Esquadrão VF-1 e o Porta Aviões São Paulo

AF-1_falcão03.jpg (26190 bytes)São 32 mil toneladas navegando a 60 km/h. O porta-aviões São Paulo foi projetado pra servir de base para 38 aviões e dois helicópteros. A estrutura interna permite à tripulação passar meses em alto-mar. Em caso de emergência, o navio tem uma enfermaria com 20 leitos, UTI e centro cirúrgico. Quatro radares fornecem as informações necessárias sobre o tráfego aéreo e a aproximação de eventuais inimigos. 
    Percorrer os 15 andares do navio é como passear por um enorme labirinto. Os corredores nos levam até o hangar, de onde partem as missões: “Nós estamos indo do hangar para o convés de vôo. Esse elevador em que nós estamos transporta os aviões e helicópteros para eles se posicionarem no convés de vôo, para efetivamente decolarem. Aqui tudo acontece muito rápido, os pousos e decolagens, então tem uma equipe que fica responsável por limitar o trânsito aqui no convés, para não interferir com o movimento das aeronaves”, explica o capitão de mar e guerra Paulo Romero. 
    O Fantástico teve acesso ao mais recente treinamento no porta-aviões São Paulo. Os exercícios aconteceram nos meses de agosto e setembro, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro. O treinamento serviu para a adaptação dos pilotos às características do novo porta-aviões brasileiro. Segundo a Marinha, agora o navio está pronto para entrar em combate, caso seja necessário: “Toda a tripulação do navio já foi treinada e submetida a testes de procedimentos de emergência. O mesmo ocorreu com os helicópteros e aviões”, revela Antônio Nigro, comandante do navio. 
    Como num grande aeroporto, a segurança nas manobras depende muito do trabalho dos homens da torre de controle: “Nós temos que ficar atentos o tempo inteiro ao posicionamento do pessoal e com a retirada das aeronaves da pista, de modo a não atrapalhar as outras que vão pousar”, explica o subchefe do departamento Mário Jorge Cardoso. 
    Durante o treinamento, foram usados os 23 caças AF-1 Falcão, de fabricação americana, comprados do Kuwait pela Marinha brasileira. 
    O momento mais delicado na operação de um navio como o São Paulo é o pouso dos aviões. Os caças, carregados de combustível, transportam armamentos e chegam a 250 km/h. Só que a pista é muito pequena. Por isso, cabos de aço ajudam a segurar as aeronaves, que pesam sete toneladas: “Na verdade não é um pouso. Ele tem que acertar a área dos aparelhos de parada. Ele arria o gancho e, ao tocar do convés, desenvolve toda a potência, porque se não pescar um desses cabos, ele tem força suficiente para levantar vôo outra vez. É um momento muito crítico”, afirma o comandante do navio. 
    A decolagem é mais fácil, mas não menos perigosa. Um mecanismo ajuda o avião a levantar vôo: a catapulta lança os caças a 220 km/h, numa pista de apenas 50 metros. 
    O São Paulo estava em atividade na Marinha francesa há quase 40 anos. De acordo com as previsões, ainda tem 20 anos de vida útil. Uma geração inteira de pilotos brasileiros está apenas começando a aprender os segredos dessa máquina de guerra.  

Matéria extraída do Fantástico

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