Não!!! Não se pode inventar o amor. O amor é indisvendável, está muito além do nosso
mero entender.
Nos apaixonamos sem nem mesmo saber o porquê, e quando damos por nós mesmos já
estamos contagiados, contaminados por esse sentimento maravilhoso.
Ele sempre nos surpreende, posto que só acontece, senão em todas as vezes, na grande
maioria, quando menos esperamos.
Porém não podemos inventa-lo; não podemos simplesmente dizer que amamos e que seja
esta a verdade. Não ... o amor não é assim tão simples. Não importa quão grande seja nossa
vontade, não importa o quanto queiramos que ele aconteça, tudo será inútil.
Dizer que amamos, simplesmente porque queremos que aconteça, ou então porque alguém
espera de nós um amor que, muitas vezes, infelizmente não podemos proporcionar (não
porque não queiramos, mas porque independe de nós os sentimentos do coração), é não
somente enganar o outro, como também a nós mesmos; o amor não nasce de uma simples
vontade, nem tão pouco por desejo. Ele (o amor) nasce no coração, em um lugar excluso ao
ser humano, nasce em momentos inexplicáveis, menos ainda controlados pelos homens,
que se acham os donos da sabedoria.
Fingir um sorriso é fácil, quantas vezes nós sorrimos sem querer. À mesma proporção
fingimos estar tudo bem mesmo quando nada está como queríamos que estivesse. Inúmeras
são as vezes que, profissionalmente, fingimos amizade, e não somente em circunstâncias
profissionais muitas pessoas conseguem fingir uma amizade (coisa que eu, particularmente,
não só me privo como também abomino). Até tristeza conseguimos fingir, sofrimentos
imaginários, lágrimas que nunca existiram senão em nosso hipócrito fingimento.
Mas o amor não. O amor não se finge, o amor não se inventa, o amor não se controla. Ele é
espontâneo, incontrolável, inviolável. O amor, esse sentimento divino, é por muitos (eu me
arriscaria a dizer: por todos) almejado, porém por poucos encontrado, posto que poucos são
os que realmente o deixam fluir na alma, os que não se dão a hipocrisia de tenta-lo inventar.