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DERIVA Era um s�bado. Como outro qualquer. Com os mesmos mist�rios, as mesmas certezas. Era um s�bado de tamborins cansados, que ainda repicavam na avenida, no resqu�cio de uma semana de sonhos. Acordar era preciso, mas a luz do dia tardava com seu brilho inocente. Era um s�bado sem ventos. Minha nau errava pelo oceano dos tr�picos, sem �ncora nem tripula��o. Meus gestos, minha s�labas e fonemas n�o eram mais poemas. Eram cenas. Era um s�bado. Sem far�is e len��is. Indeciso sobre si mesmo, mas que intu�a. E � flor da pele, sentia a mudan�a das mar�s. Era um s�bado quando avistei tuas terras em ilhas cintilantes. E em meio aos confetes, vi teu sorriso revelando as rotas por onde eu nunca navegara. Teus olhos eram b�ssolas precisas. Tinham paz, n�o mentiam. E apontavam um porto iluminado e seguro. Era um s�bado, quando ouvi tua voz. Podia aprisionar os deuses da d�vida e a tristeza dos que n�o navegam pelas estrelas. Falava por mim. Era um s�bado quando percebi teus sinais e ancorei. Mas nada sei, do futuro. Os n�ufragos sempre amar�o quem os salvam. Era um s�bado, quando amei... |
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Paulo Garcia/Psic�logo (RJ) do livro "Das Tripas, Emo��o" gentilmente enviada em 15.04.99 |
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