Gato que brincas na rua 
Como se fosse na cama, 
Invejo a sorte que é tua 
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais 
Que regem pedras e gentes, 
Que tens instintos gerais 
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim, 
Todo o nada que és é teu. 
Eu vejo-me e estou sem mim, 
Conheço-me e não sou eu.
 

(em Poesias de Fernando Pessoa)


Henri Cartier-Bresson 
(New York, 1947)

Regressar à página anterior

Hosted by www.Geocities.ws

1