O Correi da Manha (sobre o concerto...)

Á sombra de uma banda qualquer (Correio da Manha, 12.11.01)

 

De regresso a Portugal, onde gozam de uma popularidade acima da média, os finlandeses HIM tocaram anteontem à noite no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, tendo assinado um espectáculo no mínimo pobre (e isto é um eufemismo).

Durante cerca de uma hora e 15 minutos, a banda liderada por Ville Valo em momento algum conseguiu ser mais do que uma sombra parca e murcha de si própria, tendo mesmo no final, e feitas as contas, sido superada, humilhada e batida aos pontos, pelo grupo convidado a fazer a primeira parte, os alemães Oomph!

Durante muitos momentos do espectáculo chegou mesmo a ser constrangedora a forma como a banda finlandesa não conseguia chegar a lado nenhum, sendo que a própria voz de Ville Valo (o elemento que sempre se pautou por ser uma mais valia do projecto) foi a desgraça do colectivo. Imperceptível, cansado, arrastado -tendo mesmo desafinado por alguns momentos -, Valo terá pago a factura de ter cantado no dia anterior no Coliseu do Porto num espectáculo, que quem viu, diz ter sido bem melhor do que o de Lisboa.

É claro que os seguidores da banda vinham com os discos na cabeça e provavelmente nem terão ligado às escorregadelas de Valo e companhia mas o que é facto é que o concerto acabou por sofrer com isso e, por alguma vezes, chegou a ser por demais evidente a forma como alguns fãs olhavam entre si, como que perguntando: "Mas o que é que o gajo tem?". Ainda assim, num ou noutro momento, o grupo finlandês conseguiu levar o público perto do êxtase, especialmente quando interpretou temas como "Your Sweet", "Wicked Game" , "Right Here in My Arms" e, especialmente, "Join Me In Deaht", aquele que, no fundo, foi o grande responsável pelo seu grande sucesso em Portugal.

Perante um Coliseu quase a rebentar pelas costuras, o grupo não terá, no entanto, feito completa justiça aos discos que editou e que mereciam ter tido melhor tratamento ao vivo. Senhores de uma postura muito pouco confiante, os HIM terão decepcionado mesmo aqueles que nada esperavam. Mas a música é feita destas coisas e os espectáculos de rock são como o futebol: um nunca é igual ao outro. Por isso mesmo preferimos dar o benefício da dúvida e esperar que estes senhores cá voltem para que possamos tirar as dúvidas.

E no final disto tudo merecem especial desta, que os alemães Oomph! que estiveram simplesmente irrepreensíveis, tendo sido a banda que melhor terá arrebatado o Coliseu de Lisboa, com um som algures entre uns Rammstein e uns Paradise Lost. Façam o favor de os ouvir melhor. É que os Oomph! foram provavelmente uma das melhores bandas de suporte a ter, alguma vez, passado pelo Coliseu. Pelo que mostraram talvez mereçam voltar, mas desta feita em nome próprio e quem sabe com os HIM a fazerem a primeira parte...

Miguel Azevedo

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