[História] [Personagens]
ATENÇÃO: Não faço apologia a drogas, ao contrário, sou totalmente contra elas, pois causam males irreparáveis ao consumidor e as pessoas que estão ao seu redor. Mas cada um sabe de sua vida, e não vou dar sermões em ninguém! Essa fic contém muita violência, mas não tem lemon e não é yaoi, fiz ela por causa de um desafio! =P
A escola parecia deserta, ninguém falava, ninguém se mexia, apenas esperavam-na passar. A Ninja Kavazaki fora deixada na calçada, ainda com a chave na ignição, não se atreviam, sequer, tocar na moto, pertencia a Beldade do Ébano: Iansã Ajogún. Os alunos se amontoavam nas janelas e portas da escola, professores se escondiam nos quadros negros, pavor era o aroma que deixava ao passar, e todos sabiam do que ela era capaz. Ela entrou na sala de aula, sentou-se na última carteira encarando o professor, ouviu-se o grito agudo do sinal.
- Vai demorar muito pra começar a aula?! – indagou irritada com a afobação do professor.
- Na-não senhora! – tremia ao responder, virou-se de costas passando a lição na lousa, não sabia porque continuava nessa escola, era a mais perigosa de todo o país! Pensava em até largar a profissão, não agüentava a pressão de ter em sua sala uma das mais perigosas criminosas que já existiram! E não tinha como fugir, outros professores tentaram sair, e todos foram mortos, ou pelo grupo de Iansã, ou pelo grupo rival, os Samedi!
Havia uma guerra, onde aquela pequena escola de ensino médio era a zona neutra, não poderiam brigar lá dentro, mas a atmosfera quando os dois grupos se chocavam era angustiante. Lutavam por poder, para ver quem era o grupo de traficantes mais poderoso, esta batalha existe desde muito tempo, décadas talvez, o que se sabe realmente, é que ela matou mais pessoas do que uma guerra. Muitos alunos não iam à escola, os que iam eram de alguma das facções, e viviam disputando, mesmo que não tivessem nenhuma ligação com qualquer dos grupos... Simplesmente não havia saída!
- O que aconteceu, Axogum?! – indagou Iansã levantando-se, indo em direção ao homem todo de preto, conversaram em um tom baixo, irritada, saiu da sala – Essas merdas do Samedi já estão me torrando!! E porque você não acabou logo com esse lixo, Axogum?! – esbravejava enquanto andava em direção ao pátio da escola.
- A senhora mandou que eu não interferisse quando isso acontecesse. – falou sem emoção e baixo.
- Tá! Eu esqueci disso! – chegou ao pátio, avistando cinco rapazes mexendo com os outros alunos, acabavam de pegar uma menina que se debatia no meio deles, a bolinavam e batiam – Eu odeio lixo! – falou alto chamando a atenção, largaram a menina indo confiantes a sua direção.
- Ora, ora, quem nos deu o ‘prazer’ de pintar por aqui?! – falou o líder – A gente falou com o seu capa-preta, aí, mas não gostei da cara de Frankenstein dele, não! – rindo encarou Axogum, enquanto este se permanecia impassível, se aproximou mais de Iansã a rodeando – Você é muito mais gostosa do que dizem, princesa!
Iansã riu irônica, colocando a mão nas ancas – Você é carne fresca aqui, né?!
- Adivinhou, princesa! Eu e os meus amigos conversamos com um certo ‘amigo’ seu, e ele disse pra gente vir aqui te ver!
- Mas que maravilha, não é Axogum?! – continuou irônica, dirigindo-se ao companheiro.
- Posso matar eles agora?! – indagou perdendo sua paciência.
Iansã suspirou – Não, eu preciso que você vá até o seu querido irmão, e diga que eu tenho pressa com o meu boneco! – encarou os rapazes sorrindo - Desses idiotas, cuido eu!
Viu-o comprimir os olhos, retirar uma faca de serra de sua jaqueta atirando rapidamente na cabeça de um dos invasores, ao vê-lo cair no chão, virou-se se retirando.
- HEI MALUCO!? – gritou irado um dos rapazes, sacando sua arma mirando em sua cabeça.
Iansã no mesmo instante sacou suas duas magnuns das costas, dando um tiro na garganta - NÃO GRITE NA MINHA ESCOLA!! - e mirando com a outra para o líder do bando, continuou mais irritada: - Escutem aqui, seus manés, SAÍAM DAQUI AGORA! SE VOCÊS NÃO CONHECEM AS REGRAS, O PROBLEMA É DE VOCÊS!!
O líder assustado por perder tão rapidamente dois de seus companheiros ergueu as mãos sorrindo trêmulo – Calminha, princesa! Foi o seu capa-preta que começou!
- PRINCESA O CARALHO!! – atirou em um outro no rosto – E eu tô pouco me fodendo pra quem começou!! Só sei que cinco IMBECIS invadiram a escola, o que NÃO PODE ACONTECER!!! – viu os outros alunos, professores esconderem-se no canto da quadra todos encolhidos, protegendo-se dos tiros, encarou os dois últimos guardando as armas nas costas, começou a andar em direção a eles novamente sorrindo – Mas eu vou ser legal com vocês! – correu dando uma voadora nas costas do que tentava fugir, o líder permaneceu paralisado apenas assistindo, pisou com os pés em suas costas, puxando seus dois braços para trás, deslocou o primeiro ombro, ouvindo-o urrar de dor – Vou contar uma historinha, por isso fica quietinho! – esmagou, com o salto da bota, as costas, escutava-o gemer e se contorcer de dor – Era uma vez, dois inimigos mortais, que se odiavam muito – puxou o outro braço, fazendo com que o som de seus ossos quebrados ecoassem pelo pátio - E certo dia – soltou seus braços, ajoelhou-se sobre ele, puxando sua cabeça pelo cabelo, continuando: - Decidiram que no lugar em que um estivesse o outro não poderia invadir, porque se isso acontecesse, o invasor sofreria as conseqüências – o rapaz chorava e implorava para que ela o soltasse, riu batendo a cabeça dele por diversas vezes no chão, batia com mais força, e a cada batida soletrava gritando o seu golpe: - E.S - o piso começava a ficar vermelho com o sangue, o som dos ossos esmigalhando-se contra a violência dos golpes era pavoroso – C.A.L - bateu mais uma vez com toda sua força, arrancando parte de seu couro cabeludo - P.O!! - levantou, jogando o chumaço ensangüentado para o único sobrevivente, que estava tremendo dos pés a cabeça, com as calças molhadas, e extremamente pálido. O viu arregalar os olhos quando sacou novamente sua arma e atirar contra seu coração, sorriu mais uma vez para os mortos: - e Fim!
- SENHOURA AJOGOU!! – gritou a mulher americana de cabelos loiros quase brancos, baixa e gorda, com uma camisa e shorts beges, meia preta até a metade da perna, e o tênis branco, aproximando-se rapidamente furiosa – Eu já falar pra senhoura no matar no escola! Eu ter muitos preocupação!
- Eu sei, senhora Louise! – bufou, e irritada continuou – Mas tô no meu direito de revidar! Eles invadiram a escola!
- Eu no querer saber!! Me acompanhar agoura! – retrucou com sotaque, retornando com Iansã, que a seguiu sem alternativas, o rosto da americana parecia que iria explodir de tão vermelho, passou pela secretaria chutando todas as portas, e entrando em sua sala sinistramente decorada com cabeças de alce, elefante, e tigre espalhadas pela parede, um tapete de urso, vários animais empalhados, um vaso grande com penas de avestruz, e a mesa de madeira escura abarrotada de papeis. Sentou-se em sua cadeira verde e erguendo seu dedo roliço balançando-o freneticamente enquanto dava seu sermão, Iansã revirou os olhos, ciente do que iria ouvir.
- Escuta aqui, diretora, eu não tô com tempo pro seus sermões intermináveis! Eu tenho mais o que fazer, já vou! – abrindo a porta para sair.
- No querer ver mais a senhoura no semana! And limpar sua garbage!!
Iansã bateu a porta, retirando o celular de sua jaqueta enquanto se dirigia até sua moto: - Alô, Ogã!?
- Sim, Iansã, eu já sei! Estou mandando o pessoal pra fazer a limpeza. – respondeu um homem de voz grossa.
- Eu não agüento mais essa americanazinha! – subiu na moto – Temos que ver outra diretora!
- Creio que não.
- E por que não!?
- Não há outras, ninguém é tapado o suficiente pra ficar aí! E mais uma coisa, não mande mais o Axogum dar recados pro Ifá, você sabe como ele fica!
Iansã riu consigo, ligando a moto – O que ele fez durante o caminho?!
- Explodiu três carros, atropelou dezessete pessoas, pegou a arma e saiu atirando livremente, essa brincadeira, ou melhor, pra limpar ela, custou dez mil, caríssima!
- Deixa ele se divertir, Ogã!
- Não é questão de deixar ele se divertir ou não! Ele fica muito nervoso, não se acalma facilmente!
- E qual é o problema!? Ele é bem mais sociável assim! – riu, acelerando a moto, o ouviu suspirar do outro lado da linha – Tá eu prometo que não faço mais isso!
- Ótimo, e você vai pra aula de canto agora?
- É, vou, não suporto essas aulas, são um porre!
- Mas para o que você pretende...
- Eu sei! – falou séria – Vou desligar, e passar em um lugar pra engolir qualquer coisa, tchau! – desligou o celular, colocando o capacete e arrancando com a moto.
~oOo~
O Mcdonalds parecia um campo de batalha, varias pessoas estiradas mortas por cima das mesas, no chão amontoadas, os que sobreviveram, se desesperavam gritando e chorando, Iansã se protegia por detrás de uma mesa, a qual derrubou para se proteger dos tiros que vieram como chuva por todos os lados.
- NÃO VAI APARECER, MENINA?! – ouviu a voz zombeteira de seu inimigo do lado de fora – POR ACASO ESTÁ COM MEDO DE UMAS BALINHAS?!
- Maldito Barão! – murmurou colérica consigo, pegou suas armas, verificando os canhões com apenas duas balas cada um – Merda! – aproximou-se sorrateiramente até a janela, vendo Samedi encostado em seu carro, vários de seus capangas armados com metralhadoras, e um de seus brinquedos favoritos: um tanque-robô com três metros de puro aço, um arsenal de armas, conseguia disparar mais de cem tiros por segundo, com total liberdade de movimento, era rápido e mortal, voltou para sua posição para trás da mesa, ouviu uma explosão colossal, sorrindo automaticamente: - Demorou, querido!
Do lado de fora, Axogum, pilotando em alta velocidade uma moto com duas bazucas anexadas em suas laterais, atira dispersando a barreira formada na entrada do Mcdonalds.
- MATEM ESSE CRETINO!!! – ordenou Samedi, se escondendo dentro do carro e fugindo, a tempo de ver seu robô atirar ininterruptamente contra o segurança de Iansã.
Axogum soltou as duas bazucas de sua moto, mais leve conseguiu desviar dos tiros, correndo o mais rápido que podia em direção aos homens de Samedi, o robô sem distinguir seus aliados, atirou em todos, Axogum em uma manobra rápida, deitou a moto, pulando logo em seguida para um arbusto, a moto chocou-se violentamente com a parede do Mcdonalds, o tanque-robô não parou de atirar em direção a moto.
- DESLIGUEM, RÁPIDO ANTES QUE MATE TODO NÓS!! – gritou um dos sobreviventes num rádio, vendo-o parar imediatamente, como se apenas o tirassem da tomada, buscou com o olhar outros, vendo alguns se reerguer, colocou-se de pé erguendo os braços sorrindo.
– CONSEGUIMOS PESSO... – seu grito parou no meio, sentiu uma bala passar por seu corpo, virou-se em direção ao Mcdonalds vendo Iansã surgir, com sua arma em riste, no meio dos escombros, caiu no chão morto antes de ver o retorno dela.
Iansã correu com o punho erguido acertando um soco de esquerda no rosto de um que estava próximo de si, fechou os punhos dando mais dois socos em ambas orelhas ao mesmo tempo, gritou enlouquecida de raiva: - ENTORPECE!! – desceu com os punhos nos ombros, o homem se contorce de dor, grita novamente: - ECLODE!! –pegou sua cabeça pela nuca, puxa sua cabeça cinco vezes contra seu joelho, gritando a cada batida: - ENLOUQUECE!! – ela solta o homem quase inconsciente, e antes que caísse no chão, ela o chuta nas costas: - ENGANA!! – ele voa para longe dela, volta a correr pulando em cima de suas costas, puxando os braços para trás, deslocando-os: - ENSINA!! - ofegante, solta seus braços, tirando do cinto as duas magnuns e atirando em seus ombros, finalizando seu golpe urrando: - TORTURA CRACK!!!
Seu grito ecoou pela rua, todos assistiam a cena pasmos com sua perversidade, após, uns correram para salvar suas vidas, alguns atiraram contra ela, que se protegeu erguendo, como uma barreira, o corpo do palhaço do Mcdonalds, que estava entre os mortos pelo chão, correu até Axogum, que saíra do arbusto, entregando a ela duas shot-guns, e metralhando o restante. Após o massacre, Iansã, jogou as shot-guns no chão irritada e gritando: - EU VOU ACABAR COM A RAÇA DAQUELE MALDITO FILHO DA PUTA!!!
- Iansã, o Ogã quer falar com você! – Axogum estendeu o celular, ela pegou de sua mão bruscamente.
- Eu quero saber se o meu boneco já está pronto!?
- Não sei ainda, o Ifá não mencionou nada comigo!
- Então DÁ UM JEITO DE FALAR COM AQUELE CIENTISTA DOS INFERNOS!! EU QUERO ACABAR LOGO COM ISSO!!!
- Gritar não vai resolver o seu problema! Acalme-se e saía daí! Vá pra aula de canto, que eu converso com o Ifá.
- Merda! Ainda por cima eu tô atrasada! Mas é bom mesmo você falar com aquele cientistazinho de araque, e qualquer coisa me ligue! – desligou entregando o celular de volta a Axogum, viu seus homens chegando em carros, verificando se havia algum sobrevivente, e caso houvesse os matariam. Por fim, encarou o tanque-robô estático: - Destrua essa máquina, Axogum! – se retirou em um dos carros, ouvindo, ao longe, o som das sirenes da polícia.
~oOo~
- Senhorita Iansã, precisa melhorar os seus agudos! Estão péssimos!! – comentou a professora, recebendo um olhar raivoso – E não adianta me olhar assim, criança! Se não melhorar nunca vai conseguir cantar direito!
- Mas essas merdas de agudos não saem!!
- É porque a senhorita não tem empenho em cantar! Os agudos saem de dentro da alma, senhorita! Ouça! – a professora colocou a mão no peito, cantando magnificamente, terminou encarando-a – Agora, faça!
Iansã se concentrou em seus planos, precisava saber aqueles agudos para cantar com perfeição a evocação! Fechou seus olhos e cantou, sua voz saía com harmonia e ritmo, a melodia doce transformou-se em delírio auditivo, a professora aplaudia com vigor – Muito bem, senhorita! Foi ótimo, agora treine mais!!
~oOo~
- Ifá eu preciso saber como anda o projeto!! Pare de ser tão infantil! – irritava-se Ogã, sobre a mesa do irmão, estava lá há horas tentando convencê-lo, mas se negava piamente.
Ifá rodou sua cadeira, ficando novamente de frente para seu irmão, sorriu cruzando as pernas – Eu infantil?! Ora, meu querido, quem está batendo os pés no chão aqui é você! – continuou mansamente - Não posso e nem vou contar algo que não lhe diz respeito! – tocou no queixo de seu irmão, encarando-o sadicamente – E se você continuar, vou te dar umas palmadas!
Ogã deu um tapa na mão de Ifá afastando a sua – Não brinque comigo, eu não sou como o Axogum!
Encarou-o magoado acariciando sua mão – Você me machucou! – virou-se de costas novamente, enrolando o cabelo nos dedos – E é lógico que você não é igual ao Axogum! Você passou muito tempo longe de mim! – sorriu malignamente pelo canto do olho, murmurando: – Você não agüentaria muito tempo! – levantou-se da cadeira, abrindo a porta para que Ogã se retirasse – Quando a pequena chegar, mande-a vir falar comigo! E saía do meu laboratório, querido irmão!
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Iansã entra no escritório de Ogã e o vê sentado pensativo em sua poltrona, o chama duas vezes sem que ele responda, senta-se no divã, tira sua arma do cinto, a engatilha e atira perto de seu rosto, Ogã se levanta assustado encarando-a.
- Pensativo!? – indaga irônica, cruzando as pernas.
- Você é muito parecida com o Ifá! – falou irritado.
- Não sei se devo considerar um elogio, mas falando nele, o que disse?
- Que não fala com mais ninguém a não ser você!
- Ele realmente adora importunar vocês dois! – riu da expressão zangada de Ogã, levantou-se suspirando cansada – Vou falar com ele então! E procure relaxar um pouco, Professor! - saiu percorrendo um longo corredor, parando em uma porta de ferro automática, digitou uma senha, colocou sua mão sobre um gel abrindo-a, desceu uma escada, entrando dentro de um elevador, pressionou o último botão, digitando mais uma senha, afastou-se vendo a porta se abrir mais uma vez, sendo recepcionada por Ifá que já a aguardava – Mas que saco tudo isso, heim?!
- É para a minha segurança, caríssima! Já imaginou eu nas mãos do Barão?!
- Nem brinca! – falou séria – E cadê o boneco?!
- Você chega nem cumprimenta! Não foi assim que eu te ensinei, mocinha! – falou rindo.
- Oh! Tem razão! – entrou na brincadeira – Perdão! – pegou na mão de Ifá beijando-a levemente, ambos sorriram – Como você está, meu querido?!
- Agora sim! – pegou em seu braço a conduzindo - Muito bem, venha – entraram em uma sala cheia de computadores e pessoas todas de branco transitando – O nosso bebê está muito rebelde, os testes com ele foram bons, mas não satisfatórios!
- Como assim?!
- Olhe aqui – apontou uma tela enorme com o corpo do voodoo, apertou um botão, mudando a tela para o esqueleto dele – O tudo isso que você está vendo, é de titânio puro, tem bastante resistência e é leve! - apertou mais um botão, surgindo toda a musculatura e nervos sintéticos – A pesquisa que eu fiz sobre as células-tronco foi perfeita, consegui desenvolver a musculatura com o aço nuclear...
- E qual é a diferença do aço comum!?
- A liga desse aço é cem vezes melhor! – falou gesticulando como se fosse uma banalidade - As fibras, ou ligamentos nervosos, também funcionam maravilhosamente bem, assim como a pele – modificou a tela – que além de ser resistente e gordurosa, tem sedativos fortes. – sentou-se em uma cadeira - o único problema mesmo – mudou mais uma vez a tela – é a lubrificação da musculatura!
- E precisa ter?
- Claro! Você não vive sem sangue! Os músculos e as fibras vão precisar de uma certa oleosidade por causa dos movimentos, ainda mais o que você quer usar! Todas as substancias que eu testei falharam, só uma durou mais tempo?!
- Qual?!
- Silicone líquido! – suspirou, indicando uma cadeira a ela – Se ele apenas se movimentasse não teríamos problemas, mas se ele usar qualquer um dos seus suprimentos extras, ele vai explodir!
- Explodir?! Mas por que? Não é feito pra resistir?!
- É, mas a carga de calor que ele vai ser submetido ultrapassa os limites, e o silicone vai evaporar rapidamente, fora as contrações dos músculos, ele não tem nenhum órgão evidente, mas possui membranas que reagem exatamente como o órgão.
- Então esse lero-lero todo era só pra dizer que eu não vou poder usar os poderes extras dele?!
- Isso mesmo, minha querida! – concordou sorrindo.
Socou a mesa irada – Que merda! Se eu usar vai explodir?! Não tem nada que impeça?!
- Infelizmente, não! Mais um detalhe, se ele explodir, tudo que estiver dentro dele, será espalhado rapidamente – ela o olhou confusa, sorriu pérfido, continuando: - ou seja, vai haver uma contaminação em massa!
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Iansã caminhava pensativa pelos corredores pichados da escola, se matasse todos os Samedis poderia ter uma vida mais tranqüila, conseguiria controlar todo o tráfico sem ter que se preocupar com sua segurança a cada momento, ouviu os passos silenciosos de Ogã: - Pensativa?!
Ela riu: - Um pouco, queria ter um pouco de sossego, mas estou vendo que vai ser muito difícil enquanto aquele cretino continuar vivo!!
- Por que você não propõe um acordo com ele?
Ela o encarou surpresa: - Ainda bem que eu sigo os conselhos do Ifá, e não os seus! Se assim fosse, eu estava morta!
- Não é bem assim! – retrucou magoado, ela o puxou pelo braço, andando lado a lado.
- Não, mas eu estaria morta! Nem sei por que eu ainda venho na escola!
Ele se soltou de seu braço, andando mais à frente: - Talvez por você querer uma vida comum...
- É... talvez – sorriu triste – eu poderia ser uma menina qualquer, ou até mesmo uma cantora, não é?!
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Era madrugada ainda, quando as explosões começaram, vários tanques-robôs de Samedi avançavam para o topo da Favela Ajogún, destruíam tudo que havia pela frente, pessoas corriam desesperadas.
- IFÁ EU PRECISO DO MUZENZA AGORA!!! – Iansã gritava nervosa com a situação, sendo observada por Ogã e Axogum – O desgraçado está avançando muito, já matou praticamente metade dos meus homens!
Ifá permanecia impassível com pernas e braços cruzados, encostado a uma parede e de olhos fechados, suspirou: - Está bem, Iansã! Vou prepara-lo, mas você precisa iniciar o ritual na plataforma, é você quem vai controlar os movimentos dele, não se esqueça disso!
- Eu sei, desde que pensei nisso eu já estava preparada pra morrer!
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O céu negro e carregado previa o destino daquela luta, em uma plataforma aberta, um menino nu amarrado a um altar de pedra, aguardava a sua Loa, sua deusa maligna, um trovão rompeu no céu, e Iansã, apenas vestindo uma saia-manto branca, com os seios rijos a mostra, segurava uma pequena faca, aproximou-se da criança fechando-lhe os olhos com a mão, e murmurando sua canção perfurou seu coração, o grito amedrontado vibrou, surgindo atrás de Iansã, o voodoo Aze Muzenza, ela abriu o pequeno peito com a faca, arrancando o coração, passando-o por seu corpo, manchando-se com o sangue inocente, cantava com mais força e vigor, iniciou uma dança sensual e tribal, seu corpo movimentava-se por conta própria, a sede, o desejo, a lascívia, a carne, o sangue, brotavam de si. O voodoo vibrou, seu rosto costurado, contorcia-se de dor, a alma inocente fora aprisionada, não poderia sair, e Iansã cantava e dançava com toda a sua existência:
“Manbo Eléebo, Efun-Iaô, Eléebo-runko! Damballah Loa! VOODOO!! Manbo Eléebo, Efun-Iaô, Eléebo-runko! Damballah Loa! VOODOO!! Manbo Eléebo, Efun-Iaô, Eléebo-runko! Damballah Loa! VOODOO!! Manbo Eléebo, Efun-Iaô, Eléebo-runko! Damballah Loa! VOODOO!! Manbo Eléebo, Efun-Iaô, Eléebo-runko! Damballah Loa! VOODOO!!”
Mais um trovão rasgou o céu, Muzenza uivou para os deuses infernais, andou, inicialmente, cambaleante destruindo as casas e barracos por onde passava, os homens de Samedi encararam apavorados o mostro a sua frente, mal acreditavam no que viam, todos fugiam numa só direção, mas o odor que ele exalava era terrível, a carne podre, o cheio de morte, misturados a um doce e inebriante, muitos não conseguiram mais correr, seus corpos estavam presos a sedução de Muzenza.
Samedi engoliu seco, sentia um tremor por seu corpo, mas não desistiria de lutar, mandou que seus tanques-robôs avançassem e destruíssem o monstro, atiravam mísseis, bombas mas nada o feria, ele desviava de cada tiro, e os que acertavam eram repelidos a voltar, Muzenza puxou de sua cintura um cilindro metálico, surgindo uma intensa luz roxa, formando uma espada fluorescente, correu com leveza, como se seus vinte e seis metros não importassem, cortou os tanques como se fossem de papel.
Iansã estava com os olhos brancos, completamente em sintonia com o voodoo, Axogum assistia a tudo atentamente, Ogã preocupado, por não poder ajuda-la, e Ifá permanecia calado, apenas assistindo a destruição que a sua criatura causava.
Muzenza já havia destruído com a espada praticamente todos os tanques, quando a largou, pegando o segundo tubo e injetando em sua pele... Iansã gritou, Ifá jogou mascaras de gás para seus irmãos... O ar ficou pesado, o cheiro de haxixe era estonteante, o poder alucinógeno e paralisante era impressionante, pessoas caíram no chão contorcendo-se e gemendo, de prazer ou dor, não tinham mais seus sentidos, estava tudo sob o poder do demônio-voodoo.
- Merda! – murmurou sob a mascara Ifá.
- O que está acontecendo, Ifá?! – indagou Ogã sem entender o que acontecia.
- O voodoo está controlando ela! – falou irritado – Ele vai se destruir!
Muzenza pegou o terceiro tubo metálico, injetando-o mais uma vez na pele, urrou tremendo dos pés a cabeça, seus movimentos eram mais rápidos e mortais, destruiu mais da metade dos que haviam restado com apenas um movimento de braços e pernas, saltou fazendo com que o chão tremesse, não havia mais o exercito de Samedi, conjunto haviam as forças armadas do governo, o corpo do voodoo-demônio tremia, as costuras da boca, pareciam prestes a romper, saía um gás de seu corpo, ele gritava, puxou o último tubo, perfurando sua pele, tudo ficou em silencio por segundos, a chuva começava a cair com violência, Samedi encarava o monstro, começou a rir histericamente, o monstro havia parado, perdido, ouviu um grito horrorizado, fixando o seu olhar novamente, da pele do demônio surgiam bolhas enormes de ar, Ifá, correu em direção de uma alavanca, a puxando, e fechando uma parede de titânio, Axogum e Ogã correram puxando Iansã para dentro da proteção, assim que se trancaram, ouviram uma explosão estrondosa, e um bafo quente sobre si esmagando-os, Iansã se debatia e gritava de dor, perdendo os sentidos logo em seguida... A devastação era terrível, não existiam mais prédios, nem casas ao redor, havia apenas um deserto com restos de maquina e corpos...
~FIM~