PRÍNCIPE DE ASTÚRIAS

Este é considerado o pior acidente ocorrido em costas brasileiras.

O PRÍNCIPE DE ASTÚRIAS foi construído nos estaleiros da Russel & Company, em Glasgow na Escócia. Foi lançado ao mar em 30 de Abril de 1914. Pertencia à empresa de navegação espanhola Pinillos, Izquierdo y Compañia. Tinha cerca de 150 metros de comprimento, 19 metros de boca, 13 metros de pontal e um deslocamento de 17000 toneladas.

Príncipe de Astúrias

Foto cedida por Marcello De Ferrari

Fazia a rota Madri - Buenos Aires, quando na madrugada do dia 6 de Março de 1916 chocou-se contra as pedras da Ponta da Pirabura em Ilhabela/SP. Cerca de tres minutos após a colisão, suas caldeiras explodiram e cinco minutos depois do primeiro impacto, o navio afundou. Sua carga era composta de 4500 toneladas de cobre, 800 toneladas de chumbo, 1700 toneladas de estanho, estátuas de bronze para o monumento ao General San Martin que fica no bairro Palermo em Buenos Aires, além de seus objetos caríssimos de prata e porcelana, usados para atender os passageiros.

O vapor francês VEGA e o navio PRÍNCIPE DE SATRUSTEGUI tentaram prestar auxílio. O comandante deste último relatou : "Às 21:02 horas, estava a 17 milhas do porto de Santos, quando recebi um radiograma de Mont Serrat, em que o agente de meu vapor em Santos me noticiava o naufrágio do Príncipe de Astúrias, ocorrido as 5 horas da manhã do corrente, nas proximidades da Ponta do Boi. Imediatamente governei a E em demanda daquele ponto, cujo meridiano voltei a cruzar a uma milha de 6, naveguei pela costa, desde a Ponta da Pedra Dura até a Enseada do Pirassubu, o segundo desde esta ponta até o local denominado Chave. Vendo mais tarde dois cadáveres, mandei arriar o bote número 1, no qual o recolhi, trazendo a bordo. Em seguida fiz vasculhar toda a região onde havia acontecido a submersão, alargando a área de reconhecimento da Baía do Sombrio até as costas da Ilha Vitória. Sem nada encontrar, retornei para o Sul em demanda dos botes, embarcando os dois cadáveres de mulheres que tinham à bordo do bote número 1..."

Foram encontrados cerca de 477 corpos que se espalharam pela Baía de Castelhanos em Ilhabela. A Praia da Caveira, como é conhecida em Ilhabela, recebeu este nome por causa deste fato.

Hoje, o PRÍNCIPE DE ASTÚRIAS está a uma profundidade que varia dos 15 aos 40 metros na Ponta da Pirabura.

Algumas fontes ainda citam :

Abaixo são mostradas algumas fotos com objetos retirados do naufrágio do Príncipe de Astúrias, que hoje se encontram no museu Fundamar em São Sebastião/SP.

Bandeja e tijela de prata.

Travessa de prata.

Talheres de prata.

Telefone, torneira e no canto superior direito um chuveiro de porcelana.

Garrafa de cristal e caneca usada para barbear. Apesar de não aparecer na foto, na garrafa está marcado o logotipo da armadora.

Fontes de pesquisa :
* Revista SCUBA ano V número 38
* Revista SCUBA ano IV número 28
* Museu Fundamar em São Sebastião/SP
* Sr Marcello de Ferrari
* Catálogo de naufrágios e afundamentos do autor José Goes de Araujo
* Livro Sinistros Marítimos Costa de São Paulo 1900-1999 do autor José Carlos Rossini

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