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ENTREVISTA REALIZADA COM GILSON KINDERMANN FNAFARRA E BANDA MARCIAL COLÉGIO SALOTTI SÃO PAULO/SP
1ª) Quando e como conheceu o meio de bandas? e quando iniciou fazia o que?
Eu iniciei em uma escola estadual chamada Eusébio de Paula Marcondes ( antigo Grupo Escolar Ginásio de Vila Sabará , na região de Interlagos – São Paulo – SP , onde essa escola possuía uma fanfarra mantida pelo atual dono do Colégio Paralelo , naquela época essa fanfarra com um pisto já era campeã nacional, titulo conquistado através dos concursos patrocinados pela rádio e TV Record – SP na década de 70, eu não gostava do meio , pois achava tudo isso muito chato e tinha coisas melhores para fazer, mas meus amigos me convidaram para assistir um ensaio e me apaixonei por um instrumento de percussão chamado “ atabaque “ , conversei com o mantenedor da corporação e ele permitiu que eu tocasse, pois naquela época era incomum rapazes tocarem esse instrumento , então como eu sempre fui ousado foi meu início, ultrapassando obstáculos preconceituosos, que não levaram a nada só a minha felicidade.
2ª) Conte um pouco da Sua história até chegar a coreografia?
Toquei instrumentos de percussão durante muito tempo, e durante esse tempo o mantenedor dessa corporação musical contratou uma pessoa para tomar conta da linha de frente, eu sempre assistia a Parada das Rosas em Passadena Estados Unidos da América e pedi para essa pessoa que tomava conta da linha de frente para colocar alguém a frente de nossa corporação fazendo movimentos de comando e movimentos rítmicos como os americanos faziam, ao mesmo tempo dava algumas dicas de coreografias que eu criava em, foi quando enfrentando preconceitos e duras palavras tive a autorização do maestro da corporação para atuar a frente do corpo musical como o antigo MOR da cidade de Marília – SP atuava na década de 60 , então da década de 70 em diante eu fui o primeiro MOR , criei a estrela de seis pontas para a coreografia da linha de frente e ajudei a corporação a obter o 1º lugar na cidade de Itaquaquecetuba – SP.
Nessa época a corporação estava descontente com a pessoa que o mantenedor tinha colocado para coreografar então, perceberam minha criatividade e empenho e exigiram do mantenedor que me colocasse como coreógrafo, nada muito profissional, sem remuneração, mas de coração, como tudo em minha vida, mais emoção do que razão, enfim hoje estou de volta.
3ª) Quando iniciou como coreógrafo e Mor e como foi?
Iniciei em 1982 no Concurso dos Campeões do Ginásio do Corinthians Paulista, um grande concurso onde o mantenedor da escola me fez uma surpresa me intitulando como coreógrafo da corporação através do microfone do clube, foi uma grande emoção, e como mor foi antes, um grande amigo chamado “ Julian Ruiz Julian “ que na época era mor do Colégio Bilac e participava como componente da linha de frente da corporação em que eu atuava, eu outros componentes da corporação o indicamos para ser o mor também desta corporação, mas por preconceitos não o deixaram assumir como mor e ele acabou saindo desta corporação, ficando atuando ainda durante muito tempo como mor do colégio Bilac, e posteriormente substituído por um outro grande concorrente “ Sergio Herera “ ( já falecido). E com isso eu que já conhecia todos os movimentos utilizados pelos mores americanos assumi o posto de mor.
4ª). Como sabemos vc foi o precursor das coreografias nas bandas, o que te fez iniciar este trabalho diferenciado na época? Conte um pouco sobre estes trabalhos? como foi o início até conquistar o meio, e as dificuldades que enfrentou.
Não fui o precursor, antes de mim houveram outras pessoas que iniciaram esse trabalho como por exemplo a Banda Musical Ateneu Santista que iniciou inclusive com as coreografias no corpo musical. E no corpo coreográfico o inicio também foi no litoral paulista, e a coreógrafa em que eu me inspirei foi a Sra. Regina Lopes de Almeida esposa do Sr. Waldemar de Almeida Filho ( Mazinho) ela coreógrafa ele maestro da Banda Musical da Companhia Siderúrgica Paulista ( COSIPA) e foi amor a primeira vista, eu sempre quis ter uma linha de frente como a da COSIPA , hoje eu e Regina somos amigos e no meu novo trabalho o estilo de marcha na ponta dos pés sem apoio no calcanhar é inspirado por ela , para “mim” a primeira e original , quando iniciei vi essa corporação e em conjunto com amigos pedimos ao mantenedor da corporação se poderíamos movimentar a linha de frente e ele autorizou, isso em 1981 criei a estrela de seis pontas que foi apresentada no concurso da cidade de Itaquaquecetuba como sendo a primeira linha de frente paulista movimentada, conquistamos o primeiro lugar da categoria e geral , as dificuldades não foram muitas na parte coreográfica , existiram mais na área de mor , dificuldades essas que ainda perduram “25” anos depois , desmentindo pessoas que dizem que o passado não move o presente, pois se isso fosse verdade todo e qualquer tipo de preconceito contra o mor e contra o ser humano já teria sido banido do planeta, mas a evolução caminha a passos de formiga e não é diferente no meio de bandas.
5ª) Quais eram seus principais concorrentes na época?
Meus principais concorrentes na época de fanfarra com um pisto foram: Col. Nações Unidas, Fameb ( Fanfarra Manoel Euclides de Brito ), Otto Weiszflog , fanfarra de Mairiporã e SEDERTE de Osasco e como Banda Marcial , Colégio Jardim São Paulo, Colégio Bilac, Isabel de Espanha , Itaquaquecetuba e outras, esses grupos hoje estão miscigenados em outras corporações, velhos grupos com novos nomes.
6ª) O colégio Paralelo foi a primeira escola na sua carreira de coreógrafo? existiram outras? pode Cita-las.
Como coreógrafo sim , mas como instrumentista não houve uma antes , já mencionei anteriormente fanfarra com um pisto sênior Eusébio de Paula Marcondes, depois houveram outras, Conde Pereira Carneiro , Águias Negras e atualmente Alberto Salotti.
7ª). Qual a técnica utilizada por vc na montagem de suas coreografias?
Márcia, todas as minhas coreografias são para ser vista do auto, Os desenhos coreográficos são muito simétricos, assim como as coreografias, inclusive em meu site estou até informando sobre técnicas, mas posso dizer que durante um concurso se o jurado decidir avaliar meu trabalho sentado ou apenas de um único ponto visual, ele não fará uma boa avaliação.
8ª). Que tipo de aprendizado vc teve para fazer estes trabalhos?
O meu aprendizado foi só, sou autodidata, aprendi com filmes de musicais, shows de patinação, shows de dança, peças teatrais, ballets, abertura de programas de televisão, espetáculos circenses, paradas americanas de vários tipos de bandas etc, ainda hoje tudo que me atrai através de movimentações solo ou em grupo eu assisto e adapto para o meio de bandas como uma forma de evolução, apesar de estarmos sendo tão limitados por regulamentos. Fica aqui o meu conselho para os novos coreógrafos “ o mundo é grande e ilimitado “ .
9ª). Quais os principais titulos que conquistou com suas linhas de frente e Mor, e qual(is) na sua opinião foram os mais emocionantes e deram maior prazer? e o que te fez abandonar por alguns anos o meio de bandas.
Todos os títulos conquistados pelos nossos grupos foram para mim muito importantes, mas houveram alguns que se destacaram como por exemplo Concurso dos Campeões de 1982, 83 e 84, Caieiras 1984, Bragança Paulista 1986, Catanduva 1989 e outros.
Márcia é até uma piada o que vou dizer, mas desde quando comecei como mor nunca recebi um troféu ou uma colocação como mor, talvez o meu desempenho não agrade. Com relação ao meu sumiço , Bem é uma história longa e resumirei, mas acho que fui um dos primeiros a reconhecer na década de 90 a depressão e síndrome do pânico, me afastei de tudo e de todos principalmente para não prejudicar ninguém, foi difícil fiquei internado, me separei de meus amigos e familiares e abandonei o meio de bandas que amava tanto ( e amo ainda ). Hoje estou saudável novamente e pronto para competir, acredito que recomeçamos bem.
10ª). Como voce vê os componentes e coreografos de hoje? vc acredita que os coreógrafos e alunos possam se profissionalizar?
Limitados Márcia, os regulamentos são voltados para alguns apenas, mas o problema não é do coreógrafo e sim do jurado, se o jurado for muito capacitado, o coreógrafo será avaliado com seu grupo direcionado dentro do que é evolução, é irônico que na Europa e na América do Norte chegaram a um grau de evolução tão grande e o Brasil em menos de uma década estagnamos e até mesmo involuimos. Antigamente os alunos de linha de frente aprendiam interpretação, dança que davam a ele um degrau para um dia se profissionalizar, hoje o “ o estilo imposto “ só leva o aluno fora do mercado de trabalho. Então digo disciplina sim, limites de criatividade não.
11ª) Atualmente com seu retorno ao meio de bandas como coreógrafo, o que espera? quais são seus anseios perante seus alunos e seus particulares?
Espero resgatar minha felicidade perdida com a doença que tive, criar novas amizades voltar a ensinar o b + a = ba e poder deixar novos componentes de linha de frente sentirem a felicidade de serem campeões, e poder a me vincular a instituições idôneas como as que já pertenci e participo, em prol da evolução e aprimoramento do ser humano, longe dos vícios e outros problemas sociais.
12ª) Com um grante tempo de fora das bandas, como acha que estão as bandas hoje? Afinal de fora sempre podemos ver as deficiencias que não enchergamos quando estamos fazendo um trabalho.
Não querendo ser repetitivo, as linhas de frente em comparação com outros lugares do mundo estão engatinhando, parece que o tempo parou a monotonia e a repetitividade fez se perder o que as linhas de frente tinham de mais belo, o brilho e a criatividade, com relação às bandas ( corpo musical ) a duras penas estão sobrevivendo evoluindo com muito trabalho, em um site e outro você ouve falar de bandas e fanfarras que fecham suas portas, isso dentre outras situações que ficamos sabendo é vergonhoso para a cultura de nosso país.
13ª) O que acha deste novo movimento da WAMSB no Brasil? a Internacionalização das bandas.
Dois pontos de vista, o primeiro é bom apesar de ter que vir uma instituição de fora para resgatar o que já estava sendo feito por muitas corporações musicais e suas respectivas linhas de frente na década de 80, e é ruim pois a falta de cultura de nosso país pode fazer a nossa tradição de bandas e fanfarras ser esquecida, mas mesmo assim a evolução sempre vem, independente de limitações a evolução é algo natural do ser humano.
14ª) Na sua Opinião, quais são os seus maiores concorrentes atualmente?
Os meus maiores concorrentes são a ignorância, o preconceito, a falta de dialogo a rivalidade pessoal, a desunião do meio, etc coisas que no século XXI , já não deveriam existir , não acredito que nos dias de hoje ainda existam pessoas preocupadas com a idade das pessoas que atuam em corporações “ seniors “ . Pois é eu tenho 40 anos de idade e pretendo desfilar enquanto puder.
15ª) Que estilo pretende colocar em avenida?
O mesmo de sempre o estilo de vencer o concurso através do público, pois é para ele “ o público “ que uma corporação musical e coreográfica se apresenta e é ele que nos avalia e premia com seus aplausos e elogios, a voz do público é a voz de Deus.
16ª) Como é o seu trabalho com o Vanderlei e qual a proposta?
O Vanderley é uma pessoa maravilhosa quando, precisei de alguém para me substituir no Colégio Paralelo ele foi o indicado, pelo tempo , pela experiência e a responsabilidade que continuou a demonstrar até hoje, minha escolha não foi errada, aluno exemplar dedicado e hoje me sinto lisonjeado em participar junto com ele novamente na corporação musical Alberto Salotti, junto ao nosso maestro Roberto Vigiani Junior e a nossa proposta é continuarmos a competir bem, agradando o público , afinal nos três viemos da mesma corporação, agradecendo também à Jefferson Marcelo Leal Pereira por ter cedido sua posição de mor da Banda Marcial Prof. Alberto Salotti evidenciando assim que a união e as amizades verdadeiras ultrapassam todos os tempos e todos os limites.
17ª) Enfim, é bom telo novamente no meio de bandas que acredito irá ganhar muito com a sua criatividade e garra, como está sendo voltar? Como está sendo estar novamente com seus grandes amigos?
Muito obrigado Márcia, estou muito feliz, é bom ser reconhecido pelo trabalho que fiz no passado, não que eu viva no passado como alguns dizem , o trabalho realizado com o Vanderley no Salotti deixa bem claro que temos muitas novidades, aliás o trabalho do passado é bom pois muitos ainda utilizam muitas idéias, e por isso o voltar está sendo compensador. Essa sua oportunidade de me deixar expressar é muito boa e também não esqueço de toda sua trajetória desde que você era uma guarda de honra em meu pelotão de bandeiras, hoje é uma honra eu ser entrevistado por uma mulher tão batalhadora e conquistadora como você alem de uma grande amiga. Um grande beijo e conte comigo sempre, os amigos são um oásis de luz em nosso caminho, onde podemos compartilhar os bons e inesquecíveis momentos de nossas vidas.