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Exposição homenageia Clarice Linspector
em Fortaleza
Para marcar a passagem dos 30
anos de morte da escritora Clarice Lispector, o Centro Cultural
Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro -
fone: (85) 3464.3108) realizará a exposição "Clarice,
Sempre Viva, Clarice", no período de 7 a 14 deste mês,
apresentando livros raros, imagens e documentos sobre a sua
história de vida e trajetória artística. A abertura da mostra
acontecerá amanhã (sexta-feira, 7), às 19h, no saguão da
biblioteca do Centro Cultural BNB-Fortaleza (3º andar).
No último dia da exposição (sexta-feira, 14), de 10h às 13h,
será realizado no auditório do CCBNB-Fortaleza (também no 3º
andar) o seminário "Conversas ao pé de Clarice",
abrangendo uma série de debates, leituras e apresentações
sobre a vida e a obra da romancista, contista, cronista, autora
de literatura infantil e jornalista nascida na Ucrânia e
naturalizada brasileira. A exposição e o seminário têm
curadoria de Fernanda Coutinho, Miguel Araújo, Isabela Damasceno
e Luciana Goiana e produção do Programa de Pós-Graduação em
Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Durante o seminário, serão apresentados os seguintes temas:
"Clarice e a infância jamais perdida", com Fernanda
Coutinho; "Clarice e a paixão segundo G.H.", com Vera
Moraes; "Imagens Clariceanas", com Ângela Fernandes;
"Os tesouros escondidos nos desastres de Sofia", com
Benigna Lessa; "A linguagem em água-viva", com
Glaydson Mathias; "Clarice Lispector e 'a menor mulher do
mundo'", com Elenice Lima; "Tecendo a infância do
mundo: Clarice Lispector e a literatura infantil", com
Jaqueline Moura; e "Macabéa, um ser para a morte", com
Viviane Aquino.
Mais revolucionária que James
Joyce, Virginia Woolf e Franz Kafka - Clarice Lispector
nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920, e
morreu no Rio de Janeiro, em 9 de dezembro de 1977. De família
judaica, emigrou com a família para o Brasil, quando tinha pouco
mais de um ano de idade. Começou a escrever logo que aprendeu a
ler, em Recife. Clarice falava vários idiomas, entre eles o
francês e o inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o
idioma materno familiar, o iídiche.
Em 1944, publicou seu primeiro romance, "Perto do coração
selvagem". A literatura brasileira era nesta altura dominada
por uma tendência essencialmente regionalista, com personagens
contando a difícil realidade social do País na época. Clarice
Lispector surpreendeu a crítica com seu romance, quer pela
problemática de caráter existencial, completamente inovadora,
quer pelo estilo solto elíptico e fragmentário, que críticos
reputaram reminiscente de James Joyce e Virginia Woolf, sem bem
que ainda mais revolucionário.
Em verdade, a obra de Clarice ultrapassou qualquer tentativa de
classificação. A escritora e filósofa Hélène Cixous chega ao
ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes de
Clarice) e outra D.C. (Depois de Clarice). Por sua vez, o
tradutor Gregory Rabassa, em artigo publicado no jornal The New
York Times, edição de 11 de março de 2005, descreveu-a como o
equivalente de Franz Kafka na literatura latino-americana.
Seu romance mais famoso talvez seja "A hora da
estrela", o último publicado antes de sua morte. Este livro
narra a vida de Macabéa, uma nordestina criada no estado de
Alagoas, que migra para o Rio de Janeiro e vai morar numa
pensão, tendo sua vida descrita por um escritor fictício
chamado Rodrigo S. M. Clarice Lispector continua sendo algo
estranho e fascinante na literatura brasileira. Dotada de
especial sensibilidade, sua preocupação maior nunca esteve no
enredo, no linear das coisas. Exigiu, ao contrário, que o leitor
se entregasse em meditação à aventura de ler, se quisesse
desfrutar da profundidade dos conceitos que se multiplicavam.
Cidade dos
Negócios - 06-dez-2007 07:50:36
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