Marilyn Manson é uma banda com 5 componentes que
foi criada em Fort Lauderdale, sul da Flórida em 1989, quando um jornalista com
um desgosto particular pela sociedade americana e um livrinho cheio de poemas e
anotações curiosas se juntou a também estranho talentoso guitarrista com vontade
de fazer algo novo. Os dois vinham de experiências frustrantes em jornais e
bandas locais. Seus gostos eram parecidos e eles uniram
forças.
A 1ª decisão do escritor foi mudar seu nome. Após
algum tempo de pesquisa ele inventou algo que resumia perfeitamente o que ele
queria para aquele projeto. O novo nome era emprestado de 2 grandes estrelas dos
anos 60: a glamurosa Marilyn Monroe e o obscuro Charles Manson: Marilyn Manson.
O guitarrista seguiu o exemplo e usou da mesma fórmula dos opostos criando Daisy
Berkowitz. Esta fórmula seria usada até 1996.
Em 1990 o
nome da banda era Marilyn Manson And The Spooky Kids e sua formação era: Manson
nos vocais, Berkowitz na guitarra e na programação bateria, Olivia Newton-Bundy
no baixo e Zsa Zsa Speck no teclado. Bundy e Speck foram substituídos após dois
shows por Gidget Gein e Madonna Wayne Gacy.
O 1º
lançamento do grupo foi o cassete Meat Beat Cleaver Beat Big Black Bus. Nesta
gravação, somente Manson e Berkowitz participaram, apesar Gein e Gacy já estarem
na banda. Enquanto Manson cantava, o versátil Berkowitz fazia o resto: guitarra,
baixo, teclado e programação de bateria.
Um dos seus
primeiros shows iria influenciar seriamente o futuro da banda: eles abriram para
o Nine Inch Nails. O NiN não era conhecido na época e Trent Reznor (líder da
banda) ainda não era influente nem tinha seu próprio selo, mas a amizade entre
ele e Manson durou por muitos anos. Para manter contato após o show, eles
trocavam fitas e se correspondiam.
O Spooky Kids
desapareceu do nome da banda assim que Manson reparou no promoção que poderia
fazer para sua banda com seu nome. A promoção da banda estava sendo muito
trabalhada na época, pois aqui começaram a ser vendidos camisetas e adesivos. A
influência de Manson no meio jornalístico local também ajudou muito para que
algumas músicas do cassete chegassem às rádios.
E não era
somente Manson que se preocupava com a imagem da banda. Na mesma época o show da
banda começou a ser mais teatral, algumas surpresas eram feitas a cada show, e o
visual de cada integrante estava começando a chocar algumas pessoas que iam para
o show. As surpresas podiam ser cubos de letras que escreviam "Matem Deus" ou
"Diversão Anal", sanduíches de pasta de amendoim sendo jogados na platéia,
garotas enjauladas e algumas vezes a banda punha fogo em seus instrumentos. Gacy
(que já era chamado de Pogo nesta época) ficava numa cabine chamada Pogo´s
Playhouse, onde além de tocar teclado ele brincava com bonecos. Berkowitz usava
uma peruca loira e uma saia. Tudo era válido para chamar a
atenção.
A bateria eletrônica foi substituída em 1991 por
Sara Lee Lucas. O evento foi comemorado com um jornalzinho, cheio de fotos de
desenhos antigos, como Scooby-Doo. As colaborações de Lucas para a banda eram ,
segundo o jornal, assados e percussão. A mudança fez o som da banda melhorar
tanto que eles foram indicados para o Slammies (prêmio para bandas da Flórida)
em 1992 nas categorias melhor banda alternativa e melhor banda do
ano.
Outro evento que ajudou na promoção da banda foi o
Miami Rocks, um show somente com bandas da Flórida. Uma fita foi gravada no
evento e vendida no resto do país, e não somente na Flórida como acontecia com
os outros cassetes da banda.
Tanta exposição na cena local
fez com que a banda se popularizasse entre adolescentes. Vendo o potencial de
seus novos fãs, a banda tornou o jornalzinho regular e foi criada uma linha
direta entre fãs e a banda. Em uma entrevista, Manso disse que se preocupava com
o que falava, já que isso iria influenciar seus fãs. Ele começou a ser chamado
de Papai pelos fãs.
Os cassetes foram feitos até 1992. O
último foi The Family Jam´s, que continha algumas músicas que também estariam
presentes no 1º CD da banda, Portrait Of An American Family, como Cake And
Sodomy, My Monkey, Cyclops, Dope Hat, Lunchbox e Dogma (que se chamava Strange
Same Dogma). Todas as fitas eram produzidas por Berkowitz e o projeto gráfico
era de Manson. Elas eram vendidas apenas em shows da banda e hoje são
consideradas raridades. Um exemplo é a fita Refrigerator, que tinha uma tiragem
de apenas 100 cópias.
Em 1992 a banda mudou de nome (o
Spooky Kids foi cortado), o que causou um pouco de confusão com o nome do
vocalista. No final, ele seria chamado apenas de Mr.
Manson.
No Slammies de 1993 a banda já estava mais
conhecida e teve muito mais indicações: Melhor Banda, Melhor Banda Alternativa,
Melhor Gravação Local (The Family Jam´s), Música do Ano (Dope Hat) e até Melhor
Vocalista. Eles ganharam a melhor música e a melhor banda.
1993 foi com certeza um dos melhores anos para a banda. Além de ganharem os
prêmios já mencionados, eles foram contratados pelo recém criado selo de Trent
Reznor, o Nothing Records. O selo também declarou apoio à turnê do álbum, a
Self-Destruct 94. Eles forampara o Criteria Studios e começaram a gravação de
Portrait Of An American Family (POAAF).
As gravações não
começaram muito bem. Reznor estava preparando seu lendário álbum The Downward
Spiral, e indicou o produtor Roli Mossiman para trabalhar com a banda. O
produtor iria tornar o som da banda mais pesado, o que não aconteceu. A banda
ficou insatisfeita com o resultado. Reznor também não gostou e assumiu a
produção do álbum. Eles passaram 7 semanas mixando o álbum no L. A.´s Record
Plant. O crédito de Reznor em POAAF é somente de produtor executivo. O álbum foi
lançado em janeiro de 1994.
Porém em dezembro de 1993 Gein
já não fazia mais parte da banda. Segundo Manson, Gein se tornou um viviado e "
se preocupava mais em se drogar do que em tocar baixo com a banda". Twiggy
Ramirez entrou na banda após este episódio.
O encarte do
álbum teve duas fotos cortadas. Uma delas mostrava Manson ainda criança pelado.
A promoção da banda tinha de ser agora nacional e já não era tão fácil. O 1º
single, Get Your Gunn, foi boicotado em diversas rádios e a MTV só passava o
clip em horários como uma madrugada de 2ª para 3ª. Ao contrário do resto do
país, a Flórida recebeu o álbum muito bem e a banda ganhou mais um Slammie por
Melhor Banda. Manson desta vez ganhou o prêmio de Melhor
Vocalista.
Depois de abrir alguns show para o NiN em Maio
e Junho de 1994, a banda começou a Self-Destruct 94. O NiN ainda fechava os
shows da banda aqui. A turnê foi de 29/08 até 11/12. Esta série de shows tornou
eles conhecidos no país inteiro. Os palcos continuavam a chamar a atenção, com
mulheres enjauladas, etc...
O que mais promoveu a turnê
não foram os show, nem o palco, mas sim as confusões causadas. O show de Salt
Lake City é um dos melhores exemplos. Esta cidade é conhecida pelo seu
conservadorismo. Uma equipe foi enviada pra ver o show da banda em Las Vegas,
alguns dias antes. Para tocar na cidade, Manson teria de atender diversos
requisitos, como não dizer nada entre as músicas, alterar as letras, não adotar
o tradicional palco, nem vender camisas ou qualquer outro tipo de artigo
promocional durante o show.
A banda concordou com os
termos. Porém durante o show do Nin, Manson foi convidado por Reznor a entrar no
palco. Ele trouxe uma bíblia mórmom (religião dominante na cidade) e começou a
rasga-la página por página dizendo "ele (Deus) me ama, ele não me ama, foda-se
ele!".
Em outubro, Manson conseguiu se encontrar com Anton
LAVey, criador da Church of Satan (CoS). Durante a visita, Manson recebeu o
título de Reverendo. Segundo Manson, a visita a LaVey foi importante, já que ele
inspirou muitas músicas da banda (My Monkey é uma adaptação de uma música de
LaVey).
Outro incidente que ficou conhecido aconteceu no
último dia da turnê. É uma tradição que a banda que fecha os shows pregue uma
peça na banda de abertura. Porém, o NiN não deixou barato. Após o show da banda,
o NiN jogou uma mistura de vaselina, talco, presunto e muitos outros nos membros
do Marilyn Manson. Os seguranças do NiN pegaram todos da banda e trancaram eles
numa caminhonete. Como se sabe, o visual da banda nos show não é convencional
(Manson canta quase pelado, Twiggy e Berkowitz se vestem de mulheres). Os
seguranças soltaram os integrantes da banda em outra parte da Philadelphia
(cidade do show) com apenas U$1,00. Por sorte, eles conseguiram convencer 2
universitários a dar carona até o show. Manson disse que respeitou o que o NiN
fez, pois era uma crueldade maior do que ele já tinha
imaginado.
A turnê tinha acabado, mas não os problemas. Ao
voltar para uma série de show na Flórida, Marilyn Manson (banda) era conhecido
como problema por onde ia. Num show em Jacksonville, Manson foi preso por
"violação do código de entretenimento adulto", ou seja, nudez
pública.
O 2º single de POAAF, Lunchbox já tinha sido
lançado e banda partiu para uma curta turnê no início de 1995. Desta vez eles
fechavam os shows. A abertura ficou por conta de Monster Voodoo Machine. Durante
esta turnê mais um elemento da mitologia da banda foi criada: a
galinha.
Num acidente em janeiro, a banda quebrou uma
jaula com uma galinha, que foi ferida quando caiu na pista. Alguns jornais
disseram que a galinha foi sacrificada, apesar da galinha não ter sido morta. No
último show da turnê, em março, a banda teria de cumprir a tradição. Eles
jogaram ovos, tomates, farinha e vinagre no Monsters Voodoo Magnet no meio do
show. Porém, o troco deles foi muito pior do que a salada grega que o Marilyn
Manson tinha jogado. Eles deixaram o palco cheio de pedaços de galinha, forçando
o Marilyn Manson a tocar num palco lotado escorregadio e mal cheiroso. O show
foi um desastre, mas Gacy fez alguns samples de improvisação com Kill The
Chicken. Muitos shows da banda ainda tem um coro de fãs gritando
isso.
Na noite anterior a este show também aconteceu algo
que marcaria a história da banda. Manson e o baterista Sara Lee Lucas já estavam
brigando por algum tempo (em alguns show, Manson jogou garrafas em Lucas e ele
jogou as baquetas em Manson) e Manson estava frustrado pois alguns elementos do
show tinham sido proibidos na região onde eles iam tocar. Naquele show, Manson
iria (como sempre) incendiar sua bateria. O problema é que ele também incendiou
a bateria, e Lucas ainda estava atrás dela. Suas saídas estavam bloqueadas, mas
ele conseguiu escapar. Lucas saiu sem ferimentos, ele só perdeu um pouco de
cabelo no fogo. Lucas obviamente saiu da banda. Manson disse que o motivo da
saída foram os atrasos de Lucas.
Após 7 meses de turnê, a
banda parou por 2 semanas para escolher um novo baterista. O escolhido foi
Ginger Fish. A banda conheceu Fish durante o show em Las Vegas. Ele está na
banda até hoje.
Outra turnê começou. Agora Marilyn Manson
tocava entre o KoRn e o Danzig. Os shows começaram em março e acabaram em maio
de 1995. Pra variar, houve uma tensão entre o Danzig (que fechava os shows) e o
Marilyn Manson. Para tentar fracassar com o show do Danzig, a banda fazia shows
pesados e muito rápidos, já que após 3 ou 4 músicas o palco já estava quase
destruído. Com estas apresentações, os fãs da banda aumentavam rapidamente.
Outro personagem muito conhecido na história da banda surgiu aqui: Tony Wiggins,
que remixou muitas músicas da banda em Smells Like Children e Remix &
Repent. As relações entre Marilyn Manson e Danzig só melhoraram pois o vocalista
do Danzid salvou a vida de Manson, Pogo e um rodie quando eles era atacados no
backstage.
No Slammies de 1995 a banda foi indicada para
Melhor Banda, Melhor Vocalista, Melhor Lançamento Nacional (POAAF) e Melhor
Single (Lunchbox). Apesar de ganhar os prêmios por POAAF e Lunchbox, eles não
estavam lá para recebe-los. Eles estavam filmando outro clip em New
Orleans.
Os fãs esperavam que o novo single, Dope Hat,
saísse em Junho ou Julho daquele ano, mas a banda parou para descansar depois da
gravação do clip para esta música. O descanso serviria também para que a banda
gravasse as músicas Lado B do single. As músicas gravadas foram tantas que não
foi lançado um single, mas um EP com 15 faixas chamado Smells Like Children
(SLC). Este mini álbum estreou no nº 53 na parada da Bilboard. POAAF já era
disco de ouro. Mais uma vez o clip de Dope Hat foi tocado pela MTV apenas em
horários onde a audiência é quase nula.
Quando SLC foi
lançado, Marilyn Manson já estava se tornando uma banda famosa. Apesar de não
ser muito tocada nas rádios nem na MTV, a banda estava aparecendo em diversas
revistas importantes, como a Circus e a Metal Edge. Daisy conseguiu até uma
entrevista na Guitar World. Vendo a possibilidade de crescimento da banda, o
departamento promocional da Nothing Records deu a seguinte nota para a imprensa:
"Vejam eles agora antes que ele sejam presos, mortos, ou a melhor banda dos
USA".
A Smells Like Children Tour começou. Agora quem
abria os shows da banda era o Clutch. A turnê foi de setembro de 1995 até
fevereiro de 1996. O tempo durante os shows era tão ruim que a turnê passou a
ser chamada de Snow Tour. Manson estava tão doente que ele precisava de um
tanque de oxigênio no backstage para se recuperar depois de cada
show.
O episódio mais conhecido da Snow Tour aconteceu em
Janeiro. Após tocar na Philadelphia, a banda iria de avião para Washigton D.C. O
aeroporto estava interditado, e a banda teve de ir de carro. A viagem duraria 3
horas, mas a neve atrapalhou e eles ficaram na estrada por 8 horas. Ao chegar ao
hotel, a banda teve uma surpresa. O time de basquete do Orlando Magic e o Vila
Sésamo estavam se hospedando lá também. Um dos jogadores o Orlando disse que o
hotel parecia uma convenção de aliens.
No início de 1996
já começaram a ser feitas especulações sobre o novo álbum da banda, Antichrist
Superstar (ACS). Ele era considerado a "trilha sonora do apocalipse" pelos
próprios membros da banda. Segundo Manson e Twiggy, o álbum mostraria o futuro,
o fim da banda, o fim do mundo. A gravação aconteceu no estúdio de Trent Reznor
em New Orleans. Muitos diziam que este seria o último álbnum da banda e que após
usa conclusão eles se suicidariam.
Em abril a saída de
Daisy Berkowitz tornou-se oficial. Ele não estava satisfeito com o novo som da
banda. Problemas estavam acontecendo entre ele e Marilyn desde a turnê com o
Clutch, quando Manson jogou Berkowitz para fora do pal co. No entanto, ninguém
sabia que o problema era tão grave.
Manson disse que
Berkowitz não estava de acordo com a mudança musical da banda, e que ele queria
manter seu próprio estilo. Ele também não estaria comprometido totalmente com a
banda. Após sua saída, Daisy iniciou uma curta carreira solo com seu nome
verdadeiro (Scott Putesky) e depois entrou no Jack Off Jill. Ele também
processou Manson, a Nothing por não ter recebido os devidos
créditos.
Enquanto ACS não saia, a banda lançou o 2º
single de SLC: Sweet Dreams, uma cover dos Eurythimics. O clip desta vez não foi
discriminado pela MTV e a quantidade de fãs da banda aumento muito. A música
tocou muito, e os fãs mais velhos entraram em guerra com os novos. Os fãs mais
velhos (que começaram a ser chamados de Spooky Kids, já que o nome menciona o
começo da banda) achavam que os fãs novos (Sweet Dreamers) não entendiam a banda
e que só estavam seguindo a moda. Após alguns meses de discussão, os fãs velhos
e novos começaram a se entender melhor, já que aqueles que estavam comprando SLC
devido somente ao fato da banda estar na moda já estavam gostando de outras
coisas.
A 1ª data de lançamento especulada era 06/06
(menção óbvia a 666), mas o álbum só saiu no dia 10/08. Todas as críticas ao
álbum eram positivas, dizendo que este disco era mais sério e profundo do que
POAAF. ACS estreiou no 3º lugar da parada da Billboard. A reação dos fãs foi
positiva, mas muitos reclamavam da falta do tom humorístico de POAAF e
SLC.
Com a saída de Berkowitz, a banda teria de achar
outro guitarrista para os shows (Twiggy gravou as guitarras do álbum). O
substituto foi Zim Zum, o 1º membro da banda a não ter seu nome oficialmente
tirado do nome de estrelas e assassinos. Zim Zum vem do Kabbalah, um sistema
místico judeu. A imprensa se referia a Zimmy como o "anjo que fez o trabalho
sujo de Deus". O termo do Kabbalah que deu origem a seu nome é tzimtzum ou
tsimtsum, que se refere ao espaço vazio que deus deixou no universo para a
criação. Alguns acham que Zim Zum refere-se ao espaço vazio preenchido após a
saída de Daisy. A 1º aparição de Zimmy aconteceu no clip de The Beautiful
People.
Mais uma vez a banda apareceu em diversas
revistas, só que agora a reportagem não era pequena e sem fotos, agora a banda
aparecia na capa e em reportagens gigantes, cheias de fotos. Algumas revistas
mais importantes também atenção para a banda, como a Rolling Stone e a
Kerrang.
O 1º show de Zimmy foi num festival somente com
bandas da Nothing. O show acabou com guitarras quebradas e a hospitalização de
Ginger. No fim do show, quando Trent Reznor agradeceu à presença de todas as
bandas, ele não mencionou Marilyn Manson.
Começava a maior
turnê da banda, a Dead To The World Tour, que duraria 18 meses e incluiria show
na Europa e na América do Sul (lugares onde Manson nunca tinha
tocado).
O palco era algo impressionante. Ele sugeria uma
igreja quebrada, com um vitral no fundo que sugeria a briga entre satã e um
anjo. Gacy teria tubos de órgãos na Pogo´s Playhouse e Manson teria um
palanque.
A turnê teve diversas problemas, não somente nos
shows, mas o álbum enfrentou dezenas de problemas legais. Mesmo assim, ACS
vendeu 1,500,000 cópias somente nos USA, o triplo de POAAF. Seguiram-se mais 2
singles: Tourniquet e Man That You Fear
Com o fim da Dead
To The World Tour a banda entrou em estúdio para a gravação de um novo álbum.
Manson lançou um livro sobre a história de sua vida chamado Long Hard Road Out
Of Hell. Também foi lançado o vídeo sobre a Dead To The World
Tour.
No começo de 1997 começaram os rumores sobre o novo
álbum da banda. Alguns diziam que ele se chamam The Suffering Servant e que
seria mais obscuro que ACS. Após diversos meses de espera, foi divulgado em
agosto que o álbum se chamaria Mechanical Animals e seria lançado no dia no dia
15/09. Começaram a aparecer novas fotos da banda com um visual renovado. Muitos
fãs já começavam a reclamar. Com o lançamento da Golden Years, cover de David
Bowie, as críticas dos fãs começaram a aumentar. Uma nova geração de fãs começou
a surgir.
Nessa época também foi anunciada a saída de Zim
Zum. Existem duas explicações para isso: o próprio Zimmy diz que saiu da banda
por vontade própria, pois não queria mais ficar na sombra. Já Manson disse que
ele foi expulso pois não se lembrava mais das músicas de ACS, o que a banda
achou ofensivo.
Para substituir Zim Zum foi escolhido John
5. Não se sabe a origem do seu nome. Seu verdadeiro nome é John Lowery e ele já
tocou com David Lee Roth.
O lançamento de álbum foi um
sucesso comercial. Ele estreiou no 1º lugar da parada da Billboard e muitas
pessoas acham que o Marilyn Manson é a solução para a crise que o rock está
vivendo hoje.
Quem ele era, e por que Marilyn Manson?
Seu Verdadeiro nome é BRIAN WARNER, nascido em 5 de janeiro de 1969, sua atual namorada é Julia Vallet, da MTV européia e pouca gente sabe, mas ele era jornalista antes de incorporar seu personagem. "As vezes eu escrevia crônicas, mas quase sempre era obrigado a fazer reportagens. Só que isso não me satisfazia, por que eu queria falar sobre mim, e não criar outras pessoas e outros mundos para eles...". Talvez por ter estado do outro lado, ele diz que não se irrita tanto quando muitos ex-colegas de profissão vivem acusando ele de fantasiar seus problemas de infância com o único intento de incrementar o seu marketing pessoal. Seu pseudônimo vem das misturas de nomes como o da atriz MARILYN Monroe e do assassino Charles MANSON.
Como ele se descreve e quais suas inspirações?
Surpreendentemente ele se diz tímido, mas que é do tipo que diz o que pensa na lata. Se considera um rebelde, e confessa não existir mais diferenças entre o Manson dos palcos e a pessoa que existe fora dela. A única coisa que muda, segundo ele,é a maneira de se vestir. "Algumas pessoas me consideram como alguém estritamente negativo, incapaz de amar. Quase ninguém é insano o suficiente para unir o positivo ao negativo, eu busco isso. Eu vivo a vida assim, as coisas com que me preocupo é que me fazem feliz sentir melhor e maior, me dão a capacidade de amar. Com o ódio também é assim". Ele se diz um admirador de David Bowie, Madonna, Alice Cooper, Iggy Pop e Kiss. Ele também disse que a música foi a válvula de escape para que ele não se tornasse um serial-killer também. Obcecado pelo tema, leu todas as biografias dos mais famosos serial-killers como Ted Bundy, Jeffrey Dahmer, David Berkowitz, entre outros, e disse saber exatamente o que se passava por suas mentes, pois já sentiu o que eles sentiram. "Eles viviam a vida como se ela tivesse lhes tirado tudo de bom, então a única maneira de se expressarem foi cometer crimes hediondos. Não estou dizendo que amanhã vou pegar uma arma e matar quem estiver na minha frente. Eu não quero ser preso, pois não poderia cantar mais..."(risos)
A Infância perturbada e o Cristianismo...
Ele confessou ter sido vítima de abuso sexual por parte de um vizinho quando tinha 8 anos de idade. Ele sempre foi muito frágil e magro, e vivia apanhando dos seus colegas na escola. Apesar de vir de uma família rica e de sempre ter estudos em colégios de elite e - pasmém - religiosos, disse que possui um ódio mórbido do seu avô que, segundo ele, foi a pessoa mais má de que já teve notícia, um pervertido sexual. "Minha infância foi uma merda, eu sempre estava fugindo de algo e de alguém. Minha única fuga era ouvir Heavy Metal. Era a melhor maneira de sair da minha realidade...". Ainda adolescente ele passou a usar o blush e o batom da mãe e a usar máscaras de Halloween, não se importando se fosse Natal ou 4 de Julho. Ele diz que tudo isso foi a culpa incutida pelo cristianismo que, segundo ele, impede que as pessoas sejam entes individuais. Usar a maquiagem foi a maneira que ele encontrou de ser diferente. "Todo mundo tem que ter um demônio dentro de si. Foi o Demônio que conseguiu manter o cristianismo em pé por tanto tempo. Você não tem um sem o outro. Eu quero mostrar às pessoas os dois lados, é como Marilyn e Manson...".
Satanismo e Filosofia...
O maior fator de revolta dos anti-Marilyn Manson é a crença religiosa do vocalista. Afinal, ele admite ser satanista e anticristo, tendo sido convertido à doutrina durante sua turnê com o Nine Inch Nails, em 1994. Em passagem pela Califórnia, Marilyn Manson se encontrou com Dr. Anton Szandor LaVey, fundador da Igreja de Satã, e do Best-seller "A Bíblia Satânica". O papo foi bom, os dois se identificaram e LaVey lhe deu um cargo de Padre. É por isso que Manson, ocasionalmente, autodenomina-se "Reverend Marilyn Manson". "De fato, sou um padre na Igreja de Satã!" ele diz, orgulhosamente. "O Satanismo é uma filosofia que me fascina, é a maior rebelião contra a ordem e Deus. Mas também me interesso por Nietzche, Freud, o fim do mundo e outras filosofias. O satanismo é normalmente percebido como a adoração do diabo. Na realidade, o satanismo é a obliteração do cristianismo, que objetiva controlar as pessoas. Elas, enfim, podem escolher viver com suas próprias forças internas..."
"As pessoas precisam aprender que eles podem ser diferentes se quiserem. Se eu puder apontá-los para a direção certa, eu o farei, pois por causa da religião, muitas pessoas se sentem culpadas por serem elas mesmas. Há um mundo inteiro, com pensamentos livres, idéias próprias, enfim, de individualidades, que precisa ser urgentemente explorado! As crianças devem saber que não estão sozinhas. Por ser tão extremo, quero dizer que qualquer um pode viver fora da sociedade e ter sucesso. Não estou dizendo 'seja como eu', e sim 'liberte-se e seja você. E eu tenho certeza que os garotos me entendem..."