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Di�rio do Front
Chega de omiss�o!
Est� na hora da sociedade invadir a pol�tica

Alexandre Gomes

"Toda pol�tica baseia-se na indiferen�a da maioria dos interessados, sem a qual a pol�tica n�o � poss�vel" (Paul Valery)

Boa parte dos problemas do pa�s residem num c�rculo vicioso, numa cobra mordendo o pr�prio rabo cuja cabe�a � o sistema pol�tico. S� para dar um dos muitos exemplos �bvios, a educa��o n�o melhora, entre outras cosias, porque n�o interessa � maioria dos pol�ticos que se eleve o n�vel de consci�ncia da popula��o porque sabem que isto condenaria ao ostracismo os p�ssimos pol�ticos. Como tem pouco acesso a uma educa��o de p�ssima qualidade a popula��o vota nestes pol�ticos populistas e vazios, que continuam mantendo esta pol�tica de desvalorizar a educa��o.
Em um outro avatar menos �bvio deste mesmo processo, a pol�tica � dominada pela sujeira e pelas artimanhas, por causa disto a maioria dos cidad�os n�o pensa nela sen�o com asco, pelo asco evita participar e ao evitar disputar qualquer cargo ou ter uma participa��o mais ativa, deixando o campo aberto aos oportunistas.
Estes c�rculos n�o pdoem ser rompidos com facilidade, t�o fortemente a cobra morde seu rabo para impedir que o concerto da politicagem seja rompido. O rompimento violento, comanddado por uma pretensa elite de iluminados, tem demonstrado que n�a � capaz de produzir mais do autoritarismo, que perpetua os v�cios e perversidades do sistema.
Filhotes destes s�o os "pol�ticos amadores" cuja perniciosidade j� comentei em artigo anterior. Aquele tipo de indiv�duo que esconde sua extrema ambi��o e vaidade com uma condena��o generalizada dos pol�ticos, que acaba pro reafirmar tamb�m os defeitos do sistema atual. Qualquer esperan�a de rompimento n�o pode ser depositada nestes salvadores da p�tria, mas sim no conjunto da sociedade, no despertar da chamada "maioria silenciosa" cuja omiss�a tem tornado poss�vel a intermin�vel degrada��o da pol�tica.

Pol�tica para todos
S� com uma intensa participa��o da sociedade se conseguir� corrigir os rumos da pol�tica e realizar a essencial limpeza necess�ria no setor. E isto N�o ser� obra de nenhuma vanguarda de iluminados que se arrogam a extrema pretens�o de serem os portadores da verdade prontos a "conscientizarem" as massas - s� este termo, massas, revela a baixa considera��o que eles tem pela sociedade civil. Por mais que desagrade a estas pessoas, a sociedade n�o � um espa�o vazio no qual possam enfiar qualquer id�ia, tampouco um arquivo inerte no qual basta trocar a pasta.
A grande e necess�ria mudan�a come�a no interior de cada indiv�duo, no despertar de seus sentimentos c�vicos, de seu amor pela sociedade na qual vive, na supera��o da sua aliena��o pol�tica e, sobretudo, em um certo desejo de auto-sacrif�cio de parte de seu tempo livre em nome daqueles valores, materializados em algum tipo de participa��o pol�tica. Como disse o presidente americano Dwight Eisenhower, "a pol�tica deveria ser a profiss�o em tempo parcial de todo cidad�o".
Esta decis�o pessoal � fundamental para qualquer mudan�a, afinal s� se constroi uma verdadeira democracia quando as massas s�o substitu�das pelos indiv�duos. Os setores m�dios da popula��o, menos distantes deste ideal de ilumina��o interna, est�o muito mais pr�ximos que os infelizes mantidos na mis�ria, na brutalidade e na indignidade, mas mesmo nestes � capaz desta luz brilhar.

Sociedade Civil Viva
O passo seguitne � a aglutina��o destes indiv�duos numa sociedade civil viva. Por mais que se fale em Sociedade Civil - palavrinha que anda tanto pelas bocas por a� que corre o risco de perder o sentido como �tica j� perdeu pela repeti��o mon�tono desligada da pr�tica - ela n�o passa de uma obra de fic��o, ao menos no Brasil. Sociedade de Amigos de bairros, Sindicatos, a imensa maioria das entidades com rar�ssimas exce��es e especialmente partidos pol�ticos nada mais s�o do que pequenas e grandes picaretagens cujo objetivo principal n�o � enfrentar o Poder P�blico ou ao menos atemoriza-lo com as suas demandas, mas sim ajudar os maus pol�ticos a parasitar os cofres p�blicos ou eventualmente particulares, como no caso recente do relacionamento prom�scuo entre o Comsab e a Via��o Renascen�a.
Ao inv�s de contribuir para o desenvolvimento da democracia, estas entidades em geral colaboram para sua desmoraliza��o, estendem ao que seria a sociedade civil o asco que o bom cidad�o tem da pol�tica porque em geral tem os mesmos defeitos, � influenciada pelas mesmas pessoas e igualmente ajuda a serpente a morder o rabo do c�rculo vicioso da exclus�o das pessoas de bem da pol�tica. Assim depois da tomada de consci�ncia individual o primeiro passo seria construir uma sociedade civil de verdade, este passo � necess�rio antes da pol�tica propriamente dita porque � necess�rio um cotnra-peso ao corrompido Poder P�blico que seja forte o suficiente para quebrar o c�rculo vicioso e, ainda mais, para impedir que ele se reconstrua.
As defici�ncias do meio pol�tico s�o derivados dos maus elementos que se prop�em a entrar na pol�tica, mas tamb�m � um problema estrutural capaz de corromper at� os elementos dotados das melhores inten��es. Por isso a solu��o n�o � eleger fulano ou beltrano, medida apenas paliativa, que no m�ximo mexe com a quantidade de pervers�o dentro do sistema. S� a constru��a de uma sociedade civil forte � capaz de produzir uma mudan�a qualitativa no Sistema Pol�tico, � uma tarefa dif�cil, um trabalho de S�sifo, mas que algum dia ter� de come�ar com algum primeiro passo.




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