Já dizia o Mestre Pastinha, "Capoeira Angola é, antes de tudo, luta e luta violenta.
" É importante que esse aspecto seja ressaltado, já que o consenso atual entre os leigos e as pessoas que a praticam de forma equivocada, é considerar a Capoeira uma forma de esporte ou simplesmente folclore para turista ver.
É claro que entre os praticantes sérios, em seus treinos, os golpes são apenas simulados e a Capoeira torna-se um exercício físico e mental. A violência dos seus golpes, no entanto, não deixa espaço para meio termo; ou joga-se Capoeira 'para valer', com as suas sérias conseqüências ou apenas simula-se um jogo.
A possibilidade de enquadrá-la em regras esportivas é inexistente; quem assim o faz está sendo leviano ou não conhece de fato a Capoeira. A Capoeira Angola tem um número relativamente
pequeno de golpes que podem, no entanto, atingir uma harmoniosa complexidade através de suas variações.
Assim como a música tem apenas sete notas e um mestre como Villa Lobos as desdobram em Bachianas. Os seus principais golpes são: Cabeçada, Rasteira, Rabo de Arraia, Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de Mão. "Capoeira é um diálogo de corpos, eu venço quando o meu parceiro não tem mais respostas para as minhas perguntas" - Mestre Moraes.
O jogo da Capoeira na forma amistosa, ou seja, na roda é verdadeiramente um diálogo de corpos. Dois capoeiristas se benzem ao pé do Berimbau e iniciam um lento balé de perguntas e respostas corporais, até que um terceiro 'compre o jogo' e assim desenvolve-se sucessivamente até que todos entrem na roda.
Elemento básico da Capoeira Angola, a malícia ou mandinga a torna ainda mais perigosa. Essa malandragem que faz que vai e não vai, retira-se e volta rapidamente; essa ginga de corpo que engana o adversário, faz o diferencial da Capoeira em relação às outras artes marciais.
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