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Pol�tica grande e pol�ticas pequenas
"A pol�tica mais dispendiosa, mais ruinosa, � a de ser pequeno" (De Gaulle) Alexandre Gomes As pessoas em geral tem uma avers�o que beira ao asco quando se menciona a palavra "Pol�tica". A rea��o � natural se levar-se em conta a quantas anda a pol�tica em qualquer n�vel que se imaginar. Nem adianta vasculhar o passado em busca de exemplos de uma �poca na qual a pol�tica n�o era o que � hoje, qualquer exemplo encontrado ser� falacioso, fruto prov�vel de algum laudat�rio de encomenda aos pol�ticos da �poca. Desde a Gr�cia a pol�tica � algo detest�vel, como j� assinalavam os fil�sofos gregos para os quais a pol�tica nunca havia conseguido ser aquilo que se esperava. O que adianta de fato � olhar para o futuro, pensar em construir uma nova Pol�tica, uma pol�tica realmente preocupada com as coisas que S�o importantes ao inv�s de atentar-se a mesquinharias, uma pol�tica que vise o conjunto da sociedade ao inv�s de servir para alimentar egos - e bolsos - de indiv�duos mals�os. Apesar de eternamente retratada como um meio para grandes coisas a pol�tica jamais foi vista por aqueles que a exercem - os pol�ticos - a n�o ser como fim em si pr�prio, como a satisfa��o de um sentimento egoc�ntrico de tomar o poder nas m�os e fazer com ele o que bem se entendesse. Se for procurada alguma diferen�a em rela��o ao passado se encontrar�, no m�ximo, uma �poca na qual as pessoas se preocupavam com o destino do governo e portanto existia um certo limite ao exerc�cio hedon�stico do poder pelos pol�ticos. Hoje sequer isto acontece, as pessoas simplesmente n�o se importam mais e em consequ�ncia a tend�ncia � o agravamento da situa��o. Este agravamento, contudo, n�o deixa de ter um lado bom, porque faz cair as m�scaras, n�o existe mais a preocupa��o de tentar esconder o desejo ego�sta do poder atr�s de belos discursos e causas nobres. De repente se tornou natural aceitar o exerc�cio do poder pelo poder e pronto, sem mazelas e sem disfarces. Nada diz mais sobre a queda desta m�scara que a forma puramente comercial que est� tomando a elei��o, ela n�o � mais uma disputa de id�ias (se � que algum dia o foi, mas ao menos antes ela se disfar�ava assim) mas simplesmente um leil�o do poder. Roma come�ou a decair quando a Guarda Pretoriana e o Senado passaram a leiloar o cargo de imperador. O mesmo acontece hoje, com a diferen�a aparentemente democr�tica que agora o cidad�o comum tamb�m participa do leil�o. Mas se o n�mero de pregoeiros aumentou diminuiu os pr�mios, agora geralmente tabelados em cestas b�sicas, a moeda eleitoral mais comum. N�o faltar� muito para que s� seja poss�vel se eleger comprando o cargo diretamente dos eleitores, falta realmente muito pouco para que isto comece a acontecer. A pr�xima elei��o ser� certamente um carnaval da corrup��o mais rasteira a qual a popula��o se submete trocando seu sagrado direito de exercer o poder por dois ou tr�s dias de alimenta��o. As elei��es majorit�rias ainda guardam um certo resqu�cio de decis�o abstrata e n�o material, pouco � verdade mas muito mais que nas elei��es legislativas nas quais domina a mais absoluta venalidade. O resultado todos podem ver.... Existir� ainda meios de mudar isto? Os partid�rios dos regimes autorit�rios tem uma das respostas poss�veis, simplesmente extinguindo o Estado de Direito e as institui��es fracas - para n�o dizer in�teis - corruptas e desmoralizadas. O cruel � que quanto mais os parlamentos se preocupam com mesquinharias, quanto mais eles discutem temas que s� interessam a eles mesmos, quanto mais eles consagram a inefici�ncia que beira a inutilidade, mais f�cil fica que as pessoas d�em raz�o aos gorilas com suas botas. Assim os parlamentos, que sempre se colocam como as primeiras v�timas das ditaduras, no mais das vezes s�o eles seus pr�prios coveiros. A alternativa a isto n�o � f�cil - talvez seja mesmo imposs�vel. Esta alternativa seria a participa��o ativa dos cidad�os no processo decis�rio capaz de depurar a pol�tica pequena, a pol�tica da ninharia, para construir uma grande pol�tica na qual a comunidade, ela pr�pria, resolvesse tomar os seus destinos na m�o e construir uma sociedade de tipo diferente. Entre a alternativa f�cil do regime autorit�rio, talvez muito mais � m�o do que se possa pensar, e a dos cidad�os deixarem de lado o comodismo h� l�guas de dist�ncia. Assusta pensar que a primeira � t�o f�cil e a segunda praticamente imposs�vel. Assusta ainda mais pensar que s� faltou algu�m com coragem e disposi��o para tomar o primeiro caminho. Enquanto este tipo de quest�o come�a a se colocar os parlamentares continuam insistindo em discutir futilidades e em pensar em maneiras de derrubar o advers�rio sem ver que geralmente eles cair�o juntos. Alexandre Gomes � editor do PRIMEIRA P�GINA |
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