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Artigo - A Difícil Relação Interpessoal
Maura de Albanesi (*)
As relações humanas entre indivíduos têm vida própria e peculiar, que ultrapassa
as características de seus componentes e se manifesta não só na relação de um
grupo com outro, mas também, principalmente, nas relações que os membros de um
grupo mantêm entre si
Para se travar um bom relacionamento e um convívio agradável em sociedade, é
necessário, antes de tudo, um bom auto-conhecimento, ou seja, para conhecer a
outra pessoa e poder fazer uma avaliação mais sensata e imparcial, é preciso,
antes de mais nada, se conhecer. Para evitar projeções, ou melhor, para
identificá-las (pois projeção é um mecanismo psíquico natural), é preciso
reconhecer o que de si está sendo projetado no outro, para a partir de então, o
outro poder ser visto da forma como ele realmente é.
As pessoas tendem a tratar os outros a partir do seu referencial de valores e
princípios, de certo e errado, de justiça ou injustiça, e assim por diante. Elas
acreditam que a janela de seus olhos retrata toda a verdade em si e do mundo.
Colocar-se no lugar do outro não é tão simples assim, pois se faz necessário
olhar o mundo com os olhos do outro, segundo as experiências vividas por essa
outra pessoa. O que normalmente se faz é dizer: se eu fosse você, eu faria assim
ou teria feito de outra forma. Mas você não é a outra pessoa. Como seria se
realmente fosse? Ter nascido na casa dessa outra pessoa? Ter um padrão de
pensamentos como o dela? E fazer diferente?
E a maravilha que se sucede é que os julgamentos e as críticas caem por terra,
abrindo espaço para a real compreensão e a compaixão. Que nada mais é do que
empreender-se com alguém em algo, formando amizade, companheirismo e puro afeto.
Nesse sentido a citação bíblica passa a fazer sentido: “Amai-vos uns aos
outros”. O amor pode nascer quando o julgamento morre. Enquanto a luz da própria
verdade quiser prevalecer, a escuridão existirá. Só quando o homem tiver a
coragem de olhar para a sua escuridão, do outro poderá surgir a luz amorosa na
relação. Deste confronto consigo e com o outro, da luz e das trevas, é que surge
o amor, a cumplicidade de saber que todos estão num contínuo processo de
evolução e aprendizado.
(*) Maura de Albanesi – é psicoterapeuta,
pós-graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP),
Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica;Master
Pratictioner em Neurolinguística;e mestranda em Psicologia e Religião pela PUC.