sim, acredite, o SNES era mais lento.
O SNES rodava a 3.58MHz, enquanto o pobre GameBoy monocromático trabalhava a cerca de 4.19MHz.
Mas que fique claro que essa comparação entre os dois, se
dá apenas em termos de processador, já que o SNES possuía muito mais RAM principal, RAM para video, entre outras tecnologias.
E o que a Nintendo fez? Ela não emulou ou adaptou nada, ela simplesmente colocou um GameBoy completo dentro do "adaptador".
O acessório fazia todo o trabalho, apenas utilizava do SNES
as seguintes funções: ele capturava a energia
elétrica, processava os jogos sozinho, recebia os comandos
vindos do controle do SNES (comandos esses que são simples cargas elétricas), e por fim exibia as imagens na tela da TV. Tudo isso sendo acessado pelo slot do Super Nintendo.
Ou seja, seguindo esses princípios, seria muito simples dar vida ao desejado adaptador Master > NES. E é claro, o NES > Master.
O NES ou o Master apenas receberiam as imagens e o som para exibir na TV, vindos direto do "adaptador", que por sua vez, seria um console completo, mas em tamanho reduzido, é claro.
Os motivos
para ninguém se habilitar a "inventá-lo" e
comercializá-lo, foi logicamente o alto preço dessas
tecnologias na época. Se hoje um NES-on-chip
[arquitetura inteira do NES em um chip simples, usado em larga escala
nos clones atuais] custa um valor irrissório para ser produzido,
naquele tempo a coisa era bem diferente. E isso que pode ser conferido
nos antigos consoles compatíveis com NES, creio que nenhum deles eram NES-on-chip, talvez os mais recentes, mas não os primeiros, eles continham inúmeros componentes internos.
Se naquele
tempo alguém viesse a lançar essa invenção,
com certeza o valor seria bem próximo ao de um console real, o
que no fim das contas, não valeria a pena.
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Conte-me mais...
Pior
nem era isso, pior foi quando colocaram na minha cabeça que
existia um console chamado "GAME FOUR NINTENDO". Se tratava de um
aparelho que poderia, nativamente, rodar jogos de NES, Master System,
SNES e Mega Drive. Seu design lembrava o de um Phantom System,
só que na cor cinza, e em sua superfície situavam-se as
quatro entradas para os quatro tipos de cartuchos.
Lógico, o nome FOUR em seu título era graças a sua
habilidade de rodar jogos desses 4 videogames famosos da época.
Ainda tinha gente que dizia que vinha com vários jogos na
memória, para cada sistema.
E você acha que eu fui trouxa de acreditar nisso? Mas é
CLARO. Qual não foi a minha decepção ao rodar
inúmeras lojas da cidade [e da cidade vizinha] tentando achar o
MALDITO CONSOLE. Pelo menos vê-lo.
Aquilo foi de uma sacanagem sem igual. Até hoje lembro disso, não esquecerei jamais.
O adaptador de Master nem me fazia muito a cabeça na
época, pois eu gostava mais de NES naquele tempo. O meu sonho de
consumo [NAQUELA ÉPOCA] era nada mais nada menos do que o
fabuloso Adaptador de Jogos de SNES para o NES.
Podendo assim, jogar os últimos lançamentos como F-Zero e
Super Mario World, no meu humilde CLONE 8-BIT de Nes. Mas essa
história, fica pra próxima.
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