Nas fases finais, as seleções passaram a se enfrentar em sistema mata-mata com melhor de 3 jogos. Com a Copa tendo a duração de 6 meses, as seleções chegaram a fazer 4 jogos por semana cada uma, mas no final o que valeu foi a vaga para disputar o título. O Brasil, claro, alcançou a final com folga. Nenhuma outra seleção estava tão habituada aos gramados esburacados, os estádios detonados, os horários absurdos e as tabelas irracionais como a nossa seleção.
Nosso adversário da Final é a seleção de Macau, que ficou em último lugar no Grupo "D" da 1a Fase, mas se colocou em 3a na Repescagem e conseguiu se classificar para as Fases seguintes sempre no sufoco. Aí, pegou a Alemanha no Pacaembú e ganhou nos pênaltis, após 3 empates em 0x0. Depois desclassificou a Argentina lá em Manaus graças ao árbitro Márcio Rezende de Freitas, que anulou 3 gols legítimos dos portenhos e validou um gol ilegal dos macauenses. Nas Semi-Finais, Macau enfrentaria a França no estádio das Laranjeiras, mas como a delegação francesa foi assaltada na Linha Vermelha e vários jogadores foram assassinados, Macau venceu por WO.
Mas, voltemos nossas atenções para a partida Final, que está acontecendo neste instante no Maracanã, cujo placar da SUDERJ mostrou ter 70 mil pagantes, mesmo o estádio tendo capacidade para cerca de 150 mil e estando lotado. Tudo bem... tudo bem. A evasão de renda em Fortaleza foi pior. E o atraso de 2 horas para a realização da partida, por causa da arquibancada que desabou e matou 139 torcedores? Fatalidades. Daqui a 100 anos ninguém lembrará. A História só vai falar do jogo, onde o Brasil acaba de roubar a bola no meio campo e desce no contra ataque rápido pela direita com Zinho, mas ele se enrola todo e tropeça nas próprias pernas e cai. Uma pena! Também, quem mandou o Zagallo escalar um time apenas com canhotos? Aliás... não entendo porquê tiraram o Luxemburgo em 2003, logo após a conquista da Copa de 2002, só porquê perdemos uma partida contra a Argentina lá em Buenos Aires por 1x0. E tinham que chamar logo o Zagallo de novo?
Certo... vamos ao jogo. O Brasil domina a partida. O capitão Júnior Baiano lança Ronaldinho. Ele pega a bola, dribla 7 adversários instantaneamente e parte rumo ao gol, mas um zagueiro macauense dá um carrinho por trás e acerta o joelho do brasileiro mais dentuço em campo. Entra a maca e retira Ronaldinho. Zagallo põe Dodô no aquecimento.
Enquanto isso, Macau vem ao ataque pela primeira vez. Já estão
na intermediária. Atenção, Manoel, o craque do time,
arrisca um chute de fora da área e manda a bola no anel superior
do Maracanã.
Apesar de superior tecnicamente, o Brasil
não consegue marcar seu gol. O veterano Cafú continua errando
seus cruzamentos e Roberto Carlos (titular de Zagallo no lugar de Serginho)
nem chega ao ataque, só fica na defesa dando suas bicicletas.
Bom momento do Brasil: Juninho tabela com Alex e deixa Fábio Júnior na cara do gol. Ele chuta mas a bola pega na trave e volta no seu próprio rosto, quebrando o maxilar do atacante brasileiro. Zagallo coloca Sávio no lugar dele pra fazer dupla com Dodô, que precisou mesmo entrar no lugar de Ronaldinho.
Vamos chegando aos 30 minutos deste primeiro tempo. Macau dá um chutão da zaga e a bola chega na Grande Área brasileira. Júnior Baiano sobe mas não acha nada e a bola sobra para Pedro Souza, ponta esquerda macauense, que chega na linha de fundo e cruza. Não há nenhum atacante na área, mas Dida tromba com César, a bola bate em Doriva, que apenas observava o lance e entra mansamente na meta brasileira. Explosão de alegria dos cerca de 10 torcedores macauenses presentes no Maracanão. Do campo, nem dá pra ouvir eles comemorando.
O Brasil dá nova saída de bola, e tenta empatar ainda no primeiro tempo. Afoitos, os canarinhos erram muitos passes e só nos acréscimos conseguem uma boa jogada. O Macauense João dá a bola nos pés de Rivaldo, que passa por 2 zagueiros e entra na pequena área. O Goleiro macauense Sebastião sai fechando o ângulo mas Rivaldo toca de lado para Dodô que o acompanhava. O atacante brasileiro tenta soltar uma bomba, mas a bola pega na sua canela e sai pela linha lateral. Fim de primeiro tempo.
Precisando correr atrás do prejuízo, o Brasil volta com Denílson
no lugar de Rivaldo para a etapa complementar. Já Macau, vencendo
por 1x0, tira o atacante Pedro Souza e coloca um novo zagueiro, Luís.
O Brasil pressiona desde o começo,
mas esbarra na forte marcação macauense. Aos 15 minutos,
Alex se livra do zagueiro e lança Denílson. Este, claro,
pára e finta o maior número possível de adversários
até que fica cara a cara com o goleiro Sebastião, mas na
hora "H" é travado pelo lateral macauense Gama e o chute sai mascado,
rolando pela pequena área. Sávio vem que vem babando e mete
uma bica na bola que explode no travessão e bate nas costelas do
goleiro Sebastião (contundindo-o). A sobra fica com Flávio
Conceição, que vê aquele lance bisonho, com a bola
na risca da Grande Área, sem goleiro ou zagueiros pra atrapalhar
e enche o pé. A bola acerta um torcedor que estava passando na rua
ao lado do estádio.
Apesar de perder um gol feito, o Brasil ganha moral com o lance. O goleiro adversário está machucado e esta passa a ser a maior chance canarinho. O Brasil passa a dominar amplamente a partida. Os macauenses não sabem o que fazer quando pegam a bola e começam a só dar chutões pra frente. Num destes lances, o zagueiro macauense não viu que estava virado para o seu próprio campo e chutou a bola contra sua meta. O goleiro Sebastião, inocente, pega o recuo de bola com as mãos. Na cobrança da falta, Roberto Carlos dá o chute mais forte da sua vida. O canhonaço sai sem direção e se perderia na lateral, mas acerta em cheio a virilha do meia macauense Alcebíades (que nunca mais poderá ter filhos) e acaba entrando. Gol do Brasil! O Brasil empata em pleno Maracanã! 200 milhões de tupiniquins gritam com todas as forças: Goooooooooooool !!!
Com o empate, a torcida se empolga e passa a apoiar mais a seleção brasileira. Macau recua totalmente e o jogo passa a ser do Brasil contra ninguém. Entretanto, o domínio de espaço não se converte em gols, pois os macauenses se amontoam em frente a Grande Área e o Brasil não acha espaços para fazer suas jogadas.
O tempo vai passando e logo chega aos 45 minutos. No desespero, para evitar a prorrogação, o Brasil lança Cafú, que mesmo quarentão, ganha na corrida do marcador adversário e cruza. Meio time do Brasil se amontoa na pequena área para o cabeceio, mas uma acaba atrapalhando o outro e a bola sobra para um zagueiro de Macau que fecha o olho e chuta pra frente. A bola cai nos pés de Juninho que chuta consciente no canto esquerdo do goleiro, mas acerta a trave. A bola cai sobre a risca e corre por ela até atingir a outra trave, voltar para a pequena área e ser apanhada pelo goleiro Sebastião.
Desolados por perderem a última chance, os atacantes brasileiros
dão as costas para a meta e se voltam para seu campo de defesa,
quando vêem, atônitos, os torcedores gritarem "Goool". Após
pegar a bola, Sebastião foi chutá-la para longe, mas tropeçou
e caiu por sobre ela, que bateu em seu corpo e atravessou a linha de gol.
Dois minutos depois, fim de jogo. Choro dos
macauenses, festa dos brasileiros que conquistam seu sexto título
mundial no futebol.
No pódio, Eduardo José Farah, presidente da CBF entrega a Taça FIFA para Júnior Baiano, o Capitão do Hexa, considerado também o Craque da Copa, que teve o Neo-Zeolandês Leo Dresh como artilheiro com 9 gols, sendo que 7 foram marcados numa única partida, contra a seleção de São Tomé, que era convidada da CBF.
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