Bernardo Gomes de Barros
red sun
I
(red earth) pedra vermelha didgeridoo de histórias de barro e de sangue: energia transcedental
II
(red sun) a beleza do último raio de sol, rubro, quase negro, incandescente, subterrâneo, infravermelho, invisível, inaudível e indolor.
III
os girassóis foram um erro belo, um erro de deus, um acaso, um deslize, um lance de dados. dentes pra fora, fora de equilíbrio, desajeitados. mas Deus parou e viu que aquilo era bonito, e incorporou o acaso à sua obra.
IV
as gotas do orvalho nasceram para dizer alguma coisa, certamente não estão ali por acaso, querem dizer algo. há os que ouçam, os que acordam ou os que não dormem para ouvir os segredos cristalinos da aurora.
V
rené char disse que o que vem ao mundo e nada perturba não merece respeito nem paciência. concordo, não perca tempo com coisas paradas, vá para a energia, produza saltos mortales, queime a mente, crie náuseas e seja um obsessivo da perturbação
VI
“só te curves para amar” (ainda char) e amo quando o amor rege a inteligência e a frieza, quando o amor nos dá a disciplina e a agudez. quando a paixão nos faz sentir nossa própria perturbação e nos liberta de ser simples demais, nos faz ver refletida nossa complexidade orgânica, um amplexo com a imensurável complexidade.