Talvez, talvez, talvez...
Eu sou uma boa pessoa, ao menos?
Eu ao menos te divirto?
Porque eu sei que eu não sou bonita
Não sou o tipo com quem você ficaria
Nem ao menos chamo a atenção das pessoas
Não sou o tipo de pessoa que encanta a todos
E eu mesma admito que falo muita besteira.
Tem gente que é doce como o açúcar
Eu sou como o adoçante: a intenção é ser doce,
Mas meu gosto é amargo.
E você só vem até mim em última instãncia.
Do contrário, você me substitui pela primeira coisa à
sua frente.
Ser prestativa nunca me trouxe amigos
As pessoas só me procuram para me pedir algo
E eu sempre soube disso
No entanto, nunca lhes neguei nada
E nunca ganhei nada em troca.
Mas eu não desisto de confiar nas pessoas,
Embora ninguém nunca tenha se preocupado comigo
Será que eu realmente interpreto tão bem
Escondendo minha dor?
Aliás, acho que interpreto tão bem o ser ninguém
Que ninguém repara em mim
Talvez não tenham nada a me dizer
Talvez eu não tenha nada a lhes dizer
Não sei o que é pior: ódio ou indiferença
Desprezo, talvez.
Falta de consideração, com certeza.
Eu sou o tipo de pessoa que tinha tudo pra ter dado errado na vida
Pela família que eu tenho, de onde eu vim
Mas, talvez, nem tudo tenha dado certo
Senão eu não estaria escrevendo isso aqui, hoje.
Mas é que eu tenho tanto medo
De não ter família, de não ter amigos
De nunca ter um namorado e de perder a Vicky.
Talvez ela seja a única "coisa" de que posso me orgulhar.
Porque ela estava aqui do meu lado tentando enxugar minhas lágrimas
E fazer eu largar este poema.
Bom, o que vale é a intenção.
Mas parece que a minha intenção de ser boa nunca é valorizada.
Talvez eu não seja boa.
Nem, ao menos, eu sou uma pessoa boa.
E, talvez, eu não mereça a felicidade, como todo mundo.
Talvez eu não mereça viver neste mundo.
Carla Caldas