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Di�rio do Front
Muita �tica na teoria, pouca na pr�tica �tica � uma palavra que corre o risco de ser desmoralizada, de tanto que a usam como artif�cio Alexandre Gomes (olho) "�tica tornou-se uma bijuteria lingu�stica, uma palavra meio sem valor que se utiliza para adornar o discurso sem maiores consequ�ncias" (olho) "Confunde-se ent�o �tica com a falta de �tica de defender os interesses do grupo acima dos interesses gerais" (olho) "� f�cil dizer que quem nos acusa de alguma coisa falta � �tica, tal respostinha marota serve para livrar o acusado de discutir a quest�o, � um xingamento n�o um argumento porque n�o diz nada" Algumas palavras entram na moda, passam a frequentar o discurso de todo mundo, mesmo de quem n�o faz a menor id�ia do que ela significa, e acaba se tornando um r�tulo - vazio e vago. Cidadania parece ser uma palavra definitivamente perdida, tanto que se falou dela frente ao muito pouco que se fez. Outra palavra que parece ter o mesmo destino � �tica, tamanha a desfa�atez com que o termo � utilizado sem que ningu�m a defina com precis�o ou ao menos fa�a o discurso corresponder � pr�tica cotidiana. �tica tornou-se uma bijuteria lingu�stica, uma palavra meio sem valor que se utiliza para adornar o discurso sem maiores consequ�ncias. Quem a usa deve pensar que se toda a hist�ria do pensamento universal do Ocidente n�a foi capaz de dar uma defini��o aceit�vel e objetiva para o conceito de �tica muito menos ele a dar� e portanto qualquer uso que se fa�a do termo � aceit�vel. Um dos usos mais c�nicos de �tica confunde-se justamente com um de seus opostos: o corporativismo. Assim se acusa de falta de �tica quem tem a ousadia de apontar comportamentos inaceit�veis - anti-�ticos diga-se de passagem - nos seus colegas. Confunde-se ent�o �tica com a falta de �tica de defender os interesses do grupo acima dos interesses gerais. Desta forma vender t�tulos honor�ficos - como se a honra � algo que pudesse ser comprado em m�dicas presta��es - ou andar pelos gabinetes de vereador pedindo emprego ou dinheiro se aproveitnado da posi��a de jornalista n�o � anti-�tico. Mas se algum colega de trabalho denunciar o fato, como eu fiz provocando as mais alvoro�adas rea��es na imprensa local, ent�o me falta esta (anti) �tica corporativista porque segundo eles tenho de ter um compromisso com os colegas corruptos ao inv�s de ter um compromisso com o leitor. Mas nem todos os maus tratos que se d� � palavra �tica tem os mesmos requintes de crueldade que esta interpreta��o corporativa - e conveniente - da �tica. Como existe um esfor�o em manter o sentido da palavra t�o obscuro como quem o utiliza mal, qualquer coisa pode ser considerada como falta de �tica de forma muito conveniente. � f�cil dizer que quem nos acusa de alguma coisa falta � �tica, como recentemente o PT fez comigo e com o PRIMEIRA P�GINA. Tal respostinha marota serve para livrar o acusado de discutir a quest�o, de fornecer argumentos em favor de seu ponto de vista. � enfim, um xingamento n�o um argumento porque n�o diz nada. Se algu�m preocupado em polir a ma�� - para usar o termo ingl�s j� que o equivalente em portugu�s � impublic�vel - de uma v�tima em potencial de achaque louva at� as habilidade culin�rias de um candidato a prefeito ningu�m reclama de falta de �tica e todos sorriem satisfeitos. Mas se algu�m aponta para a tentativa de um grupo de novatos assumi o controle de um partido at� ent�o democr�tico, e ainda faz isso usando de irrever�ncia e talento (mod�stia � parte), ent�o "afronta a democracia". S� pode ser uma piada... Alexandre Gomes � editor do PRIMEIRA P�GINA |
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