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GATOS
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Os gatos e a música

A reacção dos gatos à música tem sido motivo de interpretações que tendem a dotar os gatos de especial sensibilidade (de um modo semelhante à humana) a certos sons musicais. Há exemplos citados de uma gata que lambia as mãos do dono pianista, sempre que este tocava determinadas peças.Tive um gato que fugia para o ponto mais afastado possível sempre que eu punha a tocar "O Pássaro de Fogo" de Stravinsky (.No 1º exemplo, tratava-se de os sons emitidos poderem levar a gata a "pensar" o dono em perigo, lambendo-lhe as mãos em sinal de protecção. No 2º exemplo, o gato refugiava-se por causa das notas agudas emitidas, associando estes sons a sinais de perigo.

Agora apareceram discos com música especialmente arranjada para gatos.

E há o gato de Domenico Scarlatti (1685-1757) que tinha a especial predilecção de passear por cima do teclado do cravo do compositor, detendo-se por vezes em determinada nota e esticando as orelhas até que o som cessasse. Bom! Este gato é o único exemplo de gato compositor: uma noite, o seu passeio sobre o teclado, que acordou Scarlatti, produzia uma linha melódica que o músico transcreveu para um papel que tinha à mão, tendo daí nascido a "Fuga do Gato"(K.30 ou L.499) Clique para ouvir um excerto. Há ainda o gato do poema "Cancíon novísima de los gatos" de García Lorca, que também passeava de noite no teclado, que escutava Debussy, mas não gostava de Beethoven. Este mesmo Debussy, que de acordo com o poema foi um gato filarmónico na sua vida anterior, compreendia bem a beleza do acorde felino sobre o teclado.

Compositores especialmente sensíveis a gatos: Tchaikovsky, no bailado "A Bela Adormecida"(O Gato das Botas)Clique para ouvir um excerto, Rossini a quem é atribuído o dueto para dois sopranos Duetto buffo di due gatti Clique para ouvir um excerto e Stravinsky que compôs canções para embalar gatos Clique para ouvir um excerto.Brahms, por outro lado, odiava gatos e entrava em pânico, sempre que avistava algum.

Na área de outras músicas (jazz e pop), há também compositores e instrumentistas que se inspiraram em gatos para títulos de composições, de discos e até do seu próprio nome artístico. Neste último caso, temos os exemplos do saxofonista argentino Leandro "Gato" Barbieri (compôs e interpretou o tema Clique para ouvir um excerto do filme "O último tango em Paris") e o do cantor Cat Stevens. Este, aliás, tem um dos seus melhores álbuns com o título de "Teaser and the Firecat", o qual apresenta ainda na capa uma bela ilustração (ver abaixo).  O organista de jazz Jimmy Smith tem um disco com o título "The Cat" e, ainda no campo do jazz, a cantora Karen Mantler inspirou-se no seu gato Arnold para vários trabalhos. Há ainda o álbum "The cats" de Tommy Flanagan (com John Coltrane, entre outros), assim como a composição "Cat Balou" Clique para ouvir um excerto de Nat King Cole, para o filme do mesmo nome (Mulher Felina, na versão portuguesa) . Temos também uma das melhores obras de teatro musicado,Cats , de Andrew Lloyd Weber, baseada em versos do poeta T. S. Eliot.

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(Rui L. Mendes)
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