Thomas Merton, sobrevivente das “tsunamis” de seu tempo

 A historia não costuma adequar-se à conveniência das pessoas que gostam de separá-las em períodos estanques, mas há momentos em que parece apiedar-se delas. O período que vai de 1914 a 1968 constituiu o cerne do século XX, coincidindo com a trajetória de vida de Thomas Merton, aclamado como um dos maiores e influentes escritores espirituais desta “era de extremos”.

Se, fisicamente, ainda estivesse entre nós, Thomas Merton teria completado, no ultimo dia 31 de janeiro, 90 anos de idade. Ele nasceu seis meses após ter estourado o primeiro conflito mundial. O seu tempo fora marcado por gigantescas catástrofes, e por que não dizer, “tsunamis” não naturais, tais como as duas grandes guerras, as ondas de revolução global, em que o sistema político e econômico da URSS vinha surgindo como alternativa frente ao capitalismo, e a virulência da crise  econômica de 1929. Também nesse período os fascismos e os descréditos das democracias liberais surgiram como proposta mundial. Por outro lado, as décadas de 50 e 60 foram os anos dourados daquele século. Em sua paz congelada, viram a viabilização e a estabilização do capitalismo, responsável pela promoção de uma extraordinária expansão econômica e profundas transformações sociais.

Sem duvida, no século de Merton, mataram-se mais seres humanos do que em qualquer outra época e nele se chegou a níveis  de bem-estar  e a transformações jamais vistas na experiência humana (os transplantes de coração e a chegada do homem à lua, por exemplo).

Antes de sua morte, em 1968, Thomas Merton testemunhou a culminância de um movimento de contra-cultura promovido por jovens em diversas partes do mundo ocidental. Basicamente, os jovens questionavam a repressão, os estreitos limites comportamentais, a reprodução de um modo de vida tradicional. Esse movimento ganhou contornos de uma revolução cujo alcance é difícil de se avaliar.

Nesse contexto, Thomas Merton, existencialmente, viveu durante 54 anos. Breves anos, mas vividos de forma consciente. Como poucos, leu e interpretou o mundo à luz do seu tempo, oferecendo as gerações contemporâneas e sucessíveis, uma produção de valor inestimável. No mundo em que estamos constituído, tão carente de orientação básica, pode-se na interação com suas reflexões, escalar a montanha de quantos forem os patamares e ascender à verdade que liberta, redime e salva.

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