As pungentes marcas do tempo
Indeléveis atingem tudo
E mesmo descontente as contemplo
No silêncio do meu discurso mudo
O meu rosto que ao tempo não resistiu
(e nem poderia, nada persiste)
Nas marcas que o implacável tempo esculpiu
Assumiu um ar discretamente triste
Não a tristeza de não ter vivido
Vivi intensamente cada momento
E se mesmo triste, devido à lição, nunca foi esquecido
Mas a tênue tristeza de nada poder fazer
Pelo mundo que caminha ao esquecimento
Esquecendo inclusive de viver