Tchaikovsky
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Nunca estou longe do piano, me alegra quando estou triste", disse Piotr Il'yitch Tchaikovsky, o compositor russo mais conhecido do planeta. Homossexual, sofreu com o preconceito de contempor�neos e com in�meras desilus�es amorosas. A dif�cil experi�ncia de vida foi a grande respons�vel por sua m�sica, altamente emotiva, dram�tica e carregada de sentimentos.

Tchaikovsky nasceu em 1840, na cidade russa de Votkinsk. Um dos seis filhos de uma fam�lia de classe m�dia russa, segundo suas pr�prias palavras, teve as primeiras impress�es musicais com as can��es populares cantadas pela m�e. Aos cinco anos, aprendeu a tocar piano.

Desde pequeno apresentava personalidade fr�gil e por qualquer motivo ca�a aos prantos. "Uma crian�a de vidro", sintetizou a governanta que o educou. A paix�o que nutria pela m�e talvez explique a idealiza��o da figura feminina e a recusa em ver qualquer mulher como uma amante.

Em 1850, a fam�lia decidiu que ele deveria tornar-se um advogado e o matriculou na Escola de Direito de S�o Petersburgo, onde estudou at� 1859. Neste per�odo, quando tinha 14 anos, ocorreu um dos piores epis�dios de sua vida: a morte da m�e, que desencadeou no adolescente uma profunda depress�o, seguida por fortes crises de nervos.

Ao encerrar os estudos, Tchaikovsky come�ou a trabalhar no Minist�rio da Justi�a. Ele era um p�ssimo funcion�rio e sentia-se desprezado por todos. "Fizeram de mim um funcion�rio, ademais um mau funcion�rio", dizia.

Nesta �poca, passou um longo per�odo gozando dos prazeres dos sal�es mundanos. Diversas vezes acreditou ter achado a mulher de seus sonhos, mas nunca o levavam a s�rio. Em uma carta a uma amiga, Tchaikovsky fez algumas defini��es em rela��o ao amor: "Voc� pergunta se eu conheci outro amor que n�o o plat�nico. Sim e n�o. Se a quest�o me tivesse sido colocada de outra forma: 'Voc� experimentou a felicidade de um amor completo?', minha resposta seria: n�o, n�o e n�o! Mas pergunte-me se sou capaz de compreender a for�a imensa do amor, e eu lhe direi: sim, sim e sim!".

Com pouco mais de 20 anos, mesmo "velho" para estudar m�sica, ingressou no Conservat�rio de S�o Petersburgo. L�, ele seguiu os cursos de composi��o, piano e flauta, al�m de adquirir no��es de �rg�o. Meses depois, abandonou o Minist�rio da Justi�a.

Um grande esfor�o fez com que ele progredisse rapidamente. Em 1866 foi convidado para ser professor do Conservat�rio de Moscou. Neste per�odo, comp�s as primeiras obras s�rias, em especial, a Primeira sinfonia, "Sonhos de Inverno". O trabalho quase o levou � loucura, causando-lhe angustias, alucina��es, complica��es intestinais, enxaqueca, todos os sintomas de neurastenia aguda.

"Tenho os nervos completamente em frangalhos. Minha sinfonia n�o progride. [...] Vou morrer logo, bem o sei, antes mesmo de acabar minha sinfonia. [...] Odeio a humanidade e desejo me retirar para um deserto", afirmou.

Logo depois, realizou uma s�rie de concertos internacionais e sua obra foi aclamada em diversas capitais europ�ias. Apesar do sucesso crescente, a vida solit�ria, o temperamento amargurado e a extrema timidez o mantinham sempre � beira de um colapso nervoso.

Com a esperan�a de resolver alguns de seus problemas, como a quest�o relacionada � sexualidade, contraiu um desastroso casamento --que n�o chegou sequer a se consumar. Separou-se em pouco tempo.

Ele morreu em 6 de novembro de 1893, aos 53 anos, ao contrair c�lera depois de beber um copo de �gua n�o fervido.

 

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