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Ramal ferroviário está
sendo reaberto a picareta
Gentilmente cedido por Patrícia
Ribas (Gazeta do Povo)
Há
seis meses um grupo de pessoas coordenado pela regional paranaense
da Associação Brasileira de Preservação
Ferroviária (ABPF-PR) está trabalhando na reativação
de um trecho da ferrovia Antonina - Morretes, desativado há
10 anos. A idéia é fazer com que trens de passageiros
voltem a trafegar entre as duas cidades. O projeto, que ainda
está no início, começa na reforma de
uma pequena linha férrea no porto de Antonina.
O diretor executivo da
ABPF-PR, Carlos Dias Correia Augusto, explica que são
cerca de 3 quilômetros que ligam o centro de Antonina
à região portuária, na linha Ramal Matarazzo.
O trabalho começou em agosto e está na fase
de limpeza. A maior parte dos trilhos está em péssimas
condições, coberta de terra e pedras e destruída
por vândalos. São os sócios da entidade
os responsáveis pelo que batizaram de "arqueologia
ferroviária", ou seja, cavar os trilhos, tirar
as pedras e limpar o lugar - perto de 1,5 km já está
quase pronto.
A boa vontade do grupo,
porém, esbarra na falta de recursos. Augusto conta
que já há alguns patrocinadores. O Grupo Matarazzo,
por exemplo, cedeu uma casa para a sede da entidade em Antonina.
Mas o dinheiro para a manutenção do serviço
é da ABPF. "Tudo que gastamos sai do nosso bolso",
diz.
Para a etapa da limpeza
dos trilhos, Augusto conta que a entidade ainda consegue fazer
o trabalho, mas que a reforma completa da via vai depender
de outros recursos. A obra custa cerca de R$ 200 mil. "Por
isso queremos chamar a atenção de empresários
e autoridades dispostos a nos ajudar a preservar as linhas,
que são a história do estado. Sabemos o que
fazer e não temos medo de trabalhar", diz Augusto.
No Ramal Matarazzo a ABPF
pretende colocar uma maria fumaça e ligar o Museu do
Automóvel Matarazzo de Antonina. "Junto com a
memória damos incentivo ao turismo. Trens são
museus vivos", justifica. "A ferrovia aqui pode
ser uma atividade lucrativa e que vai ajudar a levantar a
economia local." Para o projeto a ABPF já tem
alguns possíveis parceiros: as prefeituras de Antonina
e Morretes, o governo do estado e a América Latina
Logística (ALL), concessionária que hoje administra
a linha férrea Curitiba - Paranaguá.
Sábado
Todos os sábados,
a turma da ABPF se reúne cedo na capital e desce a
serra para Antonina. "É o dia de deixar a mulher
e os netos em casa para cuidar dos trens. É nossa terapia",
brinca o economista Darcy Veiga. Aos 70 anos, o mais velho
associado no Paraná é conhecido como o "relações
públicas" da turma. Tanto que, quando não
está ajudando na limpeza, faz a divulgação
da entidade com panfletos na frente da casa que vai ser sede
da ABPF em Antonina.
Seu Darcy fala emocionado
sobre o passado de glórias das ferrovias no país.
"Tínhamos alguns dos melhores trens de passageiros
do mundo", diz. Ele lembra com saudades do que chama
"época áurea" - décadas de
50 e 60 do século passado. "De lá para
cá, o que vimos foi o decréscimo da atividade
até o total abandono que encontramos hoje", lamenta.
"A história das ferrovias conta a história
do país e isso está se perdendo."
Um dos pontos que chama
a atenção no grupo é a diversidade de
profissões e idades. Quase nenhum é realmente
ferroviário. "O que nos une é a paixão
pelos trens", afirma o analista de sistemas Raul Carneiro
Neto. "É um gosto que vem desde criança,
primeiro miniaturas e agora trens de verdade", diz. O
mesmo vale para o estudante de Engenharia Civil Luiz Felipe
Elias. Tanto que se definiu por uma especialização
em ferrovias. "A história de qualquer lugar só
começou nesse país porque um trem passou por
ali."
Leia mais:
Ramal Matarazzo foi construído
em 1898
Serviço:
Para quem estiver disposto a conhecer ou participar da Associação
Brasileira de Preservação Ferroviária
(ABPF-PR), o endereço da entidade é Avenida
Sete de Setembro, 2.775, Centro, Curitiba. Os telefones são
(0XX41) 223-5410 e 223-4748. O e-mail é [email protected].
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