de Quem Ama não adoece, Dr. Marco Aurélio Dias da Silva

    Tudo passa e acaba por se arranjar, independentemente de nos preocuparmos. Aliás, em geral passa e se arranja mais facilmente quando menos nos preocupamos.
    Nossa capacidade de amar relaciona-se com nosso crescimento interior, nossa maturidade. Maturidade psicológica e não cronológica.
    Ser humano saudável:

    Psicologia geral

    O soma ou corpo pode se definir como aquela parte de nós que pode ser vista e tocada e à qual podemos ver e tocar nas outras pessoas.
    psique - ou alma, espírito ou mente- a parte invisível e intocável, mas que sabemos, que existe e engloba tudo aquilo que sentimos, pensamos, desejamos, sonhamos, etc.

                                                                    psique

    tópico - inconsciente, pré-inconsciente, censura e consciência.
    consciência - noção do nosso ser, aquilo que pensamos que somos.
    pré-inconsciente - o que há de escuro na consciência
    inconsciente - o que foi expulso da consciência, indesejado
    A censura regula o intercâmbio entre as três zonas.

    estrutura da psique - id, ego e superego

    id - atua no inconsciente, instintos primitivos. Movido pelo prazer, o que o move é a busca do prazer a qualquer preço, comportamento de uma criança. O id nunca se torna adulto.
    ego - pelo de responsabilidade e preocupação com as consequências de seus atos. Contrário do id. Exige adequação à realidade.
    superego - acusar e criticar o ego. Responsável pelo sentimento de culpa. É possível "amaciá-lo" em um processo de reeducação, fundamental para um estado mais próximo da paz interior e da felicidade. Dependerá de condições ambientais e esforço consciente e intelectual de auto-avaliação e mudança. Luta por perfeição moral.
    O id esforça-se para obter prazer e evitar sofrimento, independentemente dos meios e das consequências.
   

    O potencial nocivo, ou causador de doenças, criado pelas situações estressantes dependerá do tipo e da intensidade do estresse mas, provavelmente, dependerá sobretudo de sua epetição e duração ao longo da vida e da forma como cada um lida com ele. Tipo: família, trabalho e ambiente.
    A grande determinante do potencial nocivo do estresse é um estado interior de insatisfação consigo mesmo e com a vida. A contrário do que ocorre com os animais, portanto, o que hoje nos ameaça a vida e a saúde não são, como regra, os perigos que vêm de fora, e sim aqueles que trazemos dentro de nós mesmos.

    Sensações primitivas e básicas: Raiva, medo, dor, fome, prazer.

    A expulsão inegavelmente violenta do aconchego do útero materno constitui nosso grande e primeiro trauma. Por volta do oitavo mês de vida o grau de maturação do sistema nervoso começa a possibilitar ao bebê a percepção do mundo externo como algo separado de si próprio, antes disto o bebê confundia o seu eu com o mundo e o primeiro objeto de contato com o mundo externo é o seio materno.
    Dando sequência surgem os vínculos afetivos, reconhecimento da mãe como fonte de satisfação e segurança. Consciência de que a mãe é um outro ser, separado dele. Esta descoberta da separação provoca no bebê uma sensação de perda e frustração. É então que a sensação de desamparo e insegurança se instala e nos acompanhará por toda a vida, gerando necessidade vital de aconchego, principal aspiração de nossa vida e consição indispensável para a felicidade e a saúde.
    Para fazer face a esse nível intolerável de angústia, a criança reage desenvolvendo um conceito grandioso e hipertrofiado de si mesmo, ou uma imagem idealizada de perfeição absoluta, narcisista, com grandes dificuldades de estabelecer vínculos afetivos, voltada para si mesma e, paradoxalmente, bastante insegura quanto ao próprio valor.
    A partir do momento que vai tomando consciência de que o mundo não se concentra nela mesma e vai tomando contato com os outros, começa também o caminho de seu crescimento e desenvolvimento como pessoa.
   
    Complexo de Édipo
    A solução para o garoto é identifica-se com o pai e procurar outro objeto amoroso que não seja a mãe. O garoto ao se dar conta da impossibilidade de ter a mãe para si, renuncia-a e busca identificar-se com o pai. Isso ocorre por volta dos nove anos.
    O complexo de Édipo deixará de existir, segundo Gikovate, quando as pessoas amadurecerm e se tornarem mais seguras, ao ponto de se amarem de forma menos infantil, isto é, menos possessiva, e aceitarem, por conseguinte, compartilhar, sem angústias, seus objetos amorosos com outras pessoas.

    Necessidades biogênicas: Sono, Alimentos, Sexo.
    Necessidades aprendidas- adquirida pela experiência e por força de socialização.
   
    Não é por acaso também que sogras, sogros e avós insistem em interferir na vida doméstica dos filhos casados e na educação dos netos. Não querem, e talvez não possam abrir mão de uma autoridade que durante tantos anos deu sentido e valor à sua vida.
    Razão principal de nossos temores: medo de ter felicidade e depois perdê-la.
    O medo da felicidade não acometeria a todos. Basicamente seria menos encontrado naqueles intimamente inseguros, intranquilos e com baixa auto-estima.
    O prejuízo potencial desse medo para nossa saúde seria explicado pela própria ansiedade e angústia que provoca. Além disso, não descarto a possibilidade de que sentimos inconscientes de auto-punição, por não se julgar merecedor da felicidade, possam também agir como fator de doença orgânica.
    A felicidade é extremamente vulnerável. Ela é um risco, e só como risco deve ser assumida - Julian Marias

    Os dez mandamentos só existiram porque existem os dez desejos.

    * Entropia - quantidade de energia interna de um sistema. Quanto mais elevado o nível de energia, mais próximo da desorganização e da destruição estaria este sistema.

    Quanto mais "civilizado" for um ser humano, menos instintivo será seu comportamento e maior a carga repressiva na cultura atuando sobre ele.

    Impulsos primários:
  1. Fome e busca de alimento;
  2. Sede e busca de água;
  3. Manutenção de temperatura do corpo;
  4. Funções eliminadoras de micção e defecação;
  5. Repouso após esforoço prolongado;
  6. Atividades sexuais e parentais.
    Mecanismos de defesa desejáveis:
    Recalque - rejeição inconsciente, pelo ego, de desejos, emoções ou afetos, oriundos do id e considerados inaceitáveis pelo superego e pelo mundo.
   
    Nascemos com um equipamento orgânico (corpo) e instintos básicos que compartilhamos, em grau maior ou menor, com os outros animais, particularmente os mamíferos.
    Na idade da pedra, esses instintos e a maneira do corpo de reagir a eles eram não somente úteis como até fundamentais para a sobrevivência do indivíduo e da espécie.
    O advento da civilização e da vida social exigiu, contudo, que o ser humano adaptasse o corpo e instintos ( que não se modificaram) a uma nova realidade, na qual a livre vazão dos instintos e o governo do corpo por eles passaram a ser desastrosos e destrutivos, ao invés de benéficos e protetores.
    Para essa adaptação, o psiquismo humano lança mão de mecanismos que procuram solucionar a situação de desequilíbrio/conflito gerada pela necessidade não atendida.
    Tais mecanismos, chamados de defesa e adaptação, podem didaticamente se dividir em desejáveis e indesejáveis.
    Os desejáveis, úteis e às vezes até essenciais para nosso equilíbrio e felicidade podem ser um fator de distúrbio ou doença se utilizados de forma inadequada ou exagerada (quer em frequência e/ou intensidade).
    Os nocivos são intrisecamente prejudiciais e podem causar distúrbios e/ou doenças pelo simples fato de serem utilizados.
    Para Watson três emoções básicas: medo, ira e amor.
    Ira: ódio, vingança, ciúme, inveja e desprezo.
    Medo: espanto, ansiedade aflição, pesar, sobressalto e intranquilidade.   
    Amor: Piedade, tristeza, afeição, alegria, entusiasmo, excitação sexual.
   
    A repressão das emoções, seja qual for, é tremendamente maléfica para o organismo e deve a todo custo ser evitada.
    Chorar, e chorar tão convulsivamente quanto possível, é um dos mais eficazes meios de que dispomos para reestabelecer nosso equilíbrio interior, quando ele está abalado pela tristeza e pela cólera, pela dor e até, às vezes,  pela alegria e pelo amor.
    A razão pela qual o choro é benéfico decorre da descarga muscular que provoca, dando vazão a toda tensão do corpo.
    ... toda emoção é na verdade uma onda de preparação do corpo para entrar em ação: "Se eu entrar em ação, a emoção se consome no próprio ato."
    Se quisermos cortar (reprimir) nossas emoções temos de absorver sua energia (mobilizada na preparação para a ação) em contrações musculares estáticas que determinam e definem uma atitude: a de repressão emocional.
    A agressividade é um impulso natural e primitivo do ser humano e foi, certamente, essencial para a sobrevivência dos indivíduos da espécie, nos ásperos tempos das cavernas. Mesmo hoje, sem algum grau de agressividade, certamente nós conseguiriíamos sobreviver. Por pouco intensa que seja, ele nos é necessária no trabalho, no relacionamento amoroso e sexual, em muitas situações do dia-a-dia, na vida enfim.
    A agressividade é reprimida e não sublimada é um dos mais importantes mecanismos do adoecer.

    Mandsley:
    " Se a emoção não se libera, vai agarrar-se aos órgãos, preturbando seu funcionamento. O desgosto que se pode exprimir por meio de gemidos e lágrimas é rapidamente esquecido, enquanto o sofrimento mudo, que remói incessantemente o coração, termina por abatê-lo."
    "O homem só adoece na totalidade. Mesmo se a doença for localizada, o ser humano expressa: eu estou doente" Renato del Santi

    O psiquismo é, portanto, fundamental para a conservação da saúde e, ao modular o comportamento da pessoa, tem o poder de multiplicar a vulnerabilidade biológica do corpo, abrindo as portas para as manifestações orgânicas das doenças.



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