~PRIMEIRA
PARTE~
"É
tão arriscado acreditar em tudo como não acreditar em nada."
Diderot
- Miguel, vá dormir! - falou a mulher de meia idade que bordava sentada em um banco próximo à lareira.
- Sim, esposa, não é hora de criança estar acordada. - concordou o homem grisalho, sentado em uma poltrona escura.
O menino de cabelos acinzentados e fascinantes olhos verdes, que brincava com um carrinho de madeira, encarou o casal levantando-se - Sim, senhora! Boa noite, titia - recebeu um beijo na testa, se dirigiu ao homem - Boa noite, titio!
- Deus o abençoe, criança! - observou o menino subir as escadas, encarou a mulher que havia parado de bordar - O que lhe incomoda, mulher?!
- Não sei, meu marido! - ergueu-se segurando a barra do vestido - Estou com um pressentimento ruim, o mesmo quando minha amada irmã faleceu.
- Sua irmã não era uma pessoa de Deus, por isso morreu ao dar a luz!
- Não fale assim dela, meu querido - retorquiu baixo com o semblante angustiado - Ela era uma boa mulher, foi seduzida e abandonada por um homem sem coração!
- Tu sabes que eu não penso assim! Mas deixemos isso de lado, fui à igreja falar com o padre a respeito do menino, já está em idade de entrar para a congregação.
- E o padre o aceitou?!
O homem suspirou em desânimo - Não, disse que o menino tem aura maligna, não pode entrar na casa de Deus!
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- Mas isto é um absurdo!! É um menino tão bom! - Sim, mas quando ele nasceu, eu achei que ele fosse endemoniado por causa da aparência dele! - criticou em um tom mais alto - Crianças normais não tem cabelo cinza e a pele tão branca, mulher! - Eu sei! Mas você me disse que se ele fosse um rapaz bom, Deus iria aceitá-lo em sua santa casa! - Sim, concordei em cuidar da criança se apresentasse uma alma boa, caso contrário, já teria matado! - relaxou novamente na poltrona - Mas o padre não acha isso! - Eu entendo porquê! - ecoou uma voz densa e imponente das sombras. O homem se ergueu rapidamente da poltrona, com a mulher atrás de si, pegou uma tora de madeira: - QUEM ÉS TU, BANDIDO!? APAREÇA! - Do canto da sala surgiu um ser alto, musculoso, de pele escura e lustrosa, com brilhantes olhos dourados e chifres, sorriu sarcástico ao ver a expressão de pavor no rosto do casal, avançou em direção à eles, o homem largou o pedaço de madeira abraçando a mulher.
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No andar de cima, Miguel acordou assustado com o grito de sua tia, levantou-se da cama abrindo a porta cuidadosamente, e estancou no inicio da escada ao se deparar com o enorme demônio, segurou o grito, correndo de volta ao quarto e se escondendo sob a cama, viu-o abrir a porta, fechou energeticamente os olhos, sentiu e ouviu sua proteção ir ao longe, foi erguido pela camisola, como se nada pesasse, com os olhos semi-cerrados pode ver que ele sorria ao observá-lo. - És um belo espécime, criança! - elogiou com voz mais branda - Pele argenta, cabelo cinza escuro com as pontas escurecidas - o trouxe para mais próximo do rosto aspirou seu aroma - Cheiro de infante - Miguel abriu seus olhos curioso com o demônio a sua frente, não sabia por que, mas não sentia tanto medo, tirando os chifres e os olhos pretos com a íris dourada, viu-o sorrindo novamente - E olhos como esmeraldas! |
Ao perceber que abrira sua guarda, fechou novamente os olhos se debatendo - Larga-me monstro!! Eu quero meus tios! - pedia choroso.
- Cala-te! Se sou monstro, tú és! - segurou-o pela cintura, encarando seus olhos - Irás comigo agora, este mundo já não llhe pertence! - colocou-o sobre os ombros descendo as escadas, parou na sala, Miguel estremeceu em seus braços ao ver seus tios dilacerados e estirados no chão, os móveis tingidos de sangue, em seus rostos o pavor congelado, sentiu lágrimas escorrerem por sua face, o demônio continuou seu caminho indo para fora da casa, recitou algumas palavras e a casa incendiou-se no mesmo instante, queria gritar para ver se acordava daquele sonho ruim, mas desmaiou sem que notasse.
~oOo~
Acordou, ainda nos braços do demônio, parados frente a uma gigantesca porta em ouro com detalhes esculpidos escuros - Agora que acordaste, verás a tua eterna morada! - a porta abriu-se e pode observar um lugar extraordinário, grandes pilastras douradas, com plantas envolvendo-as, tecidos vermelhos enfeitando e separando alguns aposentos, grandes pufes de almofadas, um suntuoso lago artificial, uma vegetação estranha, porém magnífica, e seres... muitos seres diferentes, altos, baixos, coloridos, todos dirigiam sua atenção a ele, ouviu um burburinho de vozes em uma língua estranha, inconscientemente, assustado, segurou-se na barra do mando do demônio enquanto ele descia as escadas, ao final delas, jogou-o sobre algumas almofadas, sendo recepcionado com beijos por um ser com chifres, pele azul clara, cabelos azuis escuros, e olhos parecendo chamas, o demônio cobriu-o com seu manto, encarando Miguel: - Teu nome, a partir de hoje, será Azhar! - viraram de costas, saindo, ambos, do lugar.
Ao se ver a sós com os outros, encolheu-se, um grupo o observava atentamente um deles de pele alaranjada e olhos lilases se aproximou tocando em seu cabelo: - É muito macio! Venham ver!!
- Ele não morde?! - sibilou um ser de longos cabelos rosa e corpo de serpente.
- É tão filhotinho! - comentou uma mulher de cabelos castanhos se aproximando.
- Mas isso não quer dizer nada, Muhra! - sussurrou um ser feminino com pele roxa e cabelos pretos - Tome cuidado, pode ser venenoso!
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- Não seja tão desconfiada, Imaru! - bronqueou o ser laranja, pegou dos braços de Imaru uma muda de roupa preta - Ele deve estar com medo da gente! Tá até chorando! - Encarou o pequeno ajoelhando-se, ficou na altura de seus olhos sorrindo - Você está com medo!? Azar o encarou medroso, e respondeu num murmúrio: - sim, senhor. O ser laranja riu erguendo-se - Pode me chamar de Eny, este aqui é Mehen - falou apontando para o ser rosa, enquanto falava tirava a camisola do menino - Essa encrenqueira, Imaru - ao ser roxo, colocou o manto preto com detalhes dourados - E aquela Muhra! - por último a morena, ajustou o cinto da roupa e sorriu novamente - Não se preocupe que nós não vamos te machucar, o Mestre não permite que nós briguemos! Seríamos seriamente castigados! - encarou Imaru, e como se lembrasse de algo importante, exclamou: - Ah!! - fechou os olhos e as mãos, e entorno delas uma luz lilás surgiu, materializando no centro delas um objeto oval roxo-luminoso, entregou a Azhar - Coma, é necessário! |
Ele pegou-o observando curioso - O que é isto?!
- Isto é Kavasir, Fruta dos Neófitos! - sorriu sarcástico Mehen - Vai lhe fazer bem, se quiser continuar a existir!
- Não assuste o pequeno! - interviu Muhra mostrando suas garras, e a Azhar explicou calma - Essa fruta vai fazer com que você viva aqui no inferno, se não comer, seu corpo vai explodir em algumas horas.
- E-eu e-estou no inferno!? Eu morri?! - indagou inocentemente.
- Não, você ainda não morreu! - respondeu Imaru - O Mestre o trouxe para que também não fosse morto na Terra! - viu sua expressão de dúvida e continuou - Você percebeu que não era igual aos outros humanos?! Você é um demônio como nós!
- NÃO!!! - gritou colocando as mãos na cabeça e chorando - Meus tios falavam-me que era bonzinho! Não machuquei mais ninguém! Não machuquei! - chorava compulsivamente.
A morena se aproximou mais, sentando ao seu lado, fazendo-o encostar a cabeça em suas pernas - Dentro de você, você já sabe! Mas não compreende - afagando seus cabelos explicou - Sua mãe foi copulada por um demônio prateado, pelo seu cheiro, posso dizer que seu pai era um Incubbus felino, e no momento que você nasceu ela morreu, não tem como uma humana viver e dar a luz a um demônio, não importando a raça. Você cresceu na Terra até quase desenvolver sua essência demoníaca.
- Se você tivesse desenvolvido completamente na Terra, os humanos iriam te caçar e matar, como acontece com vários outros, ou ainda, você destruiria a frágil existência deles! - completou Eny - Você tem que comer a Fruta, seu corpo humano precisa morrer e nascer como um incubbus!
Azhar ergueu-se do colo de Muhra limpando o rosto com as mãos, fungou e indagou - Por que teu mestre trouxe-me!?
- O Mestre 'coleciona' raridades, pequeno! - sibilou rindo Mehen - Todos que estão neste salão são beldades raras, únicos da espécie, somos em mais de mil, os machos alguns nascidos da Terra, outros daqui do Inferno, com a exceção das fêmeas, que são somente daqui.
- Então sou um demônio!? E por que eu não sou malvado?! - questionou com sua curiosidade infantil.
- Sim e não, você ainda não é um demônio formado, precisa se desenvolver primeiro, agora quanto a ser malvado... - Eny ergueu os braços em resignação - Eu não entendo isso!
- Mas vós não sois malvados?!
Eny encarou os outros em dúvida, Muhra ergueu os ombros e respondeu: - Não, pelo menos o nosso Mestre não reclama de nós!
Azhar pensativo por instantes, pegou a fruta que havia caído colocando-a em seu colo: - Então posso ser bonzinho e um demônio!!? Meus tios diziam que não!
- Ah! Eu nunca entendi esses humanos! - resmungou Imaru - Sempre com essas questões difíceis de entender!
- É, eu também nunca entendo! - concordou Muhra - Não somos malvados, se fossemos o mestre com certeza nos castigaria! Temos que obedecer a ele, e não sair daqui sem que ele nos chame!
- Eu não me lembro da minha vida como humano, por isso eu não sei responder! - Eny encarou sério o menino - Agora, posso garantir que eu não sou mal! E você precisa comer logo essa fruta!
Ele observou mais uma vez a fruta - Eu estava preocupado que se fosse um demônio eu não poderia ser bonzinho, mas vós dizeis que sim, comerei! - mordeu-a, caiu adormecido instantaneamente.
Mehen sorriu maliciosamente, indagando a Muhra: - Bruxa, quando ele estará pronto!?
Sua pele e cabelos clarearam-se, seus olhos ganharam tons vermelhos, encarou-o séria e com voz grossa e potente ordenou: - Tomais cuidado com a língua, ser inferior!
- Não se zangue, Oráculo! Nós apenas desejamos saber quando este incubbus se tornará adulto! - apaziguou Eny, viu-a levantar-se e profetizar por todos os cantos do lugar com sua voz poderosa e melódica:
"Tempos
hão de passar,
A
criança há de ficar!
O
ser maligno que nele vive
Desperta
com a essência da volúpia.
Cinco
décadas terrestres hão de passar
Sem
que nada há de mudar
Porém
quando este dia chegar
Ódio
e revolta vão materializar!"
~oOo~
"Temos
de nos contentar em descobrir, abstendo-nos de explicar."
Braque
- AZHAR! - gritou Eny ao rapaz que estava dormindo em cima de uma árvore, pensou consigo como ele não havia mudado, a mesma beleza inocente com a graciosidade rebelde de seus cabelos e olhos, ficara pouco mais alto e quase não falava com os outros, ele parou frente de si, aguardando as instruções - O Suen quer falar com você!
- Onde ele está!? - indagou sem emoção.
- Na parte leste, perto do lago, mas se anima um pouco! É bom falar com ele! É o mais influente de nós com o Mestre!
- Eu sei, gosto de falar com ele, mas preferia dormir! - recebeu um tapa na cabeça e um olhar reprovador.
- Não deve brincar com as regras Azhar, você precisa conhecer todas!
- Mas já me explicaram tudo, ou não!?
Eny suspirou olhando para cima: - Claro que não, o que você sabe é sobre o território do Mestre, o palácio, e só!
- Não sei pra que contam tudo isso, se não podemos sair desse lugar!
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Eny passou seu braço pelos ombros de Azhar caminhando junto a ele: - É por isso que você precisa das aulas do Suen! Nós pertencemos ao Mestre, não podemos ser tocados por ninguém mais, e ninguém pode atravessar aquelas portas! Pergunte o que quiser a ele, talvez ele te responda! Pararam em frente ao ser azul que recepcionou o Mestre quando Azhar chegou da Terra, Suen semelhava-se a um retrato de tão perfeito, se não soubesse o que ele era, poderia jurar que era um anjo de tão belo, estava adormecido no colo de uma demônia, ela acariciava seus cabelos enquanto cantava. De repente, interrompeu sua música e Suen ergueu-se sorrindo a Azhar.
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- Não demorou dessa vez, Azhar! - falou brincando.
- É, ele acordou assim que eu chamei! - participou Eny.
- Eny me contou que você tem algumas dúvidas, o que quer saber?!
Azhar sentou-se no chão, fitando os olhos de fogo de Suen: - O que eu sou?!
- Por que essa crise existencial agora, Azhar!?
- Eu quero entender, depois que eu cheguei, vieram outros, ficaram diferentes de quando chegaram, quero saber se sou humano ainda!
- Eu não sei de tudo, mas isso é fácil! - sentou-se sobre as pernas, encarando-o fixamente - você é um incubbus felino, isso você com certeza já sabe! O que você não deve saber, é que existem várias raças de inccubus, eu sou e Eny também é! Para ser inccubus tem que nascer de mãe humana e um demônio, se você fosse uma fêmea seria uma repulsiva sucubbus, e seria morto por seu próprio pai, se ele estivesse vivo, ou qualquer outro incubbus adulto.
- Por que eu seria morto se fosse succubus?! E meu pai morreu?
- Provavelmente, se ele não estivesse morto, ele o pegaria! Sobre as succubus, porque há uma guerra milenar entre nós, e nenhum dos lados está disposto a ceder. Continuando, cada demônio tem um metabolismo diferente, o meu é de permanecer com a aparência jovem, você talvez siga o mesmo caminho, Muhra tem duas aparências, Mehen é descendente de serpentes, existem ainda muitos outros que você ainda não viu!
- Tá, e por que não podemos sair daqui? Todos me dizem que nós podemos ser capturados e levados para longe do Mestre, o que tem depois do território do mestre?!
Suen suspirou - Azhar, você não imagina como é o Inferno! Além do território do Mestre, há outros três, que não chegam aos pés da nossa organização, e sim, seriamos capturados se saíssemos daqui! Somos mais valiosos que jóias, a maioria dos ataques feitos ao nosso reino são para nós capturar, estuprar, matar, e coisas muito piores...
- Por que vocês acham que o mestre é o nosso salvador!? Ele arrancou-me da minha família! - falou irritado.
Suen ergueu-se sóbrio - Agora chega de perguntas! Você ainda nem se desenvolveu completamente como demônio, não pode abusar da sorte em que o Mestre lhe concedeu em colocar você aqui dentro, a família que você tanto prezava teria te matado e torturado se permanecesse lá, como aconteceu comigo! Se o Mestre não me salvasse, eu teria sido dilacerado e queimado vivo, fora as coisas que eu não gosto de imaginar! Pense nisso, antes de falar mal do meu Mestre! - saiu a passos rápidos sem olhar para trás.
~oOo~
Azhar sentia-se estranho aquela manhã, estava com muito calor, não conseguia concentrar-se em nada, seus sentidos haviam sido aumentados, principalmente seu olfato, o aroma dos outros demônios eram deliciosos, e sentia pontadas fortes em seu estômago, foi procurar por Eny para ver se sabia o que era aquilo, talvez estivesse doente, ao encontrá-lo, viu-o e os outros adulando e conversando com o Mestre, Suen estava deitado em seu colo acariciando seu peito com as pontas dos dedos, um perfume forte e aliciante atingiram Azhar deixando-o tonto por instantes, sem perceber aproximou-se mais do grupo, chamando a atenção do Mestre, que lhe sorriu levemente, Azhar sentiu seu coração pulsar forte, sacudiu a cabeça e saiu correndo de volta ao lago, lá ofegante, jogou-se na água tentando se acalmar.
Repentinamente foi tragado para o fundo do lago, tentava soltar-se, mas a força era muito grande, olhou para baixo e viu uma mulher metade peixe de pele verde-luminosa e longos cabelos que se misturavam com a textura da água sorrindo mordaz, tentou gritar, saindo de sua boca apenas o ar que lhe restava, sua visão escureceu-se e foi arremessado para fora do lago, respirou profundamente, tossindo a água que estava em seus pulmões, deitou-se recuperando o ar, ouviu uma risada ecoante e viu a mulher se aproximar mais de si, ela beijou seu rosto, cantarolando algo em seu ouvido, não compreendeu encarando-a confuso, ela riu assoprando um pólen verde em seu rosto, Azhar coçou os olhos e ouviu sua voz: - Não tire meu encanto - pediu pausadameente - se o fizer, não vai mais entender!
- O que você fez comigo?! - perguntou irritado.
- Fiz com que me entenda! - riu, puxando-o novamente para dentro da água.
- Não! Deixe-me aqui! - ordenou segurando-se no chão, ela o encarou confusa.
- Vai mesmo ficar aqui?! - indagou apontando para a pequena plataforma no meio do lago, a qual se encontravam.
- Prefiro! Você quase me afogou!
- Só estava brincando, você parecia tão apetitoso! - passou a língua nos lábios puxando-o para si - Venha, não seja chato!
Azhar sentiu um cheiro doce emanar da fêmea, estendeu sua mão para ela deixando-se levar, quando viu um outro ser transparente emergir ao lado dela, reteve sua mão encolhendo-se, ela encarou furiosa o outro ser.
- Ele é meu, Vanes! - rosnou.
- Não seja egoísta, Seirén! - falou abraçando-a - Podemos dividi-lo!
- Não quero! - Seirén empurrou o ser, puxou Azhar de volta ao lago contra sua vontade, nadando velozmente jogou-o novamente para fora da água, caiu e bateu as costas no chão, ela prendeu-o com seu corpo, sua expressão já não era mais risonha, seus olhos estavam fixos em sua presa, Azhar contorceu-se de dor seu corpo parecia inteiro latejar, misturava-se a dor da queda com a amplificação estrondosa dos sons e cheiros ao seu redor, ouviu a voz de Muhra ao longe, pediu ajuda sua cabeça rodava e latejava, parecia ouvir todos os seres falando e rindo, devido a dor perdeu os sentidos.
~oOo~
- Seirén, eu não acredito que você o machucou!! - falou irada Muhra ao lado de Suen.
- Mas eu não machuquei! Ele estava tão gostosinho, aí começou a ficar branco e mais branco, contorcer-se todo e puft! Dormiu! - falou ainda abraçada a Azhar.
Suen aproximou-se do rapaz, aspirando sua fragrância, fechou os olhos levemente erguendo-se - Ela está provavelmente falando a verdade! - encarou Muhra sério - Ele está desenvolvendo-se descontroladdamente, isso foi mais evidente pra ela do que nós!
- Lógico! Eu sou uma marina! Temos a sensibilidade à flor da pele! - falou puxando Azhar para si e lambiscando seu rosto - Ele é delicioso!
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- Mas não é pro seu paladar, minha cara! - Bronqueou Suen, voltando-se a Muhra - A essência dele está bem forte! Temos que levá-lo ao Mestre rápido! - Creio que não há mais tempo! - murmurou Muhra, ao ver que ele despertava. Azhar abriu os olhos vendo sobre si a fêmea que quase o matou afogado, Muhra e Suen, ia perguntar o que estava acontecendo quando um tremor forte atravessou todo seu corpo, retesou sua coluna, o aroma dos seres a sua volta tomou-o com vigor, deleitava-se e contraia-se em êxtase, friccionava as mãos pelo seu corpo, não entendia que sentimento era aquele, a urgência em ser tocado e tocar, como se atendessem seu desejo mãos suaves deslizaram por suas pernas, outras por seus braços e pescoço, uma boca ávida procurar pela sua, nunca havia sentido nada igual, as línguas enlevavam-se, buscando uma pela outra, estava quase sem ar, mas não conseguia sair daquela prisão de volúpias, abriu os olhos encontrando os de Suen, as chamas de seus olhos transformaram-se em lava incandescente, Muhra mordia sua pele, e a outra as pernas, os tremores cadenciavam a cada toque, suspirava e gemia, via sua lucidez esvair-se.
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Num rompante um cheiro abrasador e dominador devoraram sua alma, foi levado dos outros, sabia quem era, já estivera em seus braços anteriormente, fitou-o suplicante, queria que aquele calor passasse, seu corpo inteiro doía! O Mestre apossou-se veemente de sua boca, seus caninos alongados feriram seu lábio, foi jogado sobre uma cama enorme e macia, teve sua roupa arrancada, mal havia percebido que mudaram de local, o Mestre virou-o de costas massageando-as, desceu com os dedos para os quadris, escutando Azhar ronronar, invadiu seu ânus com um dedo preparando-o, Azhar assustou-se se agarrando aos lençóis, ele entrava e saía lentamente, sentiu-o colocar mais um dedo e aumentar a cadência, gemeu mais alto quando ele pegou sua ereção que despontava e latejava entre suas pernas, foi virado novamente, e encontrou com seus ávidos olhos dourados, neles viu seus tios gritando e implorando por suas vidas, os movimentos rápidos e mortais dilaceraram a carne frágil, o pulsar enfraquecido dos corações em suas mãos, o odor da carne queimada e os urros desesperados no meio do fogo, Azhar chorou em agonia por seus tios, tentou empurrar o Mestre para longe de si, mas foi carregado para seu colo e penetrado sem mais delongas, a dor era alucinante e aguda, implorava para que parasse, ouvia os gritos dos tios misturados aos seus, a penetração aumentava e diminuía, a dor da pele sendo queimada e rasgada, o cheiro do sangue e da carne, foi empurrado para a cama, teve suas pernas abertas e invadido violentamente, a dor e as lembranças uniram-se em um sofrimento terrível, desistiu em debater-se, sua alma estava cansada em lutar, sentiu-o derramar dentro de si um líquido viscoso e sair de dentro de seu corpo, Azhar encolheu-se de costas para ele. - Tú és demônio a partir de hoje! - estremeceu ao ouvi-lo - Não deveria ter encarado meus olhos, criança! Poderia ter aproveitado seu rito! - escutou o barulho da porta abrir-se e ele se retirar, Azhar chorava de ódio, pavor e vergonha, precisava sair daquele lugar, ou então enlouqueceria... |
(Obs: o.õ caso você não tenha conta no Live Jounal pra fazer o comentário, é só clicar na opção Anonymous)