O Médio Oriente e a cobiça do Ocidente.
Como europeus nos manifestamos, como portugueses nos manifestamos. Mas acima de tudo como seres humanos, e por isso além de qualquer nacionalidade. No entanto é necessário lembrar o passado, ou o que os historiadores entenderam registar como representação abstracta da realidade. É necessário lembrar que há algum tempo atrás, os povos europeus decidiram invadir o Médio Oriente, levando a verdade da cruz, a verdade do sangue derramado, em nome de Cristo. Será no entanto impossível compreender exactamente o que moveu esses homens, o que despertou o seu ódio ou cobiça, é no entanto ridículo afirmar que a “guerra santa” se deu por amor a cristo ou à cristandade. Hoje será evidentemente mais fácil compreender e registar a realidade, pela quantidade e eficiência dos intrumentos de informação. É óbvio que existem interesses económicos no médio oriente por parte de todo o mundo, especialmente do mundo ocidental, estando na frente dessa cobiça o capitalismo anglo-saxónico, encabeçados pelo governo norte-americano. É também óbvio que todo o mundo anseia por uma fatia desse bolo do Médio Oriente, um bolo recheado de petróleo. E presentemente a faca avança para golpear mais uma vez o Médio Oriente, e para o seccionar em fatias prontas para o consumo do ocidente, o resto do mundo ficará com as migalhas. Esta situação é demasiadamente bem conhecida por todos e será fácil estabelecer uma ponte entre as cruzadas medievais e estas cruzadas modernas, elas são o símbolo da cobiça do ocidente pelo oriente. A guerra é portanto inevitável, enquanto existir esse desejo de cobiça, pois não se trata sequer de um desejo de poder. O desejo de Poder é uma vontade superior, uma vontade de subjugação de algo mais fraco por algo mais forte, no entanto o desejo moderno é um desejo de cobiça, de conspurcação dos povos, uma espécie de vírus que corrompe, que rouba a esses povos tudo o que ainda lhes resta de nobre. Reclamamos a vontade de Poder, e um desejo de nobreza, queremos que a nobreza se sobreponha a esse vírus do capitalismo. Não uma nobreza da cobiça, mas sim uma nobreza do desejo. É necessário a destruição de tudo o que é baixo e superficial, nem que para isso se pague com a vida, se a guerra for o meio para isso, que venha a guerra, e que surjam então guerreiros nobres.
Vasco Castilho (membro do núcleo miliciano do Norte) Janeiro de 2003