Cidade dos Negócios
Artigo
Gestão de processos: Como o Fator Humano pode
influenciar o Fator Técnico nos processos
Maria Paula Bartolozzi
Astrauskas e Laércio de Mattos
Num mundo cada vez mais competitivo, onde os mercados estão sem
fronteiras, as organizações passaram a se preocupar não só
com o fator técnico da qualidade, mas também com o potencial
humano, criativo e inovador de seus colaboradores. E a cada dia
estão conscientizando-se da importância do fator humano como
ferramenta estratégica que agrega valor ao processo
e transforma o ambiente de trabalho. Sob o ponto de vista de
aplicação da conceituação de processo, como uma ferramenta
para a busca da melhoria da qualidade, pode-se dizer que processo
é o conjunto de recursos. Sejam eles matérias primas,
máquinas, recursos financeiros e humanos interdependentes,
porém necessários, à produção de um resultado final e que
cria maior valor para o cliente.
A garantia do alto desempenho da qualidade só ocorrerá quando
os gestores enxergarem a necessidade desta integração desde o
inicio do processo, considerando todas as atividades, sejam elas
primárias ou de apoio, como sendo de fundamental importância
para a cadeia de valor da organização. A forma de gerir
empresas tem se transformado a cada dia. Da gestão
centralizadora, vertical e baseada no organograma, nos tempos
atuais, sobrevive aquela que está no caminho da flexibilidade,
horizontalidade e da interação entre as áreas. Silos
nunca mais! Hoje a realidade é outra. A gestão por processo é
o melhor caminho para a organização proporcionar um valor maior
aos seus clientes e conseqüentemente as partes interessadas.
Nota-se que ainda uma grande maioria das organizações não
aprendeu a tirar do papel os seus mapas de relacionamento e de
processos, e transformar o ambiente organizacional em algo
verdadeiramente dinâmico e que proporciona resultados. O poder
ainda é uma questão muito forte nas organizações, o que
impede o fator humano de criar soluções e alternativas para o
sucesso organizacional e pessoal. Os colaboradores ainda estão
como na época Taylorista, altamente mecanizados e robotizados, e
não conhecem os processos da organização em que trabalham, o
que dificulta o caminho para uma efetiva gestão por processo.
A base para uma gestão por processo é a integração do fator
humano a tantos outros fatores técnicos identificados nas
organizações, o que pode alavancar os processos. Somente com
uma gestão baseada na capacidade humana é que as organizações
poderão se tornar mais competitivas. São ótimos os
treinamentos focados em redesenho de processos, indicadores e
estratégias. É fundamental ter uma infra-estrutura baseada num
sistema de informação que sustente os processos. Mas, não
podemos esquecer que os processos foram projetados para interagir
com outros processos, como por exemplo, clientes internos,
externos e fornecedores; a nossa arquitetura de tecnologia de
informação, tão importante nesse processo, se sustenta na
comunicação.
Se observarmos as capacidades que podem transformar essa nossa
realidade chegaremos à constatação de que o Fator Humano deve
caminhar em conjunto com o Fator Técnico. Recentemente, tivemos
a oportunidade de desenvolver um projeto dentro de uma indústria
e unimos forças para incentivar esta interação, com isso,
obtivemos 100% de sucesso.
Os conceitos atualmente abordados tanto nas universidades como
nos ambientes de trabalho, tais como liderança, cultura,
conhecimento e governança são, respectivamente, a base para o
apoio, o trabalho em equipe e foco no cliente, metodologias de
redesenho de processos e iniciativas de mudança. Muito embora no
Brasil ainda se fale pouco de gestão por processo, as empresas
subsidiárias de multinacionais têm contribuído muito para que
esse conceito seja trazido para as organizações brasileiras
apresentando resultados positivos.
Acreditamos que esses fatores, quando interligados, poderão ser
fortes viabilizadores de processos mais eficientes e eficazes e
representarão oportunidades para as organizações que estão a
caminho de redescobrir como um processo redesenhado pode atingir
o alto desempenho.
Maria Paula Bartolozzi
Astrauskas é psicóloga, pós- graduada em Administração e
Consultora de Recursos Humanos da Consultoria Siegen
www.siegen.com.br
Laércio de Mattos é professor de graduação nas áreas de
Administração, Recursos Humanos e Qualidade do Grupo Flamingo.
É também consultor na área de Qualidade, Auditor Líder da
Qualidade e Auditor Líder Ambiental.