"Nada mais inspirador do que falar de amor.
Sentimento que nos invade, nos faz mais vivos e felizes.
Amar não é somente um privilégio de casais apaixonados, mas de cada um de
nós.
O amor pelo pai, pela mãe, pelo amigo, o irmão.
Cada um com suas características, nos impulsiona ao crescimento e à
amizade.
Infelizmente, muita gente tem medo de amar e acaba não se permitindo ser
feliz.
Neste mês, quero que você reflita sobre a importância de nos permitirmos
ser felizes, sentir prazer e amar.
Pergunte-se: "até que ponto eu me permito amar?".
Exercite sua capacidade de dar e receber carinho.
Experimente.
Acredite!
Amar é a sua verdadeira vocação!
AMAR e ser amado são, sem dúvida, os maiores desejos do ser humano e, por
isso mesmo, a maior causa de suas frustrações.
Muitas pessoas reclamam de seu destino, pelo fato de não terem sido
contempladas com um grande e definitivo amor.
Mas a realidade é que um grande amor é fruto de sua maneira de existir.
Amar, jogar xadrez ou cozinhar.
Qualquer atividade tem três fases, em seu processo de aprendizagem: a
primeira é a da falta de consciência.
Realizamos uma ação pelo prazer de realizá-la, sem nos importarmos com o
nosso aprimoramento.
Começamos pensando que já sabemos muito.
No caso do amor, acreditamos que já amamos bastante, que já nos entregamos.
Nem bem começamos e já nos consideramos mestres no amor.
E quanto mais alguém pensa que já sabe amar, menos ele conhece sobre o
amor.
A segunda é a fase do esforço consciente.
É a fase da aprendizagem propriamente dita, quando descobrimos que não
sabemos nada... ou quase nada.
Então, traçamos um objetivo e queremos aprender o máximo possível.
É a etapa da técnica, do treinamento metódico para atingir um determinado
fim.
No amor, é necessário desenvolver um treinamento para viver junto a alguém
(treinar diálogos sem manipulação, treinar sair para dançar, divertir-se,
treinar relações sexuais satisfatórias, treinar estar com os filhos sem
ficar pensando em sair ou dar telefonemas etc.).
A terceira fase é a da sabedoria.
É quando não existe o "eu" nem o "tu", mas a comunhão do momento; quando
não há homem nem mulher isoladamente, mas o "nós".
É o momento em que o encontro se torna o mais importante.
É a etapa que transcende as individualidades, levando-as à plenitude.
O ato de amar só pode ser desenvolvido com disciplina, humildade e coragem.
Nós já nascemos sabendo amar, mas desaprendemos essa habilidade e por isso
precisamos aprender a começar do zero todos os dias, como verdadeiros
aprendizes do amor.
É como respirar ? ninguém precisa aprender a fazê-lo.
Depois de tantas repressões, os "pulmões" do amor ficam atrofiados.
Então precisamos aprender a amar novamente.
E, para aprender a amar bem, precisamos de um trabalho cuidadoso e da
consciência do quanto amamos mal.
Muitas pessoas agem como se soubessem, perfeitamente, como se ama.
O que não deixa de ser verdade!
Esse tesouro está guardado dentro de cada um de nós; mas para alcançá-lo é
preciso, com humildade, unir disciplina e carinho, e realizar nossos atos
de amor como se conhecêssemos pouco deles.
Quando precisa desativar uma bomba, mesmo um grande perito em explosivos
age com extremo cuidado e precaução, como se nada conhecesse daquele
artefato.
Sabe que um gesto precipitado pode acabar com tudo.
Uma postura interessante para lidarmos com o assunto é a de pensar que já
sabemos alguma coisa sobre o amor, mas que o melhor será começar a aprender
de novo.
Nós aprendemos a demonstrar nossa afetividade expressando as nossas
sensações em relação aos nossos pais.
Tivemos, como modelo, a maneira com que eles expressavam o seu carinho e o
seu amor por nós.
E crescemos, muitas vezes, sem dar-nos conta de que crescemos, e de que a
pessoa amada não é mais mamãe nem papai, que foram os nossos mestres nas
primeiras lições afetivas.
Saber amar é estar atualizado com os próprios desejos, com os desejos do
parceiro e com a maneira mais adequada e especial de concretizá-los.
É estar disposto a ingressar outra vez na escola do amor, sem medo de
descobrir que, como dizia R. D. Laing, "o que pensamos é menos do que
sabemos; o que sabemos é menos do que amamos; o que amamos é muito menos do
que existe; e nesta concreta extensão, somos muito menos do que somos."
Roberto Shinyashiki
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