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HIM (Blitz 13 Novembro 2001)
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Sem Sombra de luz... Foi, no mínimo, inesperado o concerto com que os Him presentearam um Coliseu dos Recreios cheio no passado sábado à noite; mas inesperado no que de menos agradável a palavra possa conter, já que a surpresa provocada pela actuação do grupo foi, em diversos sentidos, francamente negativa. Fossem os Him estreantes em palcos portugueses e talvez a percepção em relação à sua actuação na capital este fim-de-semana (depois de um concerto na Invicta na sexta à noite, ao que diz quem lá esteve bem melhor...) fosse diferente; mas a verdade é que, nas muitas vezes que passaram em território luso no decorrer do ano passado, os Him foram delineando progressivamente um estatuto de culto que em muito se ficou a dever à forma como sempre se apresentaram em palco. Ainda que cativante pelas suas formas musicais, cedo se tornou evidente que, ao vivo, a banda vivia sobretudo da prestação muito singular do seu vocalista e líder incontestado, Ville Valo, figura claramente dominante no palco, pelo qual fazia questão de se passear com naturalíssimo à vontade, com uma postura provocatória e uma personalidade cujo carisma passava imediatamente para o público pela sua inegável força. Fosse em passos de dança de contornos sensuais, ou em poses singulares, ou em exercícios vocais impressionantes, o que é certo é que era de Valo que dependia quase exclusivamente a mais-valia que fazia de um concerto dos Him uma ocasião singular. E foi tudo isso que faltou no sábado à noite no Coliseu de Lisboa.
Apesar de ter supostamente como alvo primordial de atenções o recente "Deep Shadows and Brilliant Highlights", o espectáculo dos Him viveu ainda maioritariamente do álbum anterior, "Razorblade Romance", do qual o grupo interpretou alguns dos seus melhores temas, como "Right Here In My Arms". "Poison Girl". "Gone With the Sin", "Your Sweet 666", "Wicked Game" (a versão para o original de Chris Isaak), "Bury Me Deep Inside Your Heart" ou o inevitável "join Me In Death". primeiro tema que catapultou o grupo finlandês para o domínio do estrelato internacional. Quanto ao novo álbum, não revelou diferenças substanciais em relação ao anterior no que toca à definição dos ambientes das canções, todas elas ainda delimitadas por uma sonoridade que busca nas atmosferas góticas algumas das suas referências primordiais, sobretudo no sentido soturno e melancólico que os temas assumem; mas que se inclina também, momentaneamente, para uma construção eminentemente pop, que se revela notoriamente em momentos como "In joy and Sorrow". "Pretending" ou "So Close to Flame". E se a forma como os Him têm sabido conjugar os dois universos - sem se ligarem de modo demasiado intenso às influências góticas (o que se percebeu de imediato no Coliseu pela ausência, em grande número, dos adeptos do género específico...) ou às suas composições de índole mais pop -lhes tem permitido jogar um pouco dentro de ambos os públicos. Traçando um percurso que (não sendo de todo único) não deixa também de ter algumas singularidades que lhes têm de ser reconhecidas, esta noite, é imperativo admiti-lo, não foi de todo uma das mais inspiradas na carreira do grupo, nem permitiu a quem nunca os tinha visto antes em palco ter uma clara percepção daquilo de que a banda é capaz. Ville Valo permaneceu durante a hora e meia que durou o concerto praticamente estático perante o microfone, não largando o habitual cigarro e uma ocasional bebida, contrariando desde o início o espírito do público presente, que buscava manifestamente uma oportunidade para a celebração que o vocalista nunca lhe chegou a proporcionar, reservando-se a uma postura discreta, distante e demasiado fria para o calor que se fazia sentir na sala. A sua interpretação vocal habitualmente irrepreensível também não esteve nos melhores dias, longe dos impressionantes jogos de voz que já lhe assistimos em ocasiões anteriores. E estas condicionantes, todas elas conjugadas, resultaram numa actuação decepcionante para todos aqueles (e seriam a maioria...) que já tiveram a oportunidade de ver o grupo ao vivo e sabem que ele é capaz de muito mais e muito melhor. Foi uma pena. Espera-se que tenha sido apenas desinspiração de uma noite. Na primeira parte do concerto actuaram os Oomph!, uma boa surpresa vinda de terras germânicas que ficaria especialmente bem numa abertura para os Rammstein. Sónia Pereira |