No intocável silêncio do momento
Olho ao lado as paredes postadas
Sob o inerte teto de meu quarto.
Não me atrevo a sair, nem sequer até ali fora
Não quero ver a escuridão da noite
Que se faz clara perto ao escuro-preto da minha solidão
Arrisco tão somente no intocável prospecto de meu pensamento
A deixar esta solidão já tão companheira.
E nas asas de meu pensamento voando
Sem destino certo, eu vivo um mar de sonhos.
No meu atrevido pensamento vou ao infinito
E me perco em meio ao nada e ao tudo
Do infinito sigo ao oceano (onde me embebeda
O canto singelo de Loreley e então viajo no seu doce olhar)
E a estrela do mar, também bela, não brilha
Como essa estrela que tenho nas mãos,
Cada segundo passado mais estrelas se aproximam
Para brincar e bailar neste vasto palco
Que se chama céu. Meu pensamento me permite,
Num enlace de magia e beleza, abraçar a dama da noite
A soberana Lua. (e como é terno o seu carinho).
Entrelaçado às asas de meu pensamento passeio pelo espaço
Brinco com os meteoros, abraço cada um dos planetas.
No meu pensamento sou o dono do universo, sou um
Grão de areia. Meu pensamento vai e volta
Voa livre junto a brisa da manhã, se esconde das horas
Brinca com o tempo. No meu pensamento sou o que quero
Vou ao mais profundo interior dos sonhos.
Nas asas do meu pensamento percorro o mundo
Busco indispensável razão de viver
Nas asas do meu pensamento tudo é possível
E meu pensamento me leva até você.