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O século das luzes havia passado. Os Iluministas cumpriram as tarefas esperadas á evolução da humanidade ao lançarem as bases das conquistas sociais, do pensamento e da liberdade. O novo mundo começa a proclamar a independência e, as idéias que fizeram organizar as novas nações, fariam também todo o resto do mundo se movimentarem em sucessivos progressos. Nasce então o século XIX e junto, renascem os espíritos que fariam deste período o século da razão. Na Europa as grandes mudanças políticas e sociais, culturais e científicas provocavam incessantes transformações nos seres humanos, particularmente no âmbito das manifestações filosóficas e religiosas, novos questionamentos são feitos acerca da necessidade da crença em Deus e da religião como parte da vida social das pessoas. Surge o catolicismo social, movimento criado por Lamennais com base em um ideal de caridade e justiça. Nesse período histórico, teólogos e intelectuais protestantes promovem um reexame dos textos bíblicos e dão início as teorias sobre a salvação dos homens pela fé. Em meio a tantas transformações entre as pessoas, Allan Kardec, o grande e devotado cientista, observador nato, espírito sério e benevolente trabalha na elaboração da Doutrina Espírita. Jesus, em sua magnânima bondade lança sobre o planeta, através dos espíritos missionários, o programa de esclarecimento á razão de sermos imortais e da necessidade de estarmos constantemente evoluindo. A humanidade recebe das mãos de Kardec, em 1857 a obra: O livro dos Espíritos. Revela-se então a doutrina do amor; onde, além do teor filosófico e científico, o Espiritismo é marcado por conceitos fieis ao Cristo nos dando a noção do verdadeiro caráter de religiosidade. Kardec identifica no Espiritismo um tríplice aspecto: a) Científico: Uma nova ciência revela aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações como o mundo corpóreo. Como toda ciência, o Espiritismo formou-se baseado em estudos, experiências comparativas e observações sucessivas, apoiadas em observações precedentes, como em um ponto conhecido, para chegar ao desconhecido. A ciência Espírita, utilizando do método analítico ou indutivo, observa e examina os fenômenos mediúnicos, faz experiências e comprova-os. b) Filosófico: Quando o homem pergunta, interroga, cogita, quer saber o como e o porquê das coisas, dos fatos, dos acontecimentos, nasce a filosofia, que mostra o que são as coisas e porque são as coisas o que são. O caráter filosófico do Espiritismo está, portanto, no estudo que faz do homem, sobretudo espírito, de seus problemas, de sua origem, de sua destinação. Definindo as responsabilidades do espírito quando encarnado e também do desencarnado, o Espiritismo é filosofia, uma regra moral de vida e comportamento para os seres da criação, dotados de sentimento, razão e consciência. c) Religioso: O Espiritismo [diz Allan Kardec] é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas, não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote. O laço estabelecido por uma religião, seja qual for seu objetivo, é um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, as aspirações, e não somente o fato de compromissos materiais, que se rompem à vontade, ou da realização de fórmulas que falam mais aos olhos do que ao espírito. No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos glorificamos por isto, porque é a doutrina que funda os elos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as mesmas leis da natureza. Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado como um triângulo de forças espirituais. A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu. A MEDIUNIDADE Daí gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido, diz Jesus a seus discípulos. Se a Doutrina Espírita vem esclarecer os homens sobre a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo, a mediunidade é a luz derramada por Jesus sobre nós para que possamos enriquecer os valores do espírito, pautado nos princípios evangélicos. Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica, de que qualquer homem pode ser dotado, como da de ver, de ouvir, de falar. A mediunidade é conferida sem distinção, a fim de que os Espíritos possam trazer a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos retos, para os fortificar no bem, aos viciosos para corrigir. A mediunidade não implica necessariamente relações habituais com os Espíritos superiores. É apenas uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dúctil aos Espíritos, em geral. Emmanuel nos diz: mediunidade é talento do céu, para o serviço de renovação do mundo. Lâmpada, que nos cabe acender, aproveitando o óleo da humildade, é indispensável nutrir com ela a sublime luz do amor, a irradiar-se em caridade e compreensão, para todos os que nos cercam. O médium, assim, é o ser, é o indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens: Espíritos encarnados. A missão mediúnica, se tem os seus percalços e as suas lutas dolorosas, é uma das mais belas oportunidades de progresso e de redenção concedidas por Deus aos seus filhos misérrimos. Aí
está, portanto, um convite a todos nós, homens de boa vontade,
a estudar o consolador prometido por Jesus e fazer de nossa
chama de luz, um humilde mas sincero sol de amor; espalhando
seus raios em todas as direções. Leia
também os textos:
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