[1ºTri] [2ºTri] [3ºTri] [4ºTri] [5ºTri] [6ºTri]
[7ºTri] [8ºTri] [Love Pain] [Fogo e Sangue]
“O
inocente não aquele que é incapaz de pecar, mas o que peca sem remorsos.”
Giacomo
Um grito agoniado, cheio de dor ecoou pela rua, um choro constante e nervoso, a sirene da polícia gritando, ninguém mais falava, somente assistiam o desespero do rapaz, que se encolhia e gritava cada vez mais, e cada grito era mais dolorido, e não parava, ninguém chegava perto para tentar acalma-lo... Doía vê-lo daquela forma, policiais choravam, ninguém ali havia presenciado tamanha dor, tamanha decepção, chegava ser impressionante... Terrivelmente impressionante...
- POR QUE?! POR QUE!? - agarrava-se aos cabelos longos e pretos, encarou ao longe com olhar suplicante e desamparado o homem ruivo, chorava desatinadamente - POR QUE VOCÊ DISSE QUE ME AMAVA?! POR QUE!? VOCÊ NÃO PRECISAVA!! NÃO PRECISAVA!! - o ruivo não conseguia encará-lo, era mmuuito sofrimento, o moreno gritou seu nome batendo a cabeça no asfalto, com a força da batida, caiu encolhido abraçando as pernas em formação fetal.
- MICHELL, EU NÃO MENTI PRA VOCÊ! - o ruivo gritou em pura agonia, ao vê-lo daquela forma, tentou aproximar-se, um dos policiais agarrou seu braço, com o ódio em sua face.
- Sai daqui, Roger! - o empurrou para os outros policiais – deixe-o em paz, você já judiou muito dele!
- Mas... - tentou articular, mas estava mentalmente fraco de mais para isso.
- TIREM ELE DAQUI! - gritou o delegado para os outros policiais - O que você fez, é imperdoável! Todos nós fazemos o nosso trabalho, mas você?! - cuspiu no chão com asco - você foi desprezível! E se ele se matar - apontou para o rapaz ao chão, gritando e chorando - Juro por tudo que é mais sagrado, que eu vou vingá-lo! E TIREM ESSE LIXO DAQUI! AGORA!
Os policiais empurravam Roger para dentro de um carro, Julia impediu a passagem, encarando-o: - Não, ele vai ficar! Ele tem que assistir o desespero do Michell tem que assistir toda a dor dele, e você nunca mais vai esquecer... Vai dormir, comer, trabalhar, vendo essa cena! VOCÊ NÃO VAI TER UM DIA DE SOSSEGO, SEU FILHO DA PUTA! - tentou socá-lo, mas foi segurada por um outro policial - VOCÊ ME PROMETEU QUE ELE NÃO IA SOFRER!! - tentou chuta-lo - E OLHA!! - apontou para Michell - O PIOR É QUE VOCÊ SABE O QUE VAI ACONTECER, VOCÊ SABE E NÃO VAI FAZER NADA?! MALDITO!! VOCÊ É MIL VEZES PIOR QUE A GIGI!!
Ouviram um uivo de dor, Michell pegara novamente a faca em suas mãos passando por seus braços... Não havia mais um pedaço de sua roupa que não estivesse banhado em sangue, os cortes, que ele mesmo fizera, borbulhavam... Pernas, pés, braço, tórax, peito, ombros, já não havia mais a pele alva, os músculos delineados, a delicadeza e a beleza inocente que seu corpo exalava... A faca tocou o rosto amargurado, subiu no parapeito de concreto, Julia entrou em desespero gritando para que não se machucasse mais, ele sorriu amargamente encaixando a ponta da faca em seu coração...
- DÓI! DÓI! DÓI MUITO! EU NÃO QUERO MAIS! - pressionou mais forte a faca balançando freneticamente a cabeça - EU SÓ QUERIA SABER PORQUE NINGUEM NUNCA ME AMOU?! EU FUI UM MENINO TÃO MAU?! - chorava sintidamente e confuso - EU-EU NÃO SEI!! EU FUI?! - indaga olhando Julia, que se aproximava lentamente.
- Nã-ão, Michell, você não é um mau menino! Você é bonzinho, por favor, me dá a faca! - viu ele recuar, indo mais para a beira - Michell, você vai cair, eu não quero ver você machucado, tá?! Por isso vem pra cá?
- NÃO!! É MENTIRA!!! NUNCA NINGUEM FALOU A VERDADE PRA MIM! TODO MUNDO ME ENGANA, SÓ QUEREM ME MACHUCAR! - avistou Roger ao longe, levou as mãos banhadas de sangue aos cabelos mais uma vez, implorou por seu olhar - PORQUE DISSE QUE ME AMAVA?! ME RESPONDE! EU TÔ ME MACHUCANDO, TÁ VENDO!? - mostra seu corpo, corre com a faca abrindo novos machucados - Vo-você não precisa mais se preocupar, eu me machuco por você... mas... POR FAVOR... por favor... - se encolhe ajoelhando-se - me responde... eu imploro!
- AQUILO QUE VOCÊ OUVIU ERA MENTIRA!! - se debatia entre os policiais tentando se soltar - EU SÓ QUERIA TE PROTEGER!! - Roger não agüentava mais ficar ali, longe de Michell, empurrou com toda sua força os guardas correndo até onde Michell estava.
Viu seu rosto infantil cheio de mágoa as lágrimas de sua solidão, ouviu o sussurro fraco: - porque você me traiu?!... eu te amo tanto... me responde - corria mais depressa, mas não chegou a tempo de segurá-lo... viu seus olhos fecharem, e seu corpo inerte cair nas águas frias e violentas, gritou como nunca havia gritado em sua vida, sem titubear um instante, se jogou atrás dele, mas foi segurado pelos policiais, puxado com violência, e jogado ao chão, desmaiou.
~oOo~
“Não
olhe muito tempo pra dentro do abismo, que ele começa a olhar dentro de você.”
Autor
Desconhecido
- Ele ainda não acordou!? - indagou uma das enfermeiras que estavam no quarto.
- Não, é muito triste - suspirou.
- Triste, Denise?! - falava enquanto arrumava os lençóis, acomodando a cabeleira ruiva no travesseiro.
- Ele entrou em coma depois de um acidente horrível que teve na Serra das Ssendas ha uns três meses atrás, você não viu no jornal?!
- Meu Deus?! - espantou-se - Esse é o rapaz que caiu?!
- Não, o psicopata morreu, esse é o detetive! - ajeitou um fio de cabelo que estava em sua face - ele grita de noite, sabia? - a outra ficou calada apenas escutando - uma vez eu fiquei de plantão, e ouvi, ele gritava e chorava, perguntei pra Rosa se isso era normal, ela disse que nunca havia visto um coma onde o paciente gritasse, ele provavelmente sonha com o que aconteceu toda noite!
- Nossa, mas o que aconteceu pra ele ficar assim?!
- Ele amava o psicopata, mas fez algo que não devia, e se arrepende profundamente. - suspirou mais uma vez, saindo do quarto - é o que ele grita todas as noites.
~~~
- Doutora Julia?!
- Sim, Paulo?! O que quer? - falou sem emoção.
- Sobre o caso do Roger?! Você vai continuar o tratamento?!
Ela sorriu amargurada - O que você acha?! Já não estou cuidando!? Pensa que eu sou o que?! Não vou matá-lo, por mais que eu queria! - esfregou o rosto com ambas as mãos - estou cansada! Sei que eu ajudei nisso, mas a culpa foi dele por não ter contato pro Michell! Ele era tão sensível, tão inocente! - chorou - Não devia ter acontecido isso! E agora, esse idiota! - aponta para a porta do quarto de Roger - Porque agora ele sofre tanto!? Porque ele não acorda?! DROGA! - esmurra a parede.
- Acalme-se doutora! - consola o senhor de meia idade - Você sabe quais são os sentimentos desse rapaz, por isso você ainda não o abandonou!
Do corredor uma enfermeira corria interrompendo dos dois: - Doutora Julia! Venha comigo, rápido!
~oOo~
“A
recordação da felicidade já não é felicidade, A recordação da dor ainda
é dor.”
Lord
Byron
- Pra onde nós vamos Roger?! - era a milésima vez que Michell fazia essa pergunta, estava sentado no banco com as pernas encolhidas, com a boca suja de chocolate, Roger com a ponta dos dedos retirou o chocolate do canto da boca, levando-o até a sua lambendo - HEI! Esse chocolate era meu! - puxou o braço do ruivo para si, lambendo a ponta de seus dedos.
- AH! Michell, não faça isso!
- Não fazer o que?! - perguntou rindo - e você ainda não me respondeu! - mordeu.
- Você tá vendo aquela serra?! - aponta ao longe.
Michell sentiu um calafrio percorrer seu corpo, encolhendo-se e encostando a cabeça em suas pernas - Nós não gostamos daquele lugar! O Llehcim disse que não podemos ir! - encara-o com os olhos cheios de lágrimas tentando sorrir - Vamos-mos pra praia?! É mais gostoso!
Roger espantou-se, trazendo-o para si, deitando-o em seu ombro - Não se preocupem, depois dessa serra tem um lugar lindo! Vamos nos divertir bastante! - sorriu, vendo que Michell ainda entristecido.
- Tá, se você falou eu acredito! - enxugou as lágrimas sorrindo.
Sorriu também, estacionando o carro em um pequeno hotel - 'Querida' coloque sua peruca! Vamos descansar um pouco, que tal!?
Michell riu, colocando a cabeleira morena clara em sua cabeça - Ótimo, meu 'marido'! - arrumou o vestido azul claro - Pronto! Estou 'bonita'?!
Roger riu puxando Michell para si, dando-lhe um beijo - Linda, agora vamos!
Ao entrarem no hotel, Roger ficou tenso dando um beijo no rosto de Michell, cochichando em seu ouvido: - Michell, vai indo pro quarto, me espera lá e não abre a porta pra ninguém, entendeu!?
Michell assustado procurava com o olhar qual era o perigo, mas Roger o puxou o beijando novamente - Vai amor, pegue um quarto para nós enquanto eu termino de pegar nossas coisas no carro!
Michell sentia que havia algo errado, foi até o hall, esbarrando com um homem alto de terno preto, que o encarava sarcástico - Perdão, senhorita! - sorriu vendo-o se dirigir ao estacionamento.
- Vai querer uma suíte, senhora?! - indagou a recepcionista a Michell, chamando sua atenção.
- Si-sim, por favor! - virou-se novamente - Ahm, eu acho que já vi aquele moço de preto, você sabe o nome dele?! - sorriu o mais sincero que conseguia.
A recepcionista pensativa o viu atravessar a entrada - Não, infelizmente eu não sei, ele disse que só estava esperando alguém, posso ajudá-la em algo mais?! - indagou entregando as chaves a Michelll,, que agradeceu indo para o quarto.
Roger estava encostado no carro aos fundos do estacionamento, assim que o viu, sacou sua arma mirando para sua cabeça, ouviu o homem rir levantando as mãos: - Porque está me seguindo, Jorge?!
- Ora, ora! Assim você me ofende! Você poderia fazer a gentileza de baixar a arma!? - Roger não moveu um músculo - Ok, já entendi, nada de conversa amigável! Bom, sabe a 'senhorita'? Eu tenho uns amiguinhos pelo hotel, basta eu dar um sinal, e BOOM!
- Faça um movimento que eu te mato, e mais: esses seus ‘amiguinhos’ não são reais, é um blefe! Você é orgulhoso de mais pra chamar ajuda, ainda mais para pegar apenas dois homens! – riu sarcástico – achou que conseguiria me enfrentar sozinho, não é, Jorge?!
O homem começou a suar frio, sabia da velocidade e crueldade do homem a sua frente: - Realmente eu te subestimei, mas vou ser bem direto: você esta com alguém que nós queremos!
- Não vou entregá-lo! Pode ir embora, e dizer isso pra sua 'turma'! Não trabalho mais pra vocês!
- Otto, Otto, você sabe que não é questão de você querer! A 'senhorita' é muito perigosa, e você também, agora, se você entregá-lo... além da sua liberdade...
- Eu já disse que não!
- Me deixe terminar, Otto! Se você não entregá-lo, pode acontecer o mesmo que aconteceu com o outro, lembra?!
Roger engatilhou a arma se aproximando furiosamente do homem - EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊS ENCOSTAREM NELE!!!! SUMAM DAS NOSSAS VIDAS!
- SE VOCÊ ME MATAR, VÃO VIR OUTROS! Você sabe disso! Se você entregá-lo vai ser mais fácil, ele não vai ser preso em cadeia, vai no máximo cumprir pena em hospício, e o mais importante: ELE NÃO VAI MORRER!
Roger se afastou, ainda com a arma em punho - Não quero! Não confio em vocês!!!
- Então chame os policiais que você confia, a Julia já sabe de tudo, ela vai ajudar! É só continuar indo pra Serra, e parar no topo, vai ser um trabalho rápido, e sem sangue!
- E por que eu deveria entregá-lo!?
- Porque você sabe que se continuar com essa fuga, ele vai morrer!
- CALA A BOCA! - deu um soco no homem, fazendo-o cair - CALA A BOCA!! E ENTRA DENTRO DO CARRO, AGORA! - ameaçou com a arma - VOU ENTERRAR COM VOCÊ O MEU PASSADO MALDITO!!
- Otto, espera!
- ENTRA! - o viu abrir a porta do carro, e sentar-se no banco do passageiro, Roger bateu com a base da arma em sua cabeça, fazendo o desmaiar.
Entrou no carro, dirigiu em alta velocidade até uma trilha na beira da estrada, estacionou o carro, saiu puxando o homem pela camisa, o amarrou a uma árvore, rasgou um pedaço de sua blusa enfiando em sua boca, afastou-se dando um tiro na perna, acordando-o de imediato tentando soltar-se – POR QUE VOCÊS ME PERSEGUEM!? - atirou na outra perna – POR QUE VOCÊS QUEREM O MICHELL?! ELE É INOCENTE! - atirou em seu braço - VOCÊS NÃO VÃO MATAR ELE, NÃO VÃO!!! – atirou no outro braço - NEM QUE EU TENHA QUE MATAR TODOS VOCÊS!! - atirou finalmente em sua cabeça.
Voltando ao hotel, lá encontrou Michell tenso no laptop, se virou no mesmo instante, o abraçando preocupado. - Aconteceu alguma coisa!? - deu beijos em sua face - você tá ofegante! Tem cheiro de sangue! – falou enquanto procurava algum ferimento em seu corpo.
- Não aconteceu nada! - acariciou seu rosto o abraçando com força - Eu só preciso de um banho! - sentiu ele se aconchegar contra seu peito retribuindo ao abraço, não iria deixar que ninguém o machucasse, não poderia! Puxou seu rosto o beijando na ponta do nariz - Você sabe que eu te amo, não sabe?!
Michell ganhou instantaneamente uma vermelhidão em seu rosto, empurrando-o para o banheiro - Vai tomar banho!
Roger riu, fechando a porta do banheiro, após se despir, chamou Michell. Ao vê-lo entrar, o surpreendeu pelas costas, dando uma mordida no pescoço, ouviu-o suspirar ao sentir suas mãos deslizarem pelo tórax, descendo até sua cintura, beijou sua nuca, pegando-o no colo, entrando ambos na banheira.
- Ah! Roger! - reclamou emburrado se vendo molhado - agora eu não tenho mais vestido pra usar!
Riu, rasgando o tecido azul claro - Eu compro outro! - ouviu Michell suspirar novamente - E eu acho que você não vai se importar, não é?!
- AHM, Não! - agarrou-se a borda da banheira ao sentir os lábios do ruivo em seu peito – eu-eu não gostava desse mesmo! Ahm! – mordeu o lábio ao sentir as mãos do outro o masturbar, laçou seus braços em torno do pescoço, aproximando-os mais.
- Que cor você quer? – indagou beijando seu queixo.
- Cor!? De quê?! – falou em desvario, apoiou sua cabeça no ombro do ruivo, aproveitando para mordê-lo, sentindo a pressão em seu pênis aumentar.
Roger gemeu de dor e prazer, parou de estimulá-lo, pegando o rosto de Michell com ambas as mãos, beijando-o furiosamente, trazendo-o para seu colo o penetrando lentamente, sentiu suas unhas cravarem em sua pele e um arrepio percorrer por sua coluna, sorriu, ouvindo-o gemer e curvar-se para trás – Do vestido, Michell – percebendo que iria responder, aumentou as estocadas, escutando seus gemidos entrecortados, segurou em sua cintura acelerando ainda mais o coito.
Michell gritou de prazer, arranhando todo o tórax de Roger, num rompante tirou as mãos de sua cintura, prendendo-as para trás da cabeleira ruiva, lambeu o sangue que escorria, subindo até sua orelha, e sussurrando lascivo: - Vermelho – ouviu-o gemer, empurrou seu corpo contra o dele, controlando uma penetração lenta – sangue, queremos vermelho sangue, amado tarado!
Roger riu encarando-o, encostando sua testa na dele – Eu!? Tarado?! – movimentou suas pernas, estocando-o mais forte, viu o moreno fechar os olhos, lambeu seus lábios – Ótimo você ter aparecido, Llehcim!
Viu-o abrir novamente os olhos, com um sorriso malicioso estampado em sua face – Mesmo?!
- Mesmo! – virou seu corpo rapidamente, jogando água por todo o banheiro e deixando o moreno sob si e submerso na banheira, quando ele tentou subir para respirar, mergulhou também o beijando, voltando os dois ofegantes um tempo depois, ainda abraçados, Roger riu, pegando-o novamente no colo e saindo da banheira – Você queria me afogar, não queria?!
Ouviu-o rir contra seu pescoço, provocando-o passando a língua, e massageando sua nuca – Jamais, você é gostoso de mais pra isso! – mordeu-o, e o ruivo encostou-o contra a parede e o penetrou, Michell arqueou-se contra a parede e enlouquecendo ao ser beijado e possuído ao mesmo tempo, gritava a cada estocada, agarrando-se a Roger como se fosse sua única forma de saber que ainda estava em terra – Te amamos! AHM – jogou a cabeça para trás – MUITO! AHH!
Ambos gozaram, escorregando ao chão ofegantes, Roger beijava seu rosto e acariciava seus cabelos, ouviu-o ronronar e aprumar-se em seu peito, tocou em seu rosto encarando sua pele branca e macia, seus lábios levemente vermelhos e carnudos, seus cabelos longos e negros, a intensa imensidão de seus lindos olhos vermelho-sangue, viu seu rosto contrair-se em preocupação, sentiu a mão quente em seu rosto, e percebeu que estava chorando, o abraçou com força e necessidade... necessidade de não deixa-lo partir, sussurrou em seu ouvido – Você não tem idéia de quanto eu o amo! Eu nunca vou deixar você partir, vamos estar sempre juntos! Sempre!
~oOo~
“É
horrível assistir à agonia de uma esperança.”
Simone
de Beauvoir
- Alô, Julia!? – falava ao telefone sentado na cama tenso, Michell estava tomando banho, queria terminar aquilo o mais rápido possível, não queria que seu lindo psicopata sofresse.
- Roger?! Seu filho da puta!! – esbravejava a psiquiatra do outro lado da linha – onde você enfiou o Michell?! Tem gente de todos os buracos do Departamento de Segurança vindo aqui, procurando vocês dois!!
- Eu sei! Eu tive um ‘encontro’ com o Jorge ontem!
- Você matou ele?!
- Não quero falar sobre isso agora!! – suspirou – eu quero que você me faça um favor!
-
COMO ASSIM NÃO QUER FALAR!? EU SEI QUE VOCÊ MATOU AQUELE CRETINO METIDO! E
fez muito bem, mas o que ele me falou de proteger o Michell, me pareceu o mais
correto, Roger... o que você decidiu?! E você falou com o Michell sobre isso!?
- Julia, se você deixar eu falar, eu agradeceria! Era justamente isso que eu queria te pedir – respirou fundo com pesar – quero que você chame o pessoal da delegacia pra prender o psicopata na serra dos Ssendas, eu vou entregá-lo, não dá mais pra ficar assim, eu estou cansado!
-
Roger, você tem certeza mesmo disso!?
- Claro que não! – encostou a cabeça nas mãos – eu só quero que tudo isso acabe! Eu-eu...
-
Você o ama! Tem medo dele não te perdoar! Eu entendo você, mas você PRECISA
contar pra ele!! Se você não contar ele vai achar que você está traindo ele!
- Mas eu vou fazer isso mesmo! Vou destruir tudo que existiu entre nós, vou entregá-lo pra policia e nunca mais vou vê-lo!
-
MAS VOCÊ É ESTUPIDO OU O QUE?! ELE TE AMA! Por mais cagadas que você faça,
ele vai entender, mas conta pra ele, não esquece disso!
- Não, Julia, não vou falar nada! Noite passada eu quase matei ele enquanto dormia, pra não ver...
-
VOCÊ PODE CALAR A MERDA DESSA BOCA UM POUCO, E PENSAR!? MATAR ELE E DEPOIS SE
MATAR NÃO É A SOLUÇÃO!!! VOCÊ NÃO PODE ENTREGAR ELE SEM CONTAR O SEU
PLANO, SEM EXPLICAR O PORQUE DISSO TUDO!!
- Vamos estar no topo daqui há umas três horas, fala pra eles serem discretos, o Michell não é burro!
-
Roger, espera! Me promete que ele não vai sofrer!? ME PROMETE!
- Eu quero que nada aconteça de ruim com ele... Você sabe disso melhor que ninguém, mas eu tenho que ir, ele já saiu do banho, tchau.
-
Alô!? Ro-
Colocou o telefone no gancho sem ouvir mais nenhuma palavra, estava destruído por dentro, em menos de três horas estaria entregando para a policia a razão de sua existência, não sabia se conseguiria encará-lo, tinha medo de contar o que faria, não sabia qual seria sua reação, tinha medo, como nunca havia sentido, ouviu um clique da porta, viu um vulto correr e se jogar em cima de si... Parecia que Michell pressentia o que estaria acontecendo, ele o abraçava com força, num sussurro triste indagou: - Vamos pra praia?!
Sentiu a dor horrível em seu peito, apertou-o contra si – Não, vamos atravessar a serra e chegar a um lugar lindo! – sentiu-o tremer sobre si, viu-o levantar-se sem encará-lo.
- Vou colocar uma roupa qualquer, então! – falou indo novamente para o banheiro sem animo nenhum.
- Michell?! – ele parou ainda de costas, Roger colocou sua mão em seu peito sentindo as lágrimas que ele havia deixado – Eu te amo!
Ele se encolheu, e soluçou bem baixinho – Eu também!
~oOo~
“O
amor é um sonho que chega para o pouco ser que se é.”
Fernando
Pessoa
A viagem de subida foi terrível, o silencio imperava no carro, Michell parecia doente, não queria que ele se aproximasse, ficava encolhido com sua mochila no colo. Roger sentia seu corpo doer de tensão, estava fazendo algo contra sua vontade, começavam a subir a serra...
~~~
-
Sabia que eu achei você lindo assim que eu te vi?! – o moreno falou deitado
sobre o corpo do outro ganhando uma vermelhidão instantânea em seu rosto,
ouviu o ruivo rir, beijando sua cabeça.
- E eu pensei que você fosse um anjo!
~~~
... Roger tentou conversar com Michell, mas nada saía de sua boca, apenas encarava a estrada, pensou por diversas vezes voltar, mas ao imaginá-lo morto por uma bala, acelerou o carro, estavam a poucos metros do topo...
~~~
-
Você promete nunca me deixar sozinho?! – indagava o moreno com lagrimas nos
olhos – Eu tenho medo de ficar sozinho!
-
Nunca vou deixar você sozinho, vamos morrer juntos! – o abraçou com todo
carinho que possuía.
~~~
... Roger estacionou o carro no belvedere, lá de cima tinha uma visão esplendorosa da cidade, tentava reunir coragem para sair do carro, olhou para o moreno, nunca o vira tão abatido...
~~~
-
Eu te amo tanto que chega a doer aqui! – o moreno aponta pro coração,
encarou o outro cheio de dúvidas – É normal sentir assim?! Dói em mais
lugares também?!
Roger
abraçou o corpo menor – Você é tão doce, que me dá vontade de comê-lo
inteirinho! – o beijou apaixonadamente, o moreno riu envergonhado, porém sério
esperando sua resposta – Bom, eu não sei se é normal, mas eu sinto também
essa dor! – sorriu – Eu te amo muito também!
~~~
... Será que ele estava pressentindo o que iria acontecer!?... O que iria acontecer?!... ligou o carro novamente, pronto para fugir, quando o imaginou estirado no chão morto, desligou o carro e saiu...
~~~
- A coisa que eu tenho mais medo é que você vá embora e me
deixe sozinho! – falou Michell agarrado a blusa do ruivo com os olhos inchados
de tanto chorar – todos me abandonaram, todos me traíram, você jura que não
vai me abandonar?!
O
ruivo o abraçou – Michell, se um dia eu fizer isto com você, eu me mato! Não
vou suportar mais a minha vida sem você! Todo esse tempo que eu fiquei com você,
foi melhor do que uma vida toda!
Michell
sorriu largamente, Roger nunca havia visto um sorriso tão resplandecente e
sincero.
~~~
Sem conseguir encará-lo o chamou: - Michell, venha ver a vista! É lindo! – abaixou a cabeça segurando uma lágrima ao ouvir o baque da porta do carro se fechar, sentiu-o passar por si, indo até o parapeito de concreto, Roger levantou sua cabeça, encontrando-se com o olhar profundamente triste e desesperado de Michell, ele chorava abraçado a uma faca, surpreso tentou gritar para que a largasse, porém neste momento vários policiais, repórteres, surgiram de todos os lados, apontando armas e flashes em sua direção, Michell encarava tudo assustado... como um pequeno coelho cercado por feras... Ele precisava tirar ele de lá, tentava afastar a multidão, repentinamente Michell se reergueu, o olhar era vazio e dirigido a Roger... Pegou a faca passando-a sobre seu peito...
~oOo~
“Em
toda a adversidade do destino, a condição que gera mais infelicidade é o fato
de se ter sido feliz.”
Boécio
Em todo hospital se ouviu o grito de Roger, vários enfermeiros entraram no pequeno quarto para segurá-lo, ele se debatia com força e violência na cama.
- DÊEM UM SEDATIVO PRA ELE AGORA!! – gritou Julia ao entrar no quarto, viu-o acalmar-se lentamente, mas ainda delirava de dor.
- Não! – murmurava chorando - Não! Deixem ele! – seu tom era de desespero, os enfermeiros iam saindo, um a um, Julia permaneceu ao seu lado na cama, controlando-se para não chorar, era cruel de mais! – Me desculpa – chorava mais profundamente – Eu não queria... volta! Volta!
Julia saiu do quarto, encolhendo-se frente à porta deixando suas lágrimas saírem, e dentro do quarto ouvia-se ainda as súplicas de Roger.
~oOo~
“A
minha vida está aqui, onde tu estás, a minha vida é esta e não há outra
vida.”
Raul
Aguirre
- Muito bem, Roger, vamos conversar! – falou a psiquiatra séria, sentada em uma cadeira encarando o homem ruivo semi-sentado em sua cama, ele encarava a janela sem olhar para ela – Já faz três anos que você esta aqui, dois que você acordou, e você só tem me causado problemas!! – pegou uma caderneta com varias anotações – sete tentativas de fuga, cinco de incêndios, se recusa a falar e comer, tomar os remédios, todos os enfermeiros tem medo de você, e pra piorar suas tentativas de suicídio tem aumentado, QUINHENTAS E DEZOITO COM A DE HOJE DE MANHA!! – irritada continuou – Você esta querendo bater um recorde, ou é só pra me irritar mesmo!? E OLHE PARA MIM!!!
O ruivo a encarou sem emoção no seu rosto, vendo a mulher modificar sua expressão de ira a complacência.
- Roger, eu sei o quanto você está sofrendo por causa do que aconteceu – se levantou – Mas que cacete! Você acha que eu não sofro também!? Eu amava aquela criança! Ele era como um filho pra mim! – jogou a cadeira no chão – Você acha justo só você poder sofrer assim!? Você precisa se reerguer!
- pra que?! – indagou num tom baixo, Julia o encarou surpresa, era a primeira vez que falava depois de muito tempo.
- Como pra que?! Você precisa sair desse hospital! Ver mais pessoas!
- Não quero ver, sentir, falar mais! Eu perdi tudo que eu tinha!
Julia irritada proferiu um tapa no rosto do homem a sua frente: - Você não tem esse direito! Você o matou, arque com as conseqüências e saía desse hospital!!! Eu não quero saber o quão você está sofrendo, porque toda vez que eu deito a minha cabeça no travesseiro eu lembro da dor do Michell!! Você não pode simplesmente apagar isso e viver a sua dor!!! NÃO PODE!!!
- E O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA!? – gritou apoiando as mãos na cabeça – Você acha que eu não me lembro!? Eu me torturo a cada segundo, eu não quero mais viver porque eu prometi pra ele que nunca o deixaria sozinho, E ELE MORREU SOZINHO!!!
- Eu só quero que você viva – suspirou, pegando a cadeira do chão e indo a direção da porta - ele não vai precisar de você na morte! – saiu do quarto.
~oOo~
“É-nos
possível viver sozinhos, desde que seja à espera de alguém.”
Gilbert
Cesbron
O enfermeiro arrumava o quarto enquanto Roger somente observava a janela, veio em sua direção ajeitou seu cabelo e sua roupa branca – Você precisa ficar arrumado hoje! Tem uma pessoa importante que vai vir visitá-lo! A doutora disse pra deixar você ‘jeitosinho’! – fez uma careta confusa, balançando a cabeça negativamente – eu não entendo aquela mulher, mas você está bem melhor assim! – sorriu ao se afastar, saiu do quarto, e Roger voltou a olhar para a janela, o dia estava quente e radioso... não sentia o tempo passar, não via ele passar... Ouviu uma batida leve na porta, sentiu seu coração tremer, olhou em direção a porta, novamente pulsou mais forte, sentia suas mãos geladas e tremulas, tentou levantar-se da maca para abrir a porta e ver com seus olhos, quase caiu em sua afobação, apoiou-se nas paredes para andar, suas pernas mal agüentavam o seu peso, quando ouviu sua voz:
- Posso entrar?!
(¯`·._.·[
FiM ]·._.·´¯)
Comentários
da Autora:
OBS:
u.u sim, eu sou uma sádica fdp e cretina!! ^_____________^~
OBS1:
;__; bom gente... acabou! *se morre de tanto chorar* Eu nunca fiz uma fic tão
grande! Õ_o até me impressionei com o tamanho dela, mas eu consegui terminar!!
\ò_Ó/
OBS2:
õ.o agora, eis a minha dúvida: vocês gostaram!? Ó_õ Por favor deixem um
comentário aqui oh: ;__; eu nunca mais vou pedir isso!! U.Ù *deprimida*
OBS3:
u.u Nesses comentários vocês podem me linchar, eu deixo, só não me matem,
porque se vocês me matarem eu não vou poder escrever a fic do Roger...
u.u’’’ que vai ter uma continuaçãozinha do Diário!
OBS4:
^______^ eu quero agradecer a todos que leram e acompanharam as aventuras do meu
querido Psicopata, e principalmente as pessoas que me cobraram pra atualizar (õ_õ
ta eu sei que eu demorei muuuuuuuito nesses últimos tempos, mas eu estou
atolada de coisas: trabalho+faculdade de direito(u.ú eu faço mesmo facul de
direito, acredite se quiser =P)+provas+crises+braço quebrado+tendinite+preguiça+
e mais uma porrada de coisas).
OBS5:
o.O assim, eu fiz um site todo fofo pra vocês, e... e... eu queria... assim...
queria mesmo... pra quem sabe desenhar ou escrever... ;___; fazer desenhos ou
fanfics dos personagens! ^____^ se vocês fizerem isso, euzinha publicarei aqui
e ficarei extremamente feliz... u.ú mas se ninguém quiser, tudo bem, eu não
faço mais nada! XP
OBS6:
u.u a Raquel Sumeragi fez um desenho hiper lindo pra mim, vão ver na seção de
Presentes!
OBS7:
^__^ É só, e por aqui eu me despeço, agradeço de novo a todos, e até a próxima!!!
^________________________________________^/ xau
OBS8:
AH!!! u.u esqueci de dizer: A fic que eu vou fazer do Roger se chama Fogo e
Sangue! *-*~ vai ser TUDO essa fic!
Bjundas,
Youko
Yoru - 07/05/2005.