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CARTA � MUSA
Net 7 Mares

N�o te irrites, musa amada,
Se estanco a ti meus versos,
Ou se os mando t�o dispersos,
Que te deixo acabrunhada;


Nem penses que j� te esque�o,
Por parecer arredio,
Ou que em ti j� n�o confio,
E teu amor n�o mere�o.


Se, de ti, ando afastado,
� que tenho raz�o forte
Que envolve vida e morte,
Me mantendo atarefado.


N�o falo da morte � toa
Que acomete os de m� sorte;
Eu falo � de outra morte:
Daquela que n'alma ecoa


Em poemas indigentes,
Dos poetas da indol�ncia,
Onde, em versos sem cad�ncia,
Rima e metro est�o ausentes.


E, sem esses componentes,
A alma vai sufocando
E, sem voz, vai definhando
Nas letras inconseq�entes


De gente "nariz pra cima",
Que se mete a poeta,
Mas que escreve e n�o completa
Nem sequer um par de rimas.


� gente que desconhece
Que'alma vive de poemas
Bem rimados nos fonemas,
Onde a emo��o floresce.


Ou gente fazendo gra�a
Para amizades reles,
Exibindo, em URLs,
A poesia em desgra�a.


Contra isso luto e clamo
E, aqui, vou pelejando,
Ainda que me afastando
Da musa que tanto amo;


Pois que a alma, assim, ferida
Pela poesia torta,
Morre e, enfim, estando morta,
N�o h� musa em minha vida.
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