A responsabilidade dos partidos.txt

Di�rio do Front
A irresponsabilidade imeadiatista dos partidos
Partidos s� se preocupam com votos, com isso geram as aberra��es da pol�tica

Alexandre Gomes

Quando um dos tantos pol�ticos desonestos � pego com a m�o na massa uma das primeiras atitudes do seu partido � expuls�-lo. Assim foi com Jo�o Alves e outros an�es do or�amento, Pitta e agora com Hildebrando Paschoal. Tal como naquela regra b�sica do jogo de p�quer - roubar � permitido desde que n�o se seja descoberto - os partidos agem de forma c�nica e hip�croita tamb�m nesta quest�o.
A grande verdade que ao montar as suas chapas de candidatos os partidos n�o est�o nem um pouco interessados nas qualidades morais, �ticas, psicol�gicas, pol�ticas e intelectuais de seus membros. Seu �nico crit�rio � o n�mero de votos que o indiv�duo poder� ter.
Todos sabem que os partidos est�o escalonados em tr�s n�veis de candidatos - essenciais ao seu equil�brio - h� aqueles nomes que s�o os favoritos, que tem granes chances de se eleger; h� um pelot�o intermedi�rio que ter� um n�mero m�dio de votos- um ou outro conseguindo surpreender mas a maioria apenas fazendo n�mero para eleger os favoritos; e por fim os laranjas com poucos votos que mais atrapalham do que ajudam mas s�o necess�rios para que o partido integre as chapas.

Centralizadores e democr�ticos
Uma an�lise da vota��o dos candidatos a vereador nas sucessivas elei��es municipais demonstra que h� tend�ncias claras e que se pode saber muito sobre os partidos a partir dos resultados eleitorais. S� um exame visual de um gr�fico que plotasse em ordem a vota��o de todos os candidatos de um partido j� diria muito sobre a organiza��o daquele partido.
Neste gr�fico a inclina��o da curva unindo os pontos representaria, em certo grau, o n�vel de centraliza��o de poder dentro de cada partido. Nos dois casos extremos um partido absolutamente democr�tico - bem entendido, em sua estrutura interna, at� porque os partidos de elite tendem a ser mais democr�ticos que os partidos de massa - teria uma reta na qual todos os candidatos teriam a mesma vota��o; enquanto um partido de "caciques" teria uma curva acentuada na qual um �nico candidato teria todos os votos e os outros nenhum.
A curva do PT, por exemplo, tem sido em todas as elei��es de inclina��o leve. Ou seja n�o h� grandes descontinuidades entre cada um dos candidatos demonstrando uma distribui��o de votos que tende � homogeneidade. E isto se reflete no fato do partido ter tido a m�dia mais alta de votos por candidato - mesmo descontados o expressivo montante de votos de legenda.
J� o PDT, para pegar um caso extremo, tem uma curva fortemente acentuada. H� um primeiro colocado com um n�mero extremamente expressivo de votos, alguns poucos nomes com um n�mero expressivo e os demais engatinhando muito atr�s, o que pode demonstrar os motivos pelos quais o partido n�o foi capaz de atingir o coeficiente.

Distribui��o de recursos
O termo democr�tico ou elitista utilizados acima de forma nenhuma tem algo a ver com quest�es ideol�gicas. Um partido pode ser conservador mas ter uma estrutura interna democr�tica, assim como ter um programa pol�tico democr�tico, mas uma estrutura interna autorit�ria na qual um ou alguns poucos caciques tomam as decis�es.
� evidente que a quantidade de votos que um determinado candidato tem � especialmente devido aos seus atributos e esfor�os pessoais. Mas mesmo com os partidos fracos que se tem no pa�s � ilus�rio imaginar que os partidos n�o tem nenhuma influ�ncia nesta vota��o.
A vota��o tamb�m � um produto do investimento que o partido faz no candidato de variadas formas. E N�o se trata apenas dos investimentos quase sempre irris�rios em material e dinheiro, mas na aposta subjetiva que cada partido faz nos membros da sua chapa de candidatos.
Um elemento dif�cil de ser medido mas de extrema import�ncia � a expectativa do candidato de ser eleito. A quantidade, e mesmo a qualidade, do trabalho individual de cada candidato � diretamente proporcional �s chances que ele v� de ser eleito.
Assim um partido com um menor desn�vel entre os candidatos � muito mais eficiente que um com um perfil "caciquista" porque no primeiro todos v�em alguma chance de chegar ao topo e certamente se sentem mais estimulados. Enquanto num partido cuja chapa � dominada por duas ou tr�s "estrelas" os �ltimos colocados se sentem desestimulados a continuar a batalha e certamente empenhar�o menos esfor�os e recursos.

Expectativa do eleitor
Esta distribui��o das chances eleitorais tem tamb�m um impacto sobre as expectativas do pr�prio eleitor que raramente votar� em um candidato, por mais amigo que for, se n�o ver nele chances concretas de eleger-se. As surpesas que costumam acontecer em todas as elei��es - mas cuja tend�ncia � se tornarem menos frequentes - n�o desmentem este fato, mas sim o confirmam.
Quando se fala em surpresas fica a impress�o que se tratava de uma pessoa que ficou toda a campanha em casa e de repente os eleitores resolveram votar nele. Isto n�o existe, nem existiu e tampouco existir�. Uma an�lise detalhada de cada pol�tico que se elegeu de forma "surpreendente" - uma "zebra" para usar o termo popular - revelar� que todos eles eram pessoas que tinham certeza da sua elei��o e trabalharam de forma incans�vel por isto; sobretudo foram pessoas que foram felizes em passar ao eleitor a certeza que seriam eleitos pelo seu trabalho permanente e incans�vel.
E quando estas "zebras" n�o voltam para um segundo mandato, geralmente isto n�o se deve exclusivamente a ele ter tido uma atua��o decepcionante, mas sobretudo porque esquecem de manter o permanente contato com as bases. Por mais paradoxal e estranha que possa parecer a afirma��o, o eleitor semrpe vota de forma racional, ainda que sua racionalidade nem sempre seja perfeitamente compreendida e geralmente esteja equivocada.

Capital humano
Quando se fala de investimentos dos partidos nos candidatos fala-se n�o s� do seu sentido �bvio de recursos materiais, nem de seu sentido mais subjetivo exposto acima de "investimento na esperan�a de elei��o". H� tamb�m um outro tipo de investimento que vem sendo ignorado pelos partidos brasileiros - com uma certa exce��o do PT - e que � o investimento na forma��o dos seus quadros e lideran�as.
H� pouco ou nenhum investimento em dotar a lideran�a de qualquer conhecimento, por mais b�sico que seja, de alguma forma��o pol�tica. O resultado disto � a inexist�ncia de qualquer v�nculo mais forte entre o candidato e o seu partido, v�nculo este que s� poderia ser dado por uma identidade ideol�gica. Fica a d�vida se os partidos n�o fornecem forma��o doutrin�ria porque eles pr�prios n�o tem ideologia ou se eles n�o tem ideologia por n�o terem uma forma��o doutrin�ria.
� at� prov�vel que os partidos deixem de lado esta necessidade porque isto levaria a milit�ncia a cobrar posturas mais coerentes das pr�prias lideran�as partid�rias. Mas isto N�o � motivo suficiente para explicar porque os partidos t�o prontamente abrem m�o de um instrumento poderoso que poderia lhes garantir de um lado o fortalecimento da disciplina e estrutura partid�ria, e de outro um incremento na motiva��o dos candidatos, a despeito das expectativas reais.
Desde Maquiavel - e principalmente depois de Clausewitz - j� n�o � mais poss�vel acreditar que alguma for�a � capaz de se manter a partir de tropas mercen�rias. O compromisso ideol�gico com o grupo vem se mostrando uma das mais poderosas for�as transformadoras desde Napole�o. O que garantiu ao Corso a conquista da Europa n�o foi a qualidade do seu equipamento militar, nem a tradi��a militar de suas tropas ou a qualidade de seus oficiais, mas sobretudo o engajamento de seus soldados na luta por um ideal. Mas os partidos brasileiros insistem em continuar ignorando a hist�ria.

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