Conflito e negocia��o na C�mara Municipal.txt

Di�rio do Front
Conflito e negocia��o na C�mara Municipal
No choque de opini�es o Legislativo desiste de sediar debate racional

Alexandre Gomes

Quando os parlamentos foram pensados imaginou-se que seriam templos da raz�o nos quais cada um se esfor�aria por garantir o melhor para sua comunidade. A pr�tica, � claro, nunca chegou muito perto desta concep��o t�o id�lica j� que os parlamentos de uma forma geral transformaram-se em arena de interesses e ideologias distintas, quando n�o um espa�o para livre manifesta��o est�ril dos egos.
Curioso que se o "Estado de Natureza" - que embasou a teoria do liberalismo pol�tico e a forma��o dos governos parlamentares - nunca existiu de fato antes do Estado, se encontra nos parlamentos de uma forma geral uma formula��o que a ele se assemelha de forma impressionante.
A pobreza ideol�gica dos debates parlamentares - nos quais os princ�pios quase sempre servem apenas como desculpas para justificar posi��es pessoais ou de grupo - e a fal�ncia do sistema representativo - j� que � muito dif�cil encontrar parlamentar que represente mais do que a si mesmo, e n�o � raro aqueles que nem a si representam - tornam os parlamentos um espa�o destinado justamente � irracionalidade da tomada de decis�es - ainda que os agentes pol�ticos de forma individual ajam racionalmente no sentido de atender aos seus interesses.
A C�mara Municipal de S�o Carlos � um exemplo muito did�tico deste processo. A despeito do muito que se fala durante as sess�es, n�o se tem sen�o mon�logos. Fala-se, no m�ximo, para tentar convencer o p�blico de uma ou outra posi��o, nunca para convencer os colegas parlamentares.
E N�o h� discuss�o justamente porque as posi��es j� est�o definidas muito antes de um projeto ser discutido. E raramente estas defini��es foram feitas com base num julgamento do valor de uma ou outra posi��o para o bem comum. � sobretudo uma posi��o tomada em fun��o do grupo do qual se faz parte, ou, mais comumente, de alguns projetos pol�ticos pessoais.
No m�ximo a inten��o de convencer e o simulacro do di�logo tem a caracter�stica da intimida��o. � o caso quando a Oposi��o chama a aten��o da bancada governista para a impopularidade das decis�es que est� tomando. Mas aqui n�o h� outra raz�o sen�o a raz�o instrumental e utilitarista - essencialmente individualista - de pesar de um lado as vantagens recebidas por estar ao lado do governo e de outro o �nus de defender pos��es impopulares. H� at� aqueles que tentam usufruir das vantagens dos dois lados, mas esta � outra hist�ria.
Quem observa atentamente a C�mara � capaz de prever com relativa precis�o como ser� uma vota��o antes mesmo dela come�ar. No m�ximo haver� um ou outro ajuste em fun��o de algum governista que tenta ampliar seu valor de "barganha pol�tica" simulando uma moment�nea revolta.
Mas a irracionalidade n�o � um privil�gio governista. A oposi��o tamb�m faz quest�o de ignorar a import�ncia do debate, �s vezes at� parece fazer quest�o de manter um certo monop�lio da oposi��o com a inten��o de garantir, para cada um, seus pr�prios projetos pol�ticos.
A inabilidade pol�tica oposicionista e sua incapacidade tanto de agir como um todo org�nico como de pensar de forma estrat�gica � not�ria e j� pode ser demonstrada diversas vezes. A sua pr�pria a��o essencialmente destrutiva, contestat�ria e n�o propositiva j� revela o car�ter essencialmente emocional de seus motivos.
Se os governistas tem sido marcadas por uma irracionalidade subserviente que raramente reflete ou tenta justificar as a��es que homologa - e aqui � preciso reconhecer a coragem dos vereadores Diana Cury e Jo�o Batista Muller (PMDB) que est�o entre os raros que ainda perdem seu tempo em argumenta��o - a oposi��o tem tamb�m tido diversas incapacidades.
Em primeiro lugar as j� mencionadas incapacidades para pensar de forma estrat�gica, de uma forma geral a oposi��o tem se preocupado n�o em tentar obter uma maioria ainda que transit�ria, mas parece esfor�ar-se a todo momento para jogar o m�ximo poss�vel de n�o-oposicionistas no campo do advers�rio.
Na sua vis�o manique�sta ou se est� sempre na oposi��o ou se � um intoc�vel que n�o merece ser convencido - ou convertido - � doutrina salvadora da oposi��o. Revelam-se incapazes de aproveitar-se das brechas e divis�es do campo inimigo e �s vezes at� contribuem - com sua agrassividade - para fortalecer o campo inimigo.
Em segundo lugar, talvez at� pelo fator acima, raramente a Oposi��o consegue formular alternativas ao que est� sendo discutido, mostra-se ela pr�pria submetida quase sempre � agenda fornecida pela administra��o. � evidente que se existisse a preocupa��o com o convencimento haveira a preocupa��o de propor alternativas, at� de negociar, pr�tica t�o comum aos palramentos mas que raramente pode ser vista na C�mara daqui.

Index

Next

Previous

Hosted by www.Geocities.ws

1