"); texto = (texto + "

  Fechar Janela"); texto = (texto + "

" + comentario + "
" + creditos + "
"); texto = (texto + "

Fechar Janela  
 

Hosted by www.Geocities.ws

"); msgWindow=window.open("","","toolbar=no,directories=no,status=yes,width=600,height=500,location=no,scrollbars=yes,resize=no,menubar=no") msgWindow.document.write(texto) msgWindow.document.close() } //-->
  

Fechar janela

Prof Caspar Stemmer. Um pouco de história...

  

Amigos, 

Para quem não lembra mais, encaminho abaixo matéria publicada na Gazeta Mercantil de 26/02/2002 sobre o Prof. Stemmer. Abraços, 

Cristiano V. Ferreira

   

Histórias do homem que iniciou a Faculdade de Engenharia Mecânica da UFSC e ajudou a Weg a se tornar líder em motores elétricos 

26 de Fevereiro de 2002 - Olhares cheios de complacência acompanham a figura de Caspar Stemmer enquanto ele desliza - passos curtos - pelos corredores da Escola de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina. Os professores o reverenciam e os funcionários abrem as portas para ele. Dos alunos, somente os mais antigos ou antenados são capazes de reconhecê-lo. Cabelos totalmente brancos, aposentado há dois anos, o fundador da escola ainda circula pelos corredores, salas e laboratórios da faculdade. Em ocasiões especiais, cabe a ele recepcionar visitantes ilustres, a quem costuma brindar com histórias dos últimos quarenta anos - o tempo da universidade federal catarinense. O professor Stemmer também ajuda em projetos de pesquisa e faz pontes com engenheiros de outros países, principalmente da Alemanha, onde cultiva relações fundadas no início da carreira, na década de 50. E faz questão de não perder eventos onde possa contar episódios sobre as origens da sua faculdade - conceito A no ranking das melhores do país desde o início da década de 90 - e de empresas como a Weg, com quem montou uma frutífera parceria ainda na década de 60. 

´Eu nasci em Novo Hamburgo, no vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, em 1930. Fiz o colegial em Porto Alegre, numa época em que havia na cidade três grandes colégios: o Rosário, dos irmãos maristas, o Anchieta, dos jesuítas, e o Julio de Castilhos, o Julinho, do Estado. O ensino público era então de boa qualidade. Fiz parte da equipe de elite do Julinho e tirei o primeiro lugar no vestibular de engenharia mecânica com nota 9,29.´ 

´Meu pai era vendedor de máquinas para a indústria de curtumes e de calçados. Quando rebentou a Guerra (1939-1945), ele ficou praticamente sem emprego. Um curtume queimou e a máquina principal - aquela de medir couros - fundiu, e meu pai a comprou pelo valor de sucata e a reconstruiu, com minha ajuda. Eu devia ter uns 15 anos. Isso me deu certo interesse pela mecânica. No curso de mecânica elétrica, em Porto Alegre, eu levava grande vantagem sobre os outros alunos porque, tendo meu pai falecido, para ganhar a vida eu trabalhava meio expediente como eletricista da Casa Bromberg, que tinha um setor de engenharia e dava assistência técnica. Comecei lá como eletricista, fui correspondente, vendedor de elevadores e acabei chefe do departamento de engenharia. A função era muito difícil porque vinha um cara e queria uma bomba, vinha outro e pedia um cabo para transportar madeira de um morro para o outro; outro queria uma câmara frigorífica, outro queria uma turbina para gerar energia. Mil e um problemas, todo os dias. Era preciso estudar nos livros, à noite.´ 

´Em 1956, de volta de uma missão no interior, encontrei sobre a minha mesa uma carta do Rotary Clube, que eu sabia apenas ser um clube de homens importantes. O Rotary Clube de Novo Hamburgo queria conquistar a bolsa que o Rotary Internacional oferece todos os anos em nome do entendimento internacional. Me indicaram como capaz de ganhar a bolsa. Eu tinha contra mim o fato de estar casado desde 1954 com minha colega de curso Helena Amélia. Convenci o Rotary a dar-me a bolsa e iríamos com duas bolsas, pois eu financiaria a da minha mulher, engenheira civil que se tornaria a responsável pelo cálculo dos maiores prédios de Porto Alegre. Entre 1957 e 58 moramos em Hagen, na Alemanha. Lá eu vi o que era engenharia mecânica. Havia 10 cursos de especialização e 120 disciplinas. Hagen era famosa como centro de engenharia de máquinas-ferramenta, que virou minha especialidade.´

´Quando voltei a Porto Alegre, no começo de 59 me convidaram na UFRGS para ser assistente de um professor francês que viria dar aulas na engenharia sobre construção de máquinas. Na hora H o francês não veio e eu assumi a cadeira que seria dele. O curso de engenharia mecânica era pobre e obsoleto. Fiz uma proposta de mudança do currículo. Deu uma briga tremenda. Ninguém queria mudar as coisas.´

´Em 1962, quando foi criado o curso de engenharia mecânica em Florianópolis, o diretor, professor Ernesto Bruno Cossi, engenheiro civil, ótimo matemático, que fora meu colega no curso em Porto Alegre, me pediu o projeto de currículo recusado em Porto Alegre e me convidou para dar aulas. Eu vinha de 15 em 15 dias e dava aulas nos fins de semana. Nos dias normais as aulas eram dadas por assistentes locais. Escolhi meus melhores alunos de Porto Alegre - alguns catarinenses - e os convenci a vir para cá. Em 1965 eu vim de vez como diretor do curso de engenharia. Os professores mais experientes ainda eram da engenharia de Porto Alegre. A escola era pobrinha, ficava na Fazenda da Molenda, um terreno grande no centro de Florianópolis. Arrumaram o antigo estábulo, fizeram uns galpões.´ 

´A escola cresceu porque eu tinha o apoio decidido do reitor e alguns princípios de que não abria mão. O principal é que o professor tinha de ser em tempo integral e os alunos também. E também tínhamos de ter um relacionamento intenso com a indústria, através do estágio obrigatório, decidido numa assembléia de alunos por 99 a 1. Nas férias um jovem de 19 anos não podia ficar três meses em casa sem fazer nada. Devia aproveitar esse tempo para fazer estágio nas empresas.´ 

´Visitei grande número de empresas para convencê-las de que não poderíamos formar engenheiros de qualidade se os empresários não oferecessem espaço nas empresas a fim de que os jovens convivessem com problemas práticos. Mais tarde fui aos Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado, e visitei 30 universidades americanas. Na Universidade de Cincinatti havia um grande programa chamado 'curso sanduíche': o pessoal trabalhava uma semana na fábrica e estudava uma semana. Com isso praticamente se dobrou o número de engenheiros treinados, mediante um revezamento. Depois se chegou à conclusão de que o ciclo ideal era de três meses na indústria e três meses na universidade. Tentei implantar isso mas concluímos que era muito revolucionário. Ficamos numa solução intermediária. Nós exigimos agora um semestre de estágio. Interrompemos o curso na nova fase, o aluno fica um semestre na indústria, e depois volta para um polimento final na décima fase. Isso deu um resultado enorme. Em Boston existe uma universidade com 30 mil alunos. Todos têm estágio no final do curso. Mesmo os alunos de História ou de Línguas. Eles fazem estágio em hotéis, que têm interesse nisso, ou agências de turismo.´

´Certa vez fui na Caetano Branco, uma indústria de máquinas agrícolas, em Joaçaba. Lá o dono da firma mostrou um motor pequeno, para trilhadeira, que ele havia construído. Queria saber quantos motores havíamos feito. Respondi que nosso objetivo não era esse e sim preparar gente qualificada. Perguntei-lhe como sabia que aquele motor tinha nove HP. Ele disse que por dedução, comparando com um motor americano de oito HP que tinha menos força. Perguntei-lhe por que fizera todas aquelas aletas grandes e não aletas de tamanhos diferentes, como nos motores Volkwagen. Ele disse que isso era economia porca dos alemães. Expliquei que isso era resultado do estudo da função das aletas. O objetivo da aleta não é resfriar, mas manter a temperatura uniforme, para que o motor não se deforme.´ 

´Um mês depois apareceu na faculdade um carro Galaxie, o melhor da época. Era um dos donos da Caetano Branco. Ele trouxe o motor para nós testarmos e ofereceu vaga para três estagiários. Escolhi os três e fiz uma preleção para eles. 'Olha, vocês vão lá e, pelo amor de Deus, não fiquem escondidos atrás das caixas tomando cafezinho. Se o primeiro estagiário falhar, as portas estarão fechadas. Se, em dez estagiários, apenas um falhar, a indústria absorve. Qualquer problema, me telefonem.' Esses três rapazes fizeram o projeto da nova fundição da Caetano Branco, que o utilizou para conseguiu um financiamento do BNDES.' 

´Em Blumenau, na Eletro Aço Altona, o fundador da firma era um alemão. Perguntei por que seu neto não ia estudar engenharia em Florianópolis. 'Pelo amor de Deus', disse ele, 'Florianópolis é uma terra de vagabundos, funcionários públicos e gente que só pensa em praia...' Argumentei que estávamos fazendo uma coisa diferente. Ele veio aqui e eu mostrei os laboratórios e o programa. Ele autorizou então o neto a vir aqui. E depois o filho dele, Bernardo Wolfgang Werner, foi o presidente da Fiesc e fizemos uma boa amizade.' 

´Depois fizemos a Semana da Universidade Aberta. Trouxemos o pessoal da indústria para mostrar os laboratórios e oferecemos o nosso apoio. No início não havia muitas indústrias mas, além da Eletro Aço Altona em Blumenau, havia a Consul e a Tupy em Joinville. Bater um papo em alemão com os diretores abria as portas e gerava um elo de confiança. O resultado foi excepcional. O presidente da Weg, Décio Silva, foi aluno nosso. O presidente da Embraco, Ernesto Heinzelmann, foi aluno nosso. O diretor da Eletro Aço Altona, Alcantara Correa, foi aluno nosso. Temos ex-alunos em posições-chave na indústria catarinense. O presidente da Fiesc, José Fernando Xavier Faraco, foi aluno nosso. O Arruda, diretor do Senai, também. Sergio Gazzoni, diretor do Sesi, foi aluno nosso.´ 

´Durante a pesquisa com os servo-motores, tivemos dificuldades com os ímãs, importados do Japão e dos Estados Unidos. Eles utilizam terras raras, de fácil oxidação; a sinterização tem de ser feita em ambiente especial, é tudo complicado. No departamento de materiais da Mecânica fizemos uma quantidade enorme de ensaios. Foi uma experiência muito interessante. Chegamos à conclusão de que não valeria a pena fabricar isso aqui no Brasil. Teríamos problemas com o volume de produção. Concluímos que seria melhor importar.´

´O meu departamento criou a Sociedade Brasileira de Comando Numérico que promoveu seminários com a participação de mais de cem empresas, principalmente de São Paulo. A gente trouxe a experiência mundial para criar o conceito de incubadora de empresas. Em consequência hoje existe o Certi - Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras. O ex-governador Vilson Kleinubing, que era da área de informática, tinha um entusiamo muito grande por tudo isso. Criou-se o conselho de implantação de empresas de tecnologia, do qual eu fui o secretário-executivo. Participaram a Prefeitura de Florianópolis, o Certi, a Celesc, a Telesc, o governo do estado, que construiu um prédio próprio para isso no início da rodovia SC-401, aqui na ilha de Santa Catarina. É o que chamávamos Tecnópolis. Lá tem trinta e tantas empresas atuando.´ 

´O primeiro projeto de pesquisa que eu fiz foi para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Quando cheguei lá, no Rio, o analista riu na minha cara. Disse que mecânica era em São Paulo. Florianópolis, segundo ele, teria de ser hotelaria, turismo e outras coisas mais. Essa história está contada na palestra que fiz em 3 de dezembro de 1999, quando me deram o título de professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina.´ 

´Estive três vezes em Brasília. Primeiro no MEC com Ney Braga por dois anos na década de 70. Cuidei do programa de pesquisa nas universidades. Em 89 fui coordenador do programa de apoio ao desenvolvimento científico e tecnólogico, que tinha US$ 300 milhões anuais para pesquisa. Depois fui secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia na gestão de José Israel Vargas. Fui reitor da UFSC de 76 a 80. Tenho livros publicados. Livros-texto, para estudantes de engenharia. Construção de Máquina-Ferramenta, resultado de aulas em Porto Alegre.´ 

Geraldo Hasse de Florianópolis


Nota publicada no www.ufsc.br 

Notícias 06-03-2002 16:45 
Professor Stemmer ganha sala de trabalho no Centro Tecnológico

O ex-reitor e professor emérito da UFSC, Caspar Erich Stemmer, ganhou uma sala de trabalho junto ao Laboratório de Mecânica de Precisão (LMP), do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC. De acordo com o coordenador do laboratório, professor Walter Weingaertner, o professor continua atuando na instituição e seus conselhos são de grande importância para o desenvolvimento de projetos no laboratório. 

Caspar Erich Stemmer veio para a UFSC em 1965, cedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A partir dessa data, sua vida confunde-se com a história da antiga Escola de Engenharia Industrial, que deu origem ao atual Centro Tecnológico da UFSC. Sua trajetória liga-se, em especial, com a história da Engenharia Mecânica da UFSC – tanto na graduação, como na pós-, consolidada como uma das melhores do país.

Foi em 1968 que o professor recém-formado em uma especialização na Alemanha assumiu a direção da antiga Escola de Engenharia Industrial. Como segundo diretor da EEI, consolidou o Curso de Engenharia Mecânica, propôs a criação dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Elétrica, além de coordenar a implantação do programa de pós-graduação em Engenharia Mecânica – o primeiro da UFSC. Em 1976, assumiu a reitoria, estendendo a diversos setores da universidade princípios que, em sua opinião, são decisivos na busca do ensino de qualidade. 

Na determinação de colocar seu conhecimento, sua experiência e capacidade de trabalho a serviço da Ciência e Tecnologia, exerceu também diversos cargos administrativos, como o de Coordenador do Programa de Expansão e Melhoramentos das Instalações do Ensino Superior (Premesu), junto ao Ministério da Educação, e de Secretário Executivo e Secretário de Desenvolvimento Científico do Ministério de Ciência e Tecnologia. 

Contatos com o Laboratório de Mecânica de Precisão [email protected] 


Fechar janela

Texto recebido em 05/03/2002         www.geocities.com/mec95ufsc

Hosted by www.Geocities.ws

1