Carta de uma noiva

Sou a noiva de um soldado que foi para a guerra. Passo os dias e as noites esperando por notícias, sejam elas boas, sejam elas más.
Meu amor foi cumprir sua missão em terras longínquas, e, embora eu saiba que ele pode não voltar, tenho ardente em meu coração a esperança de tê-lo novamente em meus braços. Porém, trago comigo o medo de que ele fique por lá e encontre um novo amor, ou de que, mesmo que volte, não queira me ver.
Apesar de toda a incerteza, recuso-me a seguir em frente e buscar um novo grande amor, pelo menos até saber seu paradeiro. Ainda é março, sua missão se completa em setembro. Tenho 6 meses para me preparar para a volta do meu amado.
Sonho com o dia em que o meu moço da capital dirá: "Estou indo aí para o interior para te ver". Mas também temo ler: "Me desculpe, mas não te amo mais".
As mulheres que lerem este desabafo entenderão o que estou dizendo. Somos o porto seguro de um homem, esperando-o com beijos e carinhos, esperando sermos acolhidas em seus braços fortes e seu peito quente. Esperando por um homem que podemos chamar de nosso, a quem podemos nos entregar de corpo e alma. Aguardo ansiosa por uma resposta do meu noivo. Desejo saber, ao menos, se está bem. E se pensa em mim. E se ele vai voltar para mim. Para sempre ser meu.

Carla Caldas

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