PASSAGEM DE ANO TRAS MUITAS OCORRÊNCIAS POLICIAIS
            Em várias cidades brasileiras o reveillon foi sinônimo de catástrofes, caos, crimes e outros eventos malignos. A bagunça foi generalizada. Muitas delegacias amanheceram no dia 1 de Janeiro entupidas de civis feridos e indignados com as barbáries sofridas e por criminosos detidos pelas mais variadas transgreções possíveis.

            O Rio de Janeiro foi o campeão de ocorrências. Milhares de pessoas foram atacadas por assaltantes armados com foguetes, morteiros e outros tipos de fogos de artifício. Alguns inocentemente acenderam os pavis e dispararam nas vítimas. Tanto os assaltantes como as vítimas morreram. Em Copacabana, um motorista bêbado conduziu um caminhão carregado com 12 toneladas de fogos diretamente para dentro de um hotel luxuoso. Os bombeiros já estão trabalhando nos escombros. Já nas Laranjeiras, um pai deu de presente para os filinhos de 2 anos alguns fogos e um isqueiro. Assim que o pai sair do hospital ele responderá processo público e terá que ajudar a ressarcir os danos causados ao bairro.

            Em São Paulo, a multidão que lotou a Avenida Paulista foi massacrada violentamente por um defeito que apontou as 44 toneladas de fogos de artifício (incluindo os chamados "Fogos Atômicos") para o chão e não para o ar. Onde antes existia a avenida, hoje há uma cratera com 1,5 km de profundidade. No Brás, vários italianos organizaram uma festa, mas ao invés de receberem os 900 kg de fogos, como haviam pedido, a empresa contratada enviou-lhes bombas paquistanesas de verdade. Metade da colônia italiana residente na capital foi simplesmente extinta. Na próxima edição do Guia de Ruas da Editora Abril o bairro do Brás não mais constará nos mapas de São Paulo.

            Esses foram alguns dos incidentes ocorridos, mas o que mais preocupou a polícia foi a engenhosidade de muitos criminosos, que realizaram verdadeiras proezas na passagem de ano. Em Belo Horizonte, uma quadrilha invadiu um bando e ameaçou um gerente com um foguete de mão em sua boca. Desesperado, o gerente faleceu de ataque cardíaco (conseqüência inesperada para os ladrões) e era o único que sabia a combinação do cofre. Indignados, os assaltantes tentaram explodir o cofre com caixas e caixas de fogos de artifício. Após calcinarem metade do quarteirão, foram detidos.

            Em Manaus, um barco carregado de fogos foi roubado do estaleiro onde estava sendo consertado. O problema do barco era que muita gasolina vazava dos tanques e escorria para o porão (onde ficava a carga). Alguns dias depois a Polícia Marítima achou vestígios do barco perto de uma margem. Havia madeiras chamuscadas, toras carbonizadas e alguns pedaços de corpos. Os habitantes das redondezas afirmaram que viram um barco ali perto naquele dia, mas a noite escutaram um estrondo e viram um clarão tão forte quanto a luz do Sol.

            Por fim foram relatados casos como o de um assaltante que usava como arma um morteiro com um pavio e ficava segurando um isqueiro aceso. Após roubar um carro, colocou o morteiro no banco do lado do motorista mas esqueceu o isqueiro aceso. O carro não tinha seguro. Também ocorreu o caso de uma familia que sentiu o chão da casa tremer e viu o quarto dos filhos em ruínas. Eles haviam ganhado uns foguinhos para brincar. Houve o caso do marido que foi preparar uma surpresa para a mulher, mas tropeçou bem na hora do disparo e explodiu o apartamento e o caso do dono de bar que foi buscar umas cervejas no depósito enquanto os funcionários ajudavam os clientes a estourar uns fogos e acabaram matando todos os ocupantes da casa da frente, dentre muitos outros casos ocorridos nesta funesta passagem de ano.

         
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