1. Informações Gerais

 


1. Informações Gerais

O Prof. Jaime Amaya Farfan do Depto. de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas, está se empenhado numa campanha de divulgação de dois grãos altamente nutritivos que podem ser de utilidade para o celíaco: a
quinoa (Chenopodium quinoa WILLD.) e o amaranto (Amaranthus spp.), os dois sendo grãos não conhecidos no Brasil, precisam ser produzidos sob encomenda.

As propriedades nutricionais da quinoa e o amaranto são reconhecidas desde há muito tempo em vários países, exceto no Brasil, por não serem estas sementes oriundas destas regiões ou cultivadas no nosso meio. A quinoa foi descoberta nos altos Andes sulamericanos e tem sido base alimentar de subsistência das comunidades nativas dessas regiões. Desde a época da
conquista pela Espanha, os imigrantes ignoraram e, até reprimiram, a difusão da cultura da quinoa e sua utilização como alimento. Os governos, influenciados pela visão econômica dos grandes países exportadores de trigo, optaram por menosprezá-la. Hoje, países europeus, EUA e o Japão apreciam e importam a quinoa devido a suas propriedades nutricionais acima do comum. Os programas de treinamento da NASA incluem a quinoa na alimentação dos candidatos a astronautas.

Estamos visando a difusão do conhecimento destas duas fontes alimentares entre a população celíaca, brasileira. Além de se apresentarem como alimentos bastante completos, as proteínas destes dois grãos são totalmente isentas de glúten e, portanto, totalmente seguras para pessoas reativas ao glúten. Deve ser lembrado que, no celíaco, a condição recorrente é a presença de um epitélio intestinal erosionado e atrofiado, com deficiência digestiva, baixa capacidade absortiva de nutrientes, alta taxa de admissão de substâncias indesejáveis para o organismo, tudo conduzindo a um quadro constante de balanço nutricional negativo e elevada probabilidade de patologias de origem intestinal. Tal situação justifica duplamente a escolha de produtos alimentícios de origem vegetal que sejam altamente nutritivos.

O Centro de Pesquisa da EMBRAPA-Cerrados, mediante programa de vários anos de trabalho, adaptou espécies de quinoa e amaranto aos solos brasileiros.

Espera-se então que, num futuro muito próximo, o Brasil possa oferecer ao consumidor e, em quantidades suficientes, estes dois novos produtos agrícolas. Sementes de quinoa (cultivar "Piabiru") e amaranto (cultivar "Alegria") já podem ser adquiridos da EMBRAPA por agricultores para produção comercial. Os grãos (parecidos com um sorgo diminuto) podem ser
consumidos in natura, na forma de sopas, biscoitos, mingaus, ou industrializado sob várias formas, como macarrão ou pão. Para outras informações, favor consultar a página da EMBRAPA www.embrapa.br
.

O que se espera, é que o consumidor e o industrial sejam informados e educados, criando-se um mercado para este novo tipo de alimento. É impossível prever o preço num início, mas, dependendo do volume de demanda, os preços deverão cair para valores muito competitivos com o feijão ou a soja, mas não tanto como o milho ou arroz. Entretanto, seu valor nutritivo
seria equivalente ao das melhores misturas de milho e soja ou arroz e feijão, tendo a vantagem de que a lavoura é só uma é resistente à seca.

Prof. Jaime Amaya Farfan

Depto. de Alimentos & Nutrição
Faculdade de Engenharia de Alimentos
Universidade Estadual de Campinas
CP 6121, Cidade Universitária "Zeferino Vaz"
13.083-970 Campinas, SP, Brasil


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