Oração cura e mantém a saúde

Muitos males físicos e mentais são aliviados e até curados através da fé e da oração. Mesmo cancros, como afirma o Prof. Moisés Espírito Santo: «Se é a psique que causa a doença também esta pode ser curada pela psique.»

O Prof. Moisés Espírito Santo, doutorado em Sociologia das Religiões e professor Catedrático da Universidade Nova de Lisboa, é com certeza a pessoa indicada e habilitada para analisar e fazer luz de forma descomprometida sobre um assunto tão apaixonante como polémico.

«O tema da fé e da religião é bastante vasto. Há muitos métodos religiosos que têm eficácia. Pode verificar-se empiricamente que há curas», começa a responder, numa forma pausada, tranquila e, sobretudo, muito clara de se exprimir. O critério do sociólogo nesta matéria liga-se ao bem-estar do indivíduo.

«Se as pessoas que se dizem doentes têm mal-estar, sentem dores, estão inquietas, têm problemas de integração na família, na sociedade, etc.. Se depois de frequentarem vários lugares, praticando certos ritos, por palavras, dizem que estão melhores, que estão bem, então nós dizemos que a pessoa está bem», declara o sociólogo.

Se a cura não é logo eficaz e o mal volta, talvez, segundo Moisés Espírito Santo, a pessoa tenha de voltar ao mesmo local, se calhar toda a vida. Há muitos casos que a medicina não explica.

«Chamamos a isso terapias não invasoras, que não têm efeitos secundários no corpo. Podemos dar exemplos de curas, mas não são exemplos que se possam explicar em laboratório. Limitamo-nos a ouvir. O melhor testemunho é o da palavra da pessoa que diz que se sente bem», elucida o professor.

Força curativa da oração

Sempre que o povo fala em milagres, por se ter deslocado a Fátima ou a qualquer outro lugar de aparições, Moisés Espírito Santo chama-lhes problemas de fé e refere que esses ditos milagres não contradizem, afinal, as leis da natureza nem da fisiologia: «Nunca ninguém pediu a um santo ou a Deus para acrescentar uma perna amputada ou para ressuscitar um morto. Não pedem coisas impossíveis. Isso sim, é que seria um milagre», afirma.

Então, como explicar casos de cura de cancro, dados como incuráveis, como alguns crentes testemunham? «Bom, há cancros que têm origem psicológica, psicossomática, que são difíceis de explicar. Se é a psique que provoca a doença do corpo também esta pode ser curada pela psique», explica o sociólogo. A psique é a fé, a crença é a religião. Os médicos costumam utilizar o efeito de placebo porque consideram que os pacientes criam a ilusão de que estão curados. Logo, estão curados. «É a prova de que o placebo actua psicologicamente», salienta.

A prática frequente da oração tem produzido resultados em indivíduos que sofriam de insónias, funcionando como terapia. «Tem vários efeitos práticos. A oração faz agir no sentido daquilo que é pedido. Dou um exemplo: eu rezo todos os dias para que Nossa Senhora me cure do vício da bebedeira. Enquanto eu vou todos os dias rezar a Nossa Senhora ou à igreja eu estou a fazer um esforço no sentido de me curar da bebedeira e a oração está a ser eficaz», explica.

«Se uma esposa sabe que o marido se embebeda e começa a rezar, e esse marido muda de comportamento por saber que há alguém que reza por causa disso... pode influenciar essa mudança. O orante poderá pensar que foi por intervenção divina que tal pessoa se curou. Agora, se houve de facto intervenção divina ou não, nós não sabemos», é a posição do sociólogo.

Católicos, protestantes...
mas sempre a fé

Moisés Espírito Santo diz que o efeito de terapia começa logo no ritual, pelo facto de a pessoa de deslocar ao local para se entregar à oração. Muda de atitude e de ambiente, muda de ares. «Normalmente estas movimentações religiosas são eficazes. Se não o forem totalmente, serão em parte. Mesmo assim já são importantes.

A pessoa relaxa, descansa dos seus traumas, põe-se em paz consigo mesma. É feita uma reconstituição da sua personalidade, do seu reequilíbrio», diz.

O professor catedrático não faz distinção entre esta ou aquela crença, quer seja católica, protestante ou das chamada seitas. O efeito que produz é que conta. «Se as pessoas estão convencidas de que estão bem é porque o estão de facto. Nem que seja por artes demoníacas. Este é o nosso critério e daqui não saímos», declara, insistindo no testemunho das pessoas que se sentem beneficiadas, «que é, afinal, aquilo que importa.»

Grupos de cristãos, católicos, evangelistas ou protestantes são religiões que funcionam com base nas palavras na Bíblia Sagrada.

«As testemunhas de Jeová têm outros objectivos nas suas práticas. Falam pouco em curas, não promovem curas nem milagres. Têm outras atitudes», esclarece, lembrando que os crentes de Igrejas como do Reino Universal e Maná praticam certos ritos que fazem os crentes sentirem-se melhor ou curados. «Sentem-se bem, nem que seja por cura temporária. Se voltarem lá, voltam a sentir-se bem. Essa é a resposta à eficácia», analisa o interlocutor.

Quais são as doenças que supostamente são curadas ou os seus sofrimentos minorados? A maior parte das doenças de que as pessoas se queixam, segundo o sociólogo, são do foro psicológico (doenças da civilização).

As igrejas que apelam à cura praticam o que os especialistas chamam de catarses. São reuniões libertadores das tensões. A assembleia liberta individualmente: «Enquanto a pessoa em sua casa se sente só, abandonada, nessas assembleias, nesse ambiente de expansividade e irmandade, o cantar, tratarem-se por irmãos, a solidariedade e o sorriso franco é o bálsamo de que precisavam», acentua Moisés Espírito Santo.

São reuniões onde, por vezes, se praticam ritos, se exalam angústias, se pede a Deus a libertação de pesos e pesares: «É a isso que nós sociólogos chamamos psicoterapias de fé, que são terapias verdadeiras.»

Por Rolando Raimundo

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da
revista ExKlusiva

http://netfeminina.sapo.pt/J31/117561.html 23/8/2000

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