"A ternura emerge do próprio ato de existir no mundo com os outros.
Não existimos, co-existimos, con-vivemos e co-mungamos com as realidades mais imediatas.
Sentimos nossa ligação fundamental como a totalidade do mundo.
Esse sentimento é mais do que uma moção psicológica, é um modo de ser existencial que perpassa todo o ser.
A concentração no sentimento gera o sentimentalismo.
O sentimentalismo é um produto da subjetividade mal integrada.
É o sujeito que se dobra sobre si mesmo e celebra suas sensações.
Ao contrário, a ternura irrompe quando o sujeito se descentra de si mesmo, sai na direção do outro, sente o outro como outro, participa de sua existência, deixa-se tocar pela sua história de vida.
O outro marca o sujeito. Este demora-se no outro não pelas sensações que lhe produz, mas por amor, pelo apreço de sua diferença e pela valorização de sua vida e luta."
Leonardo Boff, do livro Saber Cuidar
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