| Uma c�mara fotogr�fica registra uma cena. Depois de alguns dias recebo do misterioso fot�grafo uma c�pia em branco e preto, que guardo depois, junto a in�meras outras fotos, sem dar muita import�ncia.
O tempo passa... Deparo-me novamente com a foto que ficou esquecida na gaveta, mas, n�o na mem�ria, e encanto-me com aquele registro. A foto esquecida, apagada, n�o mostra mais os detalhes. Apenas as silhuetas de um cen�rio comum: dois homens conversando numa cal�ada, enquanto transeuntes compenetrados em si mesmos, ziguezagueiam � procura de algo que n�o sabemos. O homem de capa preta e destacada cabeleira branca, nada mais � do que o nosso inesquec�vel professor. O outro, um prov�vel visitante das aulas, ou mesmo um certo personagem que voltava do trabalho carregando sua pasta, e que deparando com o escritor o aborda sobre algo de suas leituras. Era freq�ente este flagrante em frente o pr�dio da antiga Alvorada, � R. Conselheiro Crispiniano, 343, 4o andar. Enquanto esperava pela libera��o da porta de entrada, �s 20 horas, permanec�amos ali na cal�ada. Professor e alunos preferiam adiantar para o compromisso a se atrasar. Essa determina��o de cumprir o hor�rio fazia parte da rotina n�o s� do Mestre, mas de todos interessados em usufruir instantes de sabedoria. E o cen�rio mostra um interessado inquiridor e um sol�cito fil�sofo a responder, sempre com palavras objetivas, sem divagar em rodeios in�teis. Mas, certas quest�es exigem dele uma explica��o que podem levar um bom tempo e um detalhamento profundo. Seus alunos, no entanto sabiam: N�o precisava perguntar nada. Ele respondia com invej�vel did�tica enquanto expunha sua filosofia, nas aulas. Havia uma certa telepatia entre alunos e professor que parecia adivinhar todas as d�vidas. Lembro-me que desconhecendo esta alquimia, certa vez, logo que comecei freq�entar a Alvorada, eu, intrigada com aquele homem incomum, indaguei num momento oportuno: - Professor Rohden, o senhor tem fam�lia? Pausadamente, ele exprimiu um certo olhar de vastid�o que s� isto bastava, e disse: _ Ah!... minha fam�lia � muito grande! Com certeza ele se referia � grande fam�lia humana, pois, como diz o Hino da Alvorada, �filhos sois da ess�ncia uma, na exist�ncia sois irm�os�. |
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