"Hoje, a busca da felicidade é uma "acne" que nos traumatiza e que estamos tratando com remédios errados.
A felicidade - infeliz tradução humana de plenitude - virou o mais cínico engabelador da História.
Deitamo-nos sonhando com ela e acordamos desejando-a.
A felicidade é arrematada em leilão. Oferecem-na ao vivo ou enlatada. Vende-se a prazo, com juros baixos ou em cômodas prestações.
É recomendada a você por correspondência, em cursos intensivos ou de porta em porta.
É incluída em roteiros de viagens planejadas. Tem sabor de aventura.
Você pode achá-la numa arca da acaju ou com vista para o mar.
Ela se disfarça de político com criança no colo, heroína, salvação eterna e capa de revista.
É cantada em campanhas eleitorais, púlpitos e planos de aposentadoria.
E o ser humano - incauto - entra (entramos) na fila nos guichês da beleza, do dinheiro, do triunfo e do poder.
E quando abre o "pacote", sempre obtido "em troca de", comprova (comprovamos) com desespero que foi logrado. O pacote de suposta felicidade contém apenas uma corrente reluzente e sutil que nos prende e nos obriga a continuar a buscar e consumir. E o marketing esfrega as mãos.
A busca da felicidade tornou-se, em suma, uma calculada e diabólica fossa comum. Uma guerra santa orquestrada, em que ninguém sabe por que luta. Por que, me diga, o que é exatamente a felicidade? Na hora de defini-la, com efeito, não há consenso."
J.J. Benítez, do livro "Mágica Fé"
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